março 16

Geni e o Zepelim – uma análise do clássico buarqueano

0
0

Composta e cantada por Chico Buarque, Geni e o Zepelim é um clássico do cancioneiro brasileiro, uma conhecida representante da boa música nacional. A canção, integrante do musical A ópera do malandro (1978) – cujo texto baseia-se na Ópera dos Mendigos (1918) de John Gay e na Ópera dos Três Vinténs (1928) de Bertold Brecht e Kurt Weill é ambientado num bordel e aborda a malandragem brasileira – também faz parte do álbum e do filme de mesmo nome lançados, respectivamente, em 1979 e 1986 (Wikipedia).

Na canção a história de Geni é brevemente contada pelo poeta, sendo a musa apresentada por alguém que canta sua trajetória de vida – um observador, que não só vê o que acontece à personagem, mas também parece perceber o que se passa em seu íntimo, como se conseguisse “ler” seus sentimentos. Embora a letra apresente sempre termos femininos para se referir à Geni, não há a certeza de que ela pertença a este gênero.

No musical A Ópera do Malandro, Geni, na verdade, é Genivaldo – um travesti – conhecido na cidade apenas pelo seu apelido. Geni não possui sobrenome – fato que nos remete à invisibilidade social daqueles que nascem, vivem e morrem, sem o devido reconhecimento da sociedade que os cerca. São muitas Marias e Josés e tantos outros que deixam como legado apenas o rastro invisível da não importância.

Imagem meramente ilustrativa
             Imagem meramente ilustrativa

Geni pode ser uma mulher ou um travesti – este fato pouco importa. O que a canção nos dá como certo é que Geni se prostitui desde a infância, como demonstra o verso: “Dá-se assim desde menina”. A prostituição infantil se constitui situação lastimável a que muitas crianças são submetidas devido às suas condições de vida, a ausência da proteção da família e do Estado e tantos outros fatores que influenciam neste grave problema social.

Segundo a UNICEF, em 2010, cerca de 250 mil crianças (principalmente meninas) encontravam-se em situação de prostituição no Brasil (Brasil Escola). A falta de assistência social e psicológica também se constituem fatores que contribuem para a fragilização da criança e sua consequente exploração sexual (Brasil Escola).

Geni não é a garota de programa de luxo que possui clientes ricos ou famosos. No verso “O seu corpo é dos errantes, dos cegos, dos retirantes” vê-se a classe social dos clientes de Geni. Assim como ela, também invisíveis para a sociedade, excluídos; aqueles a quem nada é ofertado. “É a rainha dos detentos” – os que vivem à margem da lei também usufruem dos dotes de Geni.

A orientação sexual da personagem se mostra mais clara no decorrer da canção, pois no início apenas indivíduos do sexo masculino são citados; mas ao mencionar ‘as loucas’ e ‘as viúvas’, percebemos que Geni (mulher ou travesti) é bissexual.

Por não negar se deitar com ninguém, a personagem é descrita pelo poeta como ‘um poço de bondade’ – motivo pelo qual a cidade a repele bruscamente. O asco que a cidade nutre por Geni fica claro no refrão: “Joga pedra na Geni! (…) Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! (…) Maldita Geni!”

Porém, um dia surgiu nos céus ‘um enorme Zepelim’, que, pairando sobre a cidade começou a disparar tiros de canhão, abrindo milhares de orifícios. Aterrorizados com a destruição anunciada, a cidade paralisou-se diante do Zepelim gigante, julgando que nada poderia ser feito. No entanto, do enorme dirigível, desceu o seu comandante, resoluto em explodir a cidade devido ao horror que viu nas ações de seus habitantes; porém, não o faria, desde que sob uma condição: se Geni o “servisse” naquela noite.

O comandante, representa na canção de Buarque, o luxo e o poder; um capitalista que julga-se superior a ponto de querer destruir uma cidade inteira por seu bel-prazer. A subserviência para com os mais afortunados também pode ser subentendida aqui, no momento em que a cidade decide não confrontar o comandante, mas apenas obedecer à sua vontade. Ironicamente, na canção, os opressores de Geni passam para a condição de oprimidos.

Imagem meramente ilustrativa
            Imagem meramente ilustrativa

Incrédula, a cidade não aceitava que seu destino estivesse nas mãos daquela por quem nutriam tanto ódio. Mas Geni tinha sua dignidade (embora a cidade não enxergasse isto), e ‘preferia amar com os bichos’ do que ‘deitar com homem tão nobre / tão cheirando a brilho e a cobre’. Talvez o asco que a personagem experimentou a vida inteira vindo de seus conterrâneos abastados, tenha feito com que ela também criasse por eles certo nojo como resposta.

Mas ao perceberem que Geni não se interessava pelo comandante e temendo por suas vidas, ‘a cidade em romaria foi beijar a sua mão’. A hipocrisia tão marcante em nosso meio aparece aqui claramente exposta pelo poeta, quando a cidade muda completamente de atitude em relação à personagem, passando a tratá-la como ‘bendita’. Geni vai de pecadora à santa num instante.

Comovida com os pedidos a amante cede aos desejos do comandante e salva a cidade que tanto a maltratava. Mas nem bem viram-se livres da enorme ameaça, os conterrâneos de Geni voltam a bradar em coro seu canto moralista, repleto de ódio, preconceito e intolerância.

O refrão “Joga pedra na Geni!” transformou-se numa espécie de bordão para retratar pessoas que se tornam alvo da execração pública (Wikipedia), seja por sua classe social, orientação sexual, raça, credo, posicionamento político, ou qualquer outro aspecto ou condição.

Geni é a trans assassinada, é o menino da favela, é a prostituta na calçada, é o homossexual na família, é a mulher violentada, é o negro escarnecido, é o idoso órfão dos próprios filhos. Geni é todo aquele que não tem nome nem sobrenome, não possui endereço, não tem profissão, não tem espaço, não tem vez e não tem voz. Geni é todo aquele que nasce e morre como indigente, sem nunca ser visto e nem reconhecido, sem nunca ser alguém.

E em nossa hipócrita “inocência” que nunca nos faz agressores, apenas vítimas, “esquecemos” de dizer em voz alta que também somos parte da opressão, da exclusão, do preconceito, do abandono. Em suma, como foi dito sabiamente por alguém: “Nós somos Geni, mas também somos a cidade”.

 

Núrya Ramos

 

No vídeo abaixo, Letícia Sabatella interpreta majestosamente Geni e o Zepelim.

Fontes:

Google Imagens

http://brasilescola.uol.com.br/sociologia/prostituicao-infantil.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Geni_e_o_Zepelim

-2

Category: Música | LEAVE A COMMENT
março 3

Terror religioso

0
0

Há alguns dias um fato extremamente repulsivo chocou a população da Nicarágua. Uma mulher de 25 anos foi queimada em uma fogueira por fanáticos religiosos num suposto ritual de “purificação religiosa”. Os responsáveis pela morte de Vilma Trujillo García acusaram a vítima de estar possuída pelo demônio – justificando assim o cruel ritual (El País).

De acordo com a Polícia Nacional da Nicarágua, a jovem foi levada, no dia 15 de fevereiro, para o templo da Igreja Evangélica Visão Celestial das Assembleias de Deus, em El Cortezal (comunidade economicamente desfavorecida, localizada próximo ao município de Rostia), para que passasse por uma “oração de cura”. No entanto, o que se seguiu foi um assassinato com requintes de crueldade e, possivelmente, orquestrado com extrema frieza.

No dia 21 de fevereiro, seis dias depois da suposta “oração de cura”, testemunhas do ocorrido declararam que a vítima – considerada ‘endemoninhada’ – teve os pés e mãos amarrados e foi lançada a uma fogueira feita no pátio do templo (G1). Não há relatos de que a vítima tenha permanecido em cárcere privado durante os seis dias entre sua “ida” ao templo e o ritual na fogueira.

Segundo a Polícia Nacional, a diaconisa da igreja, Esneyda del Socorro Orozco, foi a responsável por ordenar a execução do ritual, pois “por revelação divina, deveria ser feita uma fogueira no pátio do templo para curar a vítima por meio do fogo” (G1). O grotesco fato teria se dado sob supervisão do pastor da igreja, identificado pelas autoridades como Juan Gregorio Rocha Romero, juntamente com outros quatro membros da citada igreja. A Assembleia de Deus, através de seu presidente, Rafael Arista, nega reconhecer Rocha Romero como pastor ou membro da congregação (G1).

A jovem sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus em 80% do corpo; chegou a ser levada a um hospital na capital Manágua e, após uma semana de intensa agonia, acabou falecendo no dia 28 de fevereiro (G1), em decorrência da gravidade dos traumas a que foi submetida.

Reynaldo Peralta, marido da vítima
Reynaldo Peralta, marido da vítima

Vilma Trujillo é mãe de duas crianças. Segundo o marido dela, Reynaldo Peralta, sua esposa foi levada à força pelos integrantes da Igreja, sob a acusação de que ela teria atacado pessoas com um facão. Para ele, sua mulher não estava “possuído pelo demônio” como acusavam os membros da igreja que a levaram, e sim, que ela havia sido vítima de “bruxaria” (G1). Ainda de acordo com o marido da vítima, ela teria sido estuprada; no entanto, as autoridades nicaraguenses não confirmam este crime. Reynaldo Peralta também denunciou às autoridades que ele e sua família estão sendo ameaçados (El País).

Até o dia 01 de março, cinco pessoas já haviam sido detidas por suspeita de participação no crime, entre elas estão o ‘pastor’ Rocha Romero e a diaconisa Esneyda Orozco (já citados neste post). Em sua defesa, Rocha Romero afirmou ao jornal La Prensa que Trujillo não foi lançada na fogueira, e sim, que ela teria caído no fogo “quando o espírito do demônio saiu do corpo dela” (G1).

Suspeitos detidos pela participação no crime
Suspeitos detidos pela participação no crime

Desde o acontecimento, há uma verdadeira comoção na Nicarágua em torno do caso. Naquele país o número de evangélicos tem crescido (chegando a quase 40% da população), em contraponto o número de católicos vem caindo há 20 anos (atualmente eles correspondem a menos de 50% do total). Pablo Cuevas, porta-voz da Comissão de Direitos Humanos da Nicarágua “pediu ao governo um controle mais firme dos grupos religiosos no país” (G1). Ainda segundo Cuevas, “as autoridades precisam avaliar diferentes denominações e religiões” (G1).

A vice-presidente da Nicarágua, Rosario Murillo, classificou o episódio como ‘condenável’ e afirmou que ele reflete uma situação de atraso; disse ainda que é “lamentável, uma irmã sendo martirizada pelos membros de sua comunidade” (G1).

Em declaração ao El País, Juanita Jiménez, integrante do Movimento Autônomo de Mulheres da Nicarágua – uma das organizações feministas mais combativas – disse que as autoridades precisam investigar profundamente o caso. Para ela, houve uma tentativa de encobrir o abuso sexual supostamente cometido contra a vítima (El País).

“Há uma total desproteção institucional para as mulheres. Não há autoridades combativas que persigam este tipo de delito, que fica na impunidade. Este é um exemplo do retrocesso em direitos humanos que o país sofre, um retrocesso que recoloca o país no obscurantismo”, acrescentou a feminista nicaraguense (El País).

O caso Vilma Trujillo revela problemas sociais graves – em especial a violência contra a mulher e o fanatismo religioso. Em 2013, a Nicarágua presenciou manifestações de homens contra a Lei Integral Contra a Violência Cometida contra Mulheres. Conhecida como lei 779, a normativa “estabelece a punição de até 30 anos de prisão para homens que exerçam violência física ou psicológica contra meninas, adolescentes e mulheres adultas” (BBC).

“Os manifestantes, apoiados por organizações civis e representantes das igrejas católica e evangélica, dizem que a legislação”, que entrou em vigor em 2012, “rompe o princípio constitucional de igualdade” (BBC). Nota-se que a comunidade evangélica daquele país não se posicionou contra a violência de gênero (ou dela fez pouco caso) por, talvez, definir que a mulher esteja em “pé de igualdade” em relação ao homem. Hoje, esta mesma comunidade, vê o nome de uma de suas congregações atrelado a uma violência descomunal e sem limites.

Protesto contra os feminicídios em Manágua
Protesto contra os feminicídios em Manágua

Já naquela época, os defensores da lei citada acima, advertiam para o fato de que a mesma não continha as agressões e assassinatos de crianças, adolescentes e mulheres. Ainda em 2013, a Secretaria da Mulher e da Infância afirmou que, em todo o país, eram apresentadas cerca de 97 denúncias por dia relacionadas a atos de violência contra a mulher (BBC).

No mesmo ano, alguns setores da igreja evangélica nicaraguense coletaram assinaturas contra a lei 779, por considerar que “há um comportamento tradicional que a mulher deve cumprir” (BBC). Relaciona-se, deste modo, que a visão conservadora sobre a mulher e seu papel na sociedade fomenta, em muitos casos, os atos de violência.

Percebe-se, não só pelo caso Vilma Trujillo, mas por inúmeros outros casos e fatos históricos (como por exemplo a Santa Inquisição, promovida pela Igreja Católica durante a Idade Média), que o fanatismo religioso é extremamente danoso para a sociedade, pois caracteriza-se “pela devoção incondicional, exaltada e completamente isenta de espírito crítico, a uma ideia ou concepção religiosa” (Wikipedia).

O termo fanatismo tem origem religiosa (do latim fanaticus – inspirado pelos deuses). Entre os romanos, denominava-se, assim, “o indivíduo inspirado pela divindade ou “impregnado” da presença divina” (Wikipedia). Os fanáticos religiosos acreditam ter contato direto com as divindades nas quais acreditam; e é pautando-se nesta crença que eles justificam seus atos mais cruéis, sob a justificativa de purificar algo ou alguém.

Embora não se admitam violentos ou intolerantes, estes indivíduos cometem toda sorte de atrocidades em nome daquilo em que acreditam, mesmo que seus atos custem a vida de outrem ou o bem estar da coletividade. Este tipo de fanáticos não admite coexistir com outras religiões que preguem doutrinas que divergem da(s) sua(s); abominam a homossexualidade, como se esta fosse uma aberração da natureza; não admitem a existência de pessoas que não possuam crença em Deus; negam qualquer grupo que não seja aquele formado de acordo com seus preceitos como família; são contra métodos contraceptivos, e etc.

Infelizmente, o caso Vilma Trujillo não é único e dificilmente será o último em que o fanatismo religioso lança mão da violência contra a mulher para cumprir aquilo em que acredita. Intolerância e total ausência de respeito para com o próximo é o que denomina esses seres vis, cruéis e abomináveis, que tanto julgam se achando ‘donos da verdade’, mas que não passam de uma escória, que se pauta na violência, na humilhação, na dominação e na opressão para se fazer superior, pois estes são os únicos meios que conhecem para que sejam vistos pelos demais.

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/07/130704_direito_mulheres_nicaragua_gm

http://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/28/internacional/1488301755_112117.html

http://g1.globo.com/mundo/noticia/mulher-morre-apos-ser-jogada-em-fogueira-por-grupo-religioso-na-nicaragua.ghtml

http://g1.globo.com/mundo/noticia/caso-de-mulher-possuida-queimada-em-fogueira-em-igreja-evangelica-choca-nicaragua.ghtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fanatismo_religioso

-4

junho 22

Lei de Gérson – a cultura da falta de ética

0
0

Você já ouviu falar no ‘jeitinho brasileiro’? Aposto que sim. Com certeza, você também deve ter a sua definição sobre essa expressão’; mas vejamos o que isso realmente significa. A Lei de Gérson – popularmente conhecida como “jeitinho brasileiro” – originou-se de uma propaganda dos cigarros Villa Rica lançada em 1976, em que Gérson de Oliveira – um dos melhores meio-campistas da história do futebol brasileiro – aparece falando sobre as vantagens do cigarro em questão.

A frase “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também”, acabou perdendo-se do contexto original, passou a ser interpretada erroneamente e difundiu a ideia de que vale tudo para levar vantagem – até mesmo cometer atos ilícitos – o que fez com que o errado parecesse certo.

Apesar de ser um jogador já consagrado na época, o “Canhotinha de Ouro” ficou marcado pela famosa propaganda do Villa Rica, o que o fez declarar posteriormente que arrependeu-se de ter estrelado a campanha que associou sua imagem ao pensamento de que é permitido qualquer coisa desde que se leve vantagem com isto; porém era tarde demais: seu nome já havia batizado a mais famosa “lei” brasileira.

O fato é que a maioria de nós brasileiros (na verdade, creio que todos nós) já se beneficiou com o tal jeitinho ou já fez uso dele em algum momento, e ainda ficamos mundialmente famosos por isso. De acordo com o diretor do comercial, o publicitário José Monserrat Filho, “houve um erro de interpretação, o pessoal começou a entender como ser malandro. No segundo anúncio dizíamos: ‘levar vantagem não é passar ninguém para trás, é chegar na frente’”. Tarde demais para a marca Villa Rica tentar desfazer o engano; as pessoas já haviam dado nome a algo que, no íntimo, já sabíamos que existia.

jeitinho 2

O cidadão Gérson de Oliveira – que miseravelmente deu nome à este tipo de prática – ao que parece ‘joga no time adversário’: o dos que importam-se mais com os benefícios coletivos. O ex-jogador dirige o “Projeto Gerson” e é Presidente de Honra do Instituto Canhotinha de Ouro, com sede na cidade de Niterói e que “atende cerca de 3.000 crianças e adolescentes que vivem em situação de risco social, por vezes tirando-os das ruas, dos sinais de trânsitos a esmolar, das marquises, das drogas, fornecendo-lhes esportes, alimentação, planos médico e odontológico, acompanhamentos pedagógico, nutricional e psicológico” (Infonet).

Enraizado na cultura popular, o jeitinho brasileiro é sinônimo da vantagem a qualquer preço, sem o respeito à ética, valores ou princípios morais. Da população mais simples à mais afortunada e abastada, todos conhecem essa maneira peculiar utilizada no dia-a-dia ilimitadamente.

O tal jeitinho não deixa de ser também uma forma de corrupção – conduta incorreta que atribuímos apenas a políticos desonestos, mas que também está presente em muitos atos cotidianos da sociedade como um todo. Corrupção não é sinônimo apenas de desvio de verba como muitos possam pensar; trata-se também de pequenas atitudes antiéticas, desonestas e ilegais, que você, caro leitor, pode não considerar corrupção, mas que de fato é, como por exemplo: furar fila, oferecer suborno a um guarda, não devolver o troco que veio a mais, colar nas provas, plagiar trabalhos, etc.

jeitinho 1

Na literatura nacional, Macunaíma – o herói sem nenhum caráter criado por Mário de Andrade – e a dupla João Grilo e Chicó – personagens de O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna – representam o povo brasileiro em seus mais variados traços de personalidade, e em cuja história de vida explica-se o comportamento, muitas vezes, ilícito e imoral.

As práticas que constituem o ‘jeitinho brasileiro’ são, na maioria das vezes, justificadas por quem nelas incorre como uma maneira de reparação aos danos causados pelo governo. A população sente-se injustiçada e preterida em inúmeras situações, e parte de nós responde a isto cometendo infrações, sob a justificativa de que já fomos prejudicados e que não há mal algum em certos atos, mesmo sabendo que isso também prejudicará a outros.

Não há problema em desejar prosperar na vida, elevar o status social; trata-se aqui dos meios que se usa para alcançar estes e outros objetivos. Segundo a historiadora e pesquisadora da boemia Maria Izilda Matos, “a lei de Gerson funcionou como mais um elemento na definição da identidade nacional e o símbolo mais explícito da nossa ética ou falta de ética” (Isto É).

jeitinho 3

Entre aqueles que beneficiam-se dos cofres públicos para interesses particulares e os que se beneficiam através de pequenas atitudes antiéticas, a diferença reside no tamanho da oportunidade que cada um teve; pois a falha no caráter já existe, o que determinará o alcance da ação será o nível da oportunidade a que cada um teve acesso.

Se desejamos, enquanto sociedade, políticos melhores, precisamos educar as crianças e os mais jovens numa consciência diferente, onde o bem estar coletivo esteja sempre sobreposto ao particular. Teremos muito mais vantagens com um comportamento assim – que beneficiará a todos indistintamente – do que em atitudes que beneficiam apenas um único indivíduo (ou pequeno grupo de indivíduos) em detrimento dos demais.

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://www.infoescola.com/curiosidades/lei-de-gerson/

http://www.istoe.com.br/reportagens/27207_LEI+DE+GERSON

http://www.infonet.com.br/archimedes/ler.asp?id=153450

-17

outubro 15

Professor: a desvalorização de um grande trabalho

0
0

15 de outubro. Dia do Professor! Na internet, na tv, no rádio, ou na rua, todos querem prestar algum tipo de homenagem – por mais singela que seja – a este profissional tão necessário a todo e qualquer povo. Não importa a raça, a cultura, o credo que se tenha, ou o espaço geográfico que se ocupa neste mundo, a nação a qual se pertence: todos nós já precisamos ou precisaremos ainda de um professor; e quanto mais altos sejam os lugares que quisermos alcançar, precisaremos de muito mais que um único educador.

Desde o(a) primeiro(a) professor(a), aquele(a) lá do jardim de infância que ensinou os primeiros rabiscos, os primeiros desenhos de letras, até aqueles mais renomados e instruídos que nos carregam por pensamentos, teorias e informações de alta complexidade, como dispensar um professor? Não! Não é possível dispensar aquele(a) que nos livra da ignorância, que nos abre janelas de pensamentos e sonhos e que, quando se vê, o voo já é tão alto e a sensação de liberdade tão fascinante que já não se tem mais vontade de voltar à velha casa, ao anterior estado intelectual em que nos encontrávamos.

Mas tanta importância, tamanha relevância, que parece ser notada de maneira tão latente, pode realmente ser tomada como sincera na sua totalidade? Não. Infelizmente não pode. Os números são alarmantes, assustadores e crescem numa velocidade vertiginosa: professores agredidos dentro e fora da sala de aula, xingados, achincalhados, humilhados, ameaçados, torturados (física e psicologicamente), mortos, por alunos, pais de alunos ou os ditos “responsáveis”. Exagero? Não. Realidade. Triste, cruel e perturbadora realidade.

oráculo205

Agressão não é apenas de caráter físico, ofensa provem de várias ordens, assassinatos não são apenas aqueles no sentido literal da palavra. Fala-se à boca pequena sobre o governo, culpa-se os gestores pela má qualidade do ensino, pelo sucateamento das escolas, pela precariedade do serviço, pela desvalorização do professor. Mas eu questiono baseada em Sigmund Freud: qual a nossa parcela de responsabilidade nessa desordem?

DESVALORIZAR não se refere única e exclusivamente ao aspecto financeiro; desvalorizar é o ato de NÃO VALORIZAR algo ou alguém. E não é apenas o governo que desvaloriza o professor, não são os políticos os únicos a fazer isto: NÓS TAMBÉM O FAZEMOS! E não finja que não estou falando com você que desrespeita, que ofende, que humilha porque paga, que ameaça, que debocha! Você que hoje, neste 15 de outubro – Dia do Professor – postou uma imagem homenageando aos mestres do país posando de cidadão consciente, politizado, culto, educado, enquanto no dia-a-dia faz exatamente o oposto. Um único dia de respeito aos professores não apagará os seus 364 dias anuais de má educação e ausência de dignidade.

Valorizar um professor não é apenas pagar bem – o nome disso é boa remuneração, é acima de tudo agraciar este profissional com o respeito que deve ser aprendido em casa, aquele respeito do fino trato, da educação de berço, que poucos (pouquíssimos) tem. E sendo ou não bem remunerado, o fato é que professor algum é admitido numa instituição de ensino para ser agredido, ameaçado, ofendido e humilhado. Nenhuma moeda neste planeta, nenhuma quantia monetária é capaz de ressarcir o dano causado pelas injúrias, agressões e ofensas de toda ordem que estes profissionais sofrem.

oráculo professor

Todas essas atitudes juntas causam a coisa mais grave que pode haver: o assassinato de um mestre (senão no sentido literal da palavra, mas no sentido figurado). Um professor morre não apenas quando seu corpo físico deixa de existir: morre também quando nele(a) morre o amor por educar, quando perde o prazer em estar na sala de aula, quando o medo se instala em sua cabeça, quando não consegue mais trabalhar de forma relaxada e espontânea; morre quando deixa de sonhar com um país melhor, quando deixa de acreditar que pode colaborar na transformação do mundo em que vivemos; morre quando passa a acreditar que nada mais pode ser feito, que a batalha da educação está perdida, que estamos todos fadados ao fracasso, ao insucesso, à mesquinhez.

Ao governo compete, sim, uma parcela generosa de contribuição para com este profissional – pois sem ele nenhum outro existiria; mas compete também a nós, a grande parcela do respeito diário e mútuo. À escola cabe a instrução, o repasse dos conhecimentos, o preparo técnico e profissional, aos pais e responsáveis cabe a EDUCAÇÃO de seus filhos; cabe ensinar a respeitar os outros, não ofender, não agredir, reconhecer seus próprios erros, desculpar-se por eles e tentar repará-los de alguma forma; cabe ensinar a diferenciar o que é certo e o que é errado, noção de limites e espaço alheio; cabe a formação do caráter; cabe o repasse dos princípios e valores; cabe o que é essencial para construir um cidadão digno, um ser humano exemplar.

oráculo professor 4

Pais, mães e responsáveis, se vocês não se veem como os primeiros e principais educadores de seus filhos, não imputem à escola ou aos professores a responsabilidade total pelo tipo de pessoa que eles irão se tornar. Você, que se omitiu desta ocupação, é o principal responsável pelas consequências dela.

Sociedade, não finja que é apenas o governo que tem uma conduta a ser reparada para com os professores: nós também temos a nossa enquanto grupo, coletividade. Para mim, não há o que comemorar neste dia; antes há que se lamentar por todo o descaso e desatenção que esta classe sofre. Aos hipócritas um pedido: parem de vestir suas máscaras de agradecimento e reconhecimento só porque hoje é 15 de outubro; em lugar de ofender com sua hipocrisia, tire as vestes da sua arrogância e insensatez, examine sua consciência, reconheça seus atos errôneos e depois mude de comportamento; só então diga a todo e qualquer professor: Parabéns pelo seu dia. Muito obrigado.

Núrya Ramos

 

*Nota: este artigo não possui fontes bibliográficas de embasamento, possui apenas a melhor fonte de aprendizado de que já dispus: a vivência.

-46

junho 21

A ponta do iceberg

0
0

Se você é daquelas pessoas que acha que conhece e entende tudo que se passa ao nosso redor do ponto de vista político, saiba que você, amigo(a) leitor(a), está profundamente enganado. Por mais informado(a), atualizado(a) e “antenado”(a) que possas ser, você, eu e todos nós estamos longe de conhecer e compreender a nossa real situação por completo. E por quê isto acontece??? Por algo que chamo de ‘discurso autorizado pelo poder’. Vivemos numa sociedade onde quase nada (ou nada mesmo) é exatamente o que pensamos ser e como pensamos ser.

Mas o que significa exatamente esta expressão? Bem, o discurso autorizado pelo poder é nada mais do que aquilo que é permitido ser publicado, informado, levado ao conhecimento do grande público. Liberdade de imprensa, por exemplo, é uma expressão belíssima que representa a notícia limpa, sem máscara, o jornalismo honesto e decente, mas as coisas não são sempre assim. O que mais se vê são TVs, jornais, e vários outros meios de comunicação, atendendo a interesses político-partidários quando se trata da não divulgação de escândalos envolvendo corrupção, abuso de poder, desvios de verba e etc. Sem falar em “jornalistas” que se propõem a ‘limpar’ a imagem de certos políticos criminosos quando “vaza” alguma notícia que “deveria” ter sido mantida nos bastidores.

Números são divulgados incorretamente, ex: repasses de verba pública, custos de obras, índices de mortalidade, e etc.; notícias são manipuladas ao bel-prazer de quem será atingido por elas e mais etc. Aquilo que é dito nas tribunas, no parlamento e em meios midiáticos nem sempre corresponde à realidade. As famosas promessas de campanha são feitas apenas a título de iludir a população com garantias de coisas que nunca serão cumpridas na realidade, para que o povo se conforme mais uma vez em escolher aquele candidato ‘menos ruim’ dentre os piores (já que encontrar um bom candidato é tarefa um tanto quanto difícil).

Já experimentamos a ditadura (os famosos anos de chumbo), o exílio, a tortura, a repressão, a violência militar, as mortes, os desaparecimentos; hoje experimentamos a ‘democratura’ – como sabiamente diz o MC Léo Carlos, morador de um bairro periférico de Salvador (BA), ao se referir à ditadura travestida de democracia. A manipulação da realidade e da mente do cidadão (especialmente do eleitor não escolarizado o suficiente para entender ao menos a mínima parte do que lhe afeta) são os grandes guias da cena política que é montada aos nossos olhos. E não são apenas políticos envolvidos neste tipo de engodo, existem também grandes empresários, banqueiros, entre outros.

Por isso, caro(a) amigo(a), se você não faz parte deste complexo e intrincado sistema, deste jogo de poder entre os que comandam o cenário político e financeiro, sinto informar, mas você (assim como todos os que estão nesta condição) desconhece a verdade por trás dos fatos, desconhece aquilo que não foi permitido ser escrito, falado, noticiado. Se já nos decepcionamos com o pouco que sabemos, imagine se tomássemos conhecimento da totalidade do abismo e da complexidade da teia em que fomos lançados.

Núrya Ramos

P.S.: este artigo é fruto de minhas observações enquanto leitora, espectadora e cidadã deste país; por esta razão o mesmo não apresenta fontes ou referências de qualquer natureza.

Artigo relacionado:

O controle mental e o perigo da história única

-101

março 23

Francisco: o Papa pop

0
0

Seu nome de batismo é Jorge Mario Bergoglio, no entanto é mundialmente conhecido como Papa Francisco – o atual chefe de Estado do Vaticano, líder da ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana) e sucessor de Bento XVI. Nascido em Buenos Aires, Argentina, em 1936, é o primeiro sumo pontífice não europeu e jesuíta em mais de 1.200 anos na história do Catolicismo. Eleito Papa em 13 de março de 2013, Francisco vem surpreendendo muita gente com declarações e posicionamentos modernos e um tanto quanto liberais; muito diferentes do que estamos acostumados a ouvir da boca daquele que representa o poder máximo do império católico.

Sem papas na língua, a cada declaração polêmica o bispo de Roma deixa muita gente boquiaberta. Em carta escrita ao cardeal Mario Aurelio Poli – arcebispo de Buenos Aires – em março de 2014, pelo centenário da Faculdade de Teologia, Francisco pediu que os teólogos formados pela instituição sejam capazes de construir em torno de si a humanidade, de transmitir a divina verdade cristã em uma dimensão verdadeiramente humana, e não um intelectual sem talento, um moralista sem bondade ou um burocrata do sagrado”. E completou: “Os bons teólogos, como os bons pastores, cheiram o povo e a rua” (Terra). Ao que parece, Francisco não aprova a elite intelectualizada que sofre de complexo de superioridade.

papa francisco 1

Em 8 de março de 2014 o Papa saiu em defesa das mulheres: “Um mundo no qual as mulheres são marginalizadas é um mundo estéril” (Terra). Em janeiro deste ano numa visita às Filipinas reforçou o apoio declarando: “As mulheres têm muito a nos dizer na sociedade atual. Às vezes, nós, os homens, somos muito ‘machistas'” (Terra). Já no que diz respeito à procriação, Sua Santidade parece ser muito consciente dos riscos que uma superpopulação pode acarretar. “Alguns pensam, desculpem se uso a palavra, que para ser bons católicos temos que ser como coelhos, mas não” (Terra). Esta declaração causou grande furor entre os católicos no mundo inteiro, haja vista que muitos segmentos levam muito a sério a famosa passagem “crescei e multiplicai-vos”. Segundo Francisco é necessário haver ‘paternidade responsável’ – fato que inclui o tão falado planejamento familiar.

Em decorrência do atentado terrorista à redação do Charlie Hebdo e que acabou com vítimas fatais e alguns feridos, o Papa se mostrou contra o uso da fé como justificativa para atos violentos; no entanto, também não apoiou o desrespeito às religiões promovido pelo jornal satírico. Sobre isto ele declarou exemplificando: “Se meu amigo Dr. Gasparri xinga a minha mãe, ele pode esperar um soco. É normal. Não se pode provocar” (Terra). Um papa respondendo a uma ofensa com um soco; muito contrário ao ensinamento do Cristo sobre dar a outra face. Pelo visto em Francisco há muito mais sangue correndo nas veias do que se supunha.

Sobre os menos favorecidos, declarou dentro da Basílica de São Pedro que “é preciso servir aos frágeis e não se servir dos frágeis” (Terra). E completou: “Quando uma sociedade ignora os pobres, persegue-os e os criminaliza, lhes obriga a se unir à máfia. Essa sociedade se empobrece até a miséria” (Terra). A Basílica – centro do poder católico – é uma representação suntuosa das riquezas acumuladas pela ICAR ao longo dos séculos; falar de pobreza num lugar coberto de luxo é no mínimo desafiador e ao mesmo tempo contraditório. Num mundo onde pessoas se sacrificam para pagar dízimos e são vítimas de verdadeiras lavagens cerebrais por representantes de várias religiões, Francisco diz claramente que se deve servir aos pobres e não deles usurpar. Seria tão bom se Valdemiro Santiago & CIA compreendessem isto.

papa francisco 2

Ser o líder da Igreja Católica não deve de fato ser um fardo leve, haja vista todo o contexto a que isso se implica. No entanto, Francisco fez questão de demonstrar em março de 2014 que não há heroísmo algum em ser Papa. “Retratar o papa como uma espécie de super-homem, uma espécie de astro, parece ofensivo para mim. O papa é um homem que ri, chora, dorme tranquilamente e tem amigos como todo mundo, uma pessoa normal” (Terra), disse ele que não parece enxergar grandeza ou um status superior neste fato.

Em outubro do mesmo ano o Papa defendeu as Teorias do Big Bang e da Evolução afirmando que ambas são reais e criticou os que acreditam que Deus teria “agido como um mago” (Jornal Opção) durante a criação. E deixou um recado aos cientistas: “Ao cientista, sobretudo ao cientista cristão, corresponde a atitude de interrogar-se sobre o futuro da humanidade e da Terra; de construir um mundo humano para todas as pessoas e não para um grupo ou uma classe de privilegiados”, declarou o pontífice (Jornal Opção). Ainda em 2014, fez declarações sobre as denúncias de pedofilia cometidas por padres. O bispo de Roma diz que se sente responsável pelo mal que estes padres causaram e pediu perdão pelos danos causados às crianças abusadas.

O Papa também já saiu em defesa dos gays quando disse que: “não devem ser discriminados e devem ser integrados na sociedade”. “Se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la?”, questionou (Jornal Opção). Em 2013, Bergoglio já havia feito declarações sobre os homossexuais, divorciados e mulheres que fizeram aborto. Em entrevista ao padre Antonio Spadaro, Francisco disse: “Essa Igreja com a qual devemos conviver é a casa de todos e não a pequena capela que pode conter somente um grupinho de pessoas selecionadas. Não podemos reduzir o seio da Igreja universal ao ninho protetor da nossa mediocridade” (Estadão). Há dois dias atrás, o Papa pediu para almoçar com presos gays, transexuais e portadores de HIV; o encontro reservado apenas a 10 presidiários ocorrerá no próximo sábado (21) em Nápoles, Itália.

papa francisco 3

Essas e muitas outras declarações de Francisco já foram alvo de críticas ferrenhas dos mais conservadores, mas também vistas com bons olhos pelos que acreditam que a era em que vivemos pede pensamentos mais livres e abertos; que o questionamento e a mudança de posicionamento não são fraquezas e sim apenas o exercício de algo que o próprio Jesus de Nazaré pregou: o livre arbítrio. Reformista, moderno, liberal, Francisco destoa das imagens de seus antecessores. Não muito longe ele encontra-se da docilidade emanada por João Paulo II (1920-2005); mas parece relativamente distante da austeridade e conservadorismo de Bento XVI.

É sem dúvida que se pode dizer que Francisco caiu nas graças do povo em todo o mundo; católicos ou não, muitos se identificam com sua postura e posicionamentos. O atual Papa, tão popular, se veste sem muitos luxos, é discreto, bem humorado, questionador e um reformista nato. No entanto para aqueles que consideram seu papado um marco na ICAR quanto a avanços e quebra de certos dogmas, há uma notícia um tanto quanto desoladora. O Pontífice declarou que tem a sensação que será Papa por pouco tempo; vindo a ter um pontificado breve, “de quatro ou cinco anos” (G1).

Breve ou não a popularidade de Francisco já está espalhada e suas atitudes muitas vezes lembram as do próprio Cristo que não julgava ou repelia quem quer que fosse; ensinamentos que a Igreja fundada em cima de Sua imagem e Sua mensagem parece tão propositalmente ter esquecido.

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,papa-abre-igreja-aos-gays-aos-divorciados-e-as-mulheres-que-abortam,1076594

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/03/papa-francisco-diz-que-nao-ficara-muito-tempo-na-igreja-catolica.html

http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/sem-papas-na-lingua-relembre-frases-polemicas-do-papa-pop,882c38262173b410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Francisco

http://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/papa-francisco-diz-que-teorias-da-evolucao-e-big-bang-nao-contrariam-o-cristianismo-19236/

-117