outubro 14

Sobre Deus

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Há milênios Deus é figura presente na história da humanidade. Várias definições acerca daquele que, segundo algumas crenças é onipotente, onipresente e onisciente, já foram construídas. A ideia de Deus permeia a história humana há milênios; culturas politeístas e monoteístas construíram ao longo do tempo imagens e conceitos de quem ou o que é Deus. Para alguns povos, um Ser supremo, um Pai benevolente; para outros, O Grande Arquiteto; para outros, ainda, uma força que está presente em todo o Universo. Cada povo possui uma visão particular sobre Deus, construída de acordo com o seu contexto histórico e nível de conhecimento.

A seguir, trazemos definições de crianças de 09 (nove) religiões diferentes sobre Deus; não só conceitos aparecem aqui de forma extremamente simplificada e inocente, como também a maneira como essas crianças encaram Aquele a quem parece ser tão difícil explicar ou definir:

“Não tem um Deus físico. Deus é tudo e tudo é Deus. Ele é feito de luz. O arco-íris, no budismo, representa uma pessoa com coração iluminado” (Ariom Scheffler, 11, budista).

“Oxum é a santa que me protege. Ela tá no mato, para curtir a vida. Uma professora uma vez contou que um lobo ia na porta da criança que não é batizada [como cristã]. Fiquei com medo, chorando” (Manuella Araújo da Costa, 10, candomblé).

“Para nós não tem inferno, só céu. Assim: vamos fingir que você está no teatro. Se foi uma muito boa pessoa, ficaria na frente, mais perto de Deus. Se foi uma ruim pessoa, ficaria lá atrás” (Luke Saul Jospa, 9, judaísmo).

“Sonhei que Jah estava no deserto e fazia todas as pessoas ficarem felizes. Ele é o meu coração e fica batendo em todos os momentos. Peço a Jah que o mundo fique bem limpinho” (Núbia Selassie Cestari Granello, 6, rastafári).

“Deus é tudo para mim. Peço para Ele deixar chover, mas algumas vezes não penso na água. Penso em jogar Nintendo DS” (Mohamed Hussein Abid Ali, 8, muçulmano).

“Deus nos ama e nos ilumina. Ele me ajuda quando alguém briga comigo. Teve uma confusão na escola, e a professora disse que eu participei, mas só estava lá comendo meu lanche” (Pietra Hanna Castanho, 10, evangélica).

“Desenhei o mestre Gabriel, o nosso guia. É muito legal beber [ayahuasca]. Tem gente que vomita, mas eu não sinto medo, sinto amor. E vontade de rir muito! Já vi árvores falando comigo” (Darah Cally Patrício, 8, União do Vegetal (dissidência do Santo Daime)).

“No antigo tempo, não cortavam cabelo, então Deus tem o cabelo longo. Hoje Ele tá no meio do coração de todo mundo. Eu rezo para Ele deixar a gente ficar com o recreio um pouquinho maior” (Beatriz Dias Samuel, 8, católica).

“Deus criou a borboleta. Ela é bonita e feliz. Começa como se fosse um bicho horroroso, gosmento, e vira uma borboleta linda. É como o espírito que reencarna: você vai crescendo e evoluindo” (Clara Veiga Carvalho, 10, espírita).

Núrya Ramos

Fonte: http://www.mensagemespirita.com.br/mensagem-em-video/665/criancas-de-9-religioes-diferentes-desenham-seu-jeito-de-encarar-deus?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+MensagemEsprita+%28Mensagem+Esp%C3%ADrita%29

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março 23

Deus: a desculpa preferida dos intolerantes

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Deus não gosta!”, “Isso é pecado!”, “Deus não aprova!”, “Irá para o inferno!”, “Deus repudia!” – essas são algumas frases do discurso dos intolerantes; daqueles que não toleram o que é diferente deles próprios. Infelizmente, em pleno século XXI, o atraso evolutivo ainda domina muitas mentes. É lamentável ver pessoas utilizando a imagem de uma entidade divina pra justificar seus atos preconceituosos, racistas e patéticos! Vide o caso do deputado federal Marco Feliciano: à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias durante o ano de 2013, “Feliciano conseguiu aprovar projetos para serem enviados ao plenário, como a “cura gay”, a suspensão da resolução do CNJ que garante que a união civil homoafetiva seja reconhecida em cartórios(Último Segundo). O projeto da “cura gay”, felizmente, foi arquivado. Em nome do Conselho Federal de Psicologia (CFP), o conselheiro Celso Tondin lamentou a aprovação da proposta apelidada de “cura gay” no âmbito da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. […] Para o conselheiro, a aprovação da decisão fragiliza os homossexuais, legitima a perseguição e estimula a violência.” (Estadão).

O deputado também deu inúmeras declarações esdrúxulas. Por exemplo: declarou publicamente que o cantor Dinho da banda Mamonas Assassinas se vendeu ao Diabo e por isso Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças” (Wikipedia). Se o deputado não gosta das músicas da saudosa banda – tudo bem; cada um tem suas preferências musicais; mas daí a afirmar algo dessa natureza é no mínimo um desrespeito aos familiares dos rapazes mortos em 1996 numa fatalidade aérea. Para Marco Feliciano, músicas como as dos Mamonas são motivos suficientes para Deus tirar a vida de rapazes talentosos; deixando mães, pais, irmãos e entes queridos, com uma dor que nunca se apagará e um vazio que nunca será preenchido. Para pessoas como o deputado, Deus é uma entidade vingativa: se não gosta de algo que você faz, te mata e pronto!

Outras declarações um tanto quanto duvidosas do deputado – que atualmente responde a processo por estelionato no STF – podem ser facilmente encontradas na internet. Por uma dessas declarações, Feliciano foi denunciado pelo então procurador-geral da república Roberto Gurgel, e responde a processo acusado de homofobia. “A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, à rejeição”, escreveu o deputado no Twitter. Desta maneira, entende-se que na visão intolerante de Feliciano, os homossexuais são os causadores do ódio a eles dirigido. E qual a causa de tal repulsa? Amar alguém do mesmo sexo, demonstrar carinho e respeito. Palavras que certamente o deputado não conhece.

Marco Feliciano é apenas um em meio a tantos intolerantes que existem mundo afora. A questão é que, assim como ele, outros intolerantes também são pessoas conhecidas em certos meios e suas ações e pensamentos são tomados como exemplo por centenas de pessoas. Entre os alvos preferidos dos intolerantes estão os homossexuais. Porém, a ignorância os impede de estudar sobre o tema e descobrir que na Grécia Antiga (berço da cultura mundial), as relações homoafetivas eram vistas com naturalidade pela sociedade. Sócrates enamorou-se de Alcebíades. Alexandre, o Grande viveu um romance com Hefastião. Suetônio escreveu sobre o romance de Júlio César com o rei Nicomedes. Ricardo Coração de Leão teria tido um romance com Filipe II rei da França.

No exército espartano o amor entre soldados fortalecia o exército. Em nenhum dos dois casos estava excluída a relação com uma mulher, no presente ou no futuro. É com o advento do cristianismo que essas relações passam a ser vistas como pecaminosas” (Revista Net História). “Boa parte do modo como os povos da Antiguidade encaravam o amor entre pessoas do mesmo sexo pode ser explicada – ou, ao menos, entendida – se levarmos em conta suas crenças. Na mitologia grega, romana ou entre os deuses hindus e babilônios, por exemplo, a homossexualidade existia. Muitos deuses antigos não têm sexo definido. Alguns, como o popularíssimo hindu Ganesh, da fortuna, teriam até mesmo nascido de uma relação entre duas divindades femininas” (Guia do Estudante – Abril). A homossexualidade também é comum no reino animal. Desde mamíferos a vermes nematoides, as práticas homossexuais podem ser observadas. Os bonobos, por exemplo, utilizam este tipo de comportamento para “pedir desculpas” ou “parabenizar” um outro bonobo do mesmo sexo (Estadão).

O espiritismo e a umbanda (embora sejam de origens diferentes) também são alvos dos intolerantes. As frases mais comuns dirigidas a esses dois segmentos religiosos referem-se ao demônio. Seus praticantes são tidos como pessoas endemoninhadas, e condenadas por Deus ao inferno – sem apelação, sem direito de defesa, sem nada. A exemplo de espíritas e umbandistas, os ateus também sofrem preconceito. Supostamente estariam todos condenados ao inferno, às penas eternas e ao sofrimento constante.

Os intolerantes não tem raça, faixa etária, religião ou etnia definida. Estão em todos os lugares, em todos os segmentos, e destacam-se pelo pensamento arcaico e preconceituoso contra tudo aquilo que não lhes apraz. Colaboram para fomentar a violência, a segregação e o preconceito. Porém há um refúgio muito comum à muitos dos que nutrem intolerância por algo: Deus. Esta entidade divina, presente em muitas culturas, tem servido como de suporte e escudo pra opiniões particulares e atitudes preconceituosas. Muitos intolerantes apoiam-se na imagem de Deus pra justificar sua repulsa a determinadas categorias. Outros apropriam-se da Bíblia para respaldar suas ações. Esquecem-se que a Bíblia é um livro escrito por homens; que certamente obedeciam as conveniências e cultura de sua época.

É interessante ver como muitas pessoas sustentam que Deus não admite o amor entre dois homens ou duas mulheres – e pelo fato de ser amor por alguém do mesmo sexo deixa de ser amor? É um amor de valor inferior ao amor de um homem por uma mulher? Penso que não. Se há algo que o próprio Deus repudie, creio que seja o desrespeito ao semelhante, a violência (de qualquer espécie) cometida contra o próximo, a calúnia, a ofensa e a difamação; a injúria, a raiva. Intolerâncias dessa natureza apenas atrasam o processo evolutivo da humanidade enquanto sociedade. É comum ver pessoas monopolizando Deus, dizendo do que Ele gosta ou não gosta, e usando disso para tratar de forma ofensiva aquilo ou aqueles pelos quais são eles que nutrem repulsa. Mas alguém tem direito sobre Deus? Sobre seus pensamentos? Há alguém com moral suficiente pra separar em grupos de ‘salvos’ e ‘condenados’ o restante da humanidade?

Esquecem-se de que um dia, há 2 mil anos, houve um homem que falou de coisas como o amor e o respeito ao próximo. Que este mesmo homem sofreu na carne os efeitos das atitudes dos intolerantes de sua época. Intolerantes que não aceitaram que um homem de origem humilde pudesse ter mais força um império inteiro. E tiveram as mesmas atitudes que muitos tem até hoje: ofenderam, torturaram e mataram este mesmo homem, que ousou ensinar à humanidade que somos todos iguais. Certamente teríamos uma vida plena de paz se todos entendessem o que significa: Amai ao próximo como a ti mesmo.

(Núrya Ramos)

Fontes:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,homossexualidade-no-reino-animal,763657,0.htm

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/vale-tudo-homossexualidade-antiguidade-435906.shtml

http://www.nethistoria.com.br/secao/ensaios/309/sobre_a_homossexualidade_na_grecia_antiga/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Feliciano

http://rederhema.com/index/redir/noticias/marco-feliciano-responde-a-processos-por-estelionato-e-homofobia/

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-12-16/dez-maiores-polemicas-de-feliciano-em-2013.html

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