abril 25

Boadicea: a rainha guerreira

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Também chamada de Boudica, Boudicca, Boadicea, Buduica e Bonduca, a rainha celta Boadicea (? – 61 d.C.) era casada com o rei dos icenos, Prasutagus, aliado do Império Romano. Com a morte do rei (60 d.C.) que havia governado sob a jurisdição de Nero a região hoje conhecida como Norfolk e Sussex (Inglaterra), a rainha passou a liderar seu povo; no entanto, os romanos ignoraram o testamento de Prasutagus que visava proteger sua família ao dividir suas terras igualmente entre Boadicea, as duas filhas do casal e Roma; Nero anexou todas as terras apropriando-se delas; os icenos resistiram e então soldados romanos invadiram o território iceni, torturaram e açoitaram Boadicea e estupraram suas filhas.

Estátua de Boadicea e suas filhas
Estátua de Boadicea e suas filhas

Humilhada e revoltada, Boadicea encorajou seu povo e tribos vizinhas cansadas do domínio romano, arrebanhando 100 mil bretões e os pondo em marcha rumo à capital da Britânia, Camulodunum (atualmente Colchester). O exército de Boadicea atacou a cidade que também estava ocupada por soldados romanos e a destruiu quase por completo. Nos meses seguintes três colônias romanas foram destruídas resultando em aproximadamente 78 mil mortos.

Segundo o historiador Dião Cássio: “Boadiceia era alta, terrível de olhar e abençoada com uma voz poderosa. Uma cascata de cabelos vermelhos alcançava seus joelhos; usava um colar dourado composto de ornamentos, uma veste multicolorida e sobre esta um casaco grosso preso por um broche. Carregava uma lança comprida para assustar todos os que lhe deitassem os olhos”.

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Os romanos reuniram um exército de 10 mil homens bem treinados e armados; e embora a rainha celta comandasse 30 mil guerreiros, sua inexperiência e de seus companheiros nas batalhas fizeram com que suas fileiras sofressem baixas nos números, o que enfraqueceu as forças do exército e Boadicea amargou a derrota aos britânicos. Sobre a morte da rainha não se sabe ao certo; segundo o historiador romano Tácito, Boadicea suicidou-se por envenenamento após a derrota, outros dizem que ela ficou doente e veio a falecer tendo sido sepultada luxuosamente.

Embora vencedores do embate final, Nero abandonou de vez a Grã-Bretanha. Durante toda a Idade Média as batalhas entre os icenos e os romanos foram praticamente esquecidas, até que no Período Vitoriano a rainha Vitória foi comparada por sua semelhança com Boadicea em termos de poder e grandeza. Uma estátua de bronze representando Boadicea e suas filhas a bordo de uma biga foi feita por Thomas Thornycroft a pedido do príncipe Albert. A estátua foi colocada ao lado da ponte de Westminster de frente para as Casas do Parlamento. Ao pé da obra lê-se: “Regiões que César nunca conheceu. Teus descendentes irão temer”.

Estátua de Boadicea em Londres
Estátua de Boadicea em Londres

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://www.ahistoria.com.br/biografia-boadicea-boudicca/

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/boadicea-monarca-celta-desafiou-poder-romano-destruiu-londres-729482.shtml

http://pt.wikipedia.org/wiki/Boadiceia

http://www.infoescola.com/biografias/boadicea/

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março 30

Cassandra – a princesa profetisa

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Cassandra (em grego: Κασσάνδρα) era a filha mais bela do rei Príamo e da rainha Hécuba de Tróia. Irmã gêmea de Heleno, Cassandra era fiel servidora de Apolo e sacerdotisa de seu templo. Sua beleza era tão fascinante que Apolo apaixonou-se por Cassandra, e como presente ofereceu a ela o dom da profecia em troca de seu amor. A princesa aceitou a oferta, porém tempos depois rompeu sua parte no acordo. Como castigo Apolo retirou-lhe a credibilidade; desta maneira Cassandra continuaria sendo capaz de prever o futuro, porém suas palavras seriam desacreditadas por todos que a ouvissem. Tida como a profetisa da desgraça, Cassandra tornou-se desacreditada por seu próprio povo.

“E das minhas queixas desdenham,

E escarnecem da minha dor,

Só, tenho de levar para os desertos

O meu coração sofredor,

Sendo pelos ditosos evitada

E para os felizes um escárnio!

Severamente me castigaste,

Pítico, tu, malévolo deus!

(…)

A minha cegueira, dá-ma de novo

E o seu sentido alegre, obscuro.

Não mais cantei canções felizes

Desde a tua voz asseguro.

Deste-me o futuro de presente,

Mas privaste-me do momento,

 Levaste-me as horas felizes da vida.

Toma de volta o teu falso presente!”

(Trecho do poema Cassandra, de Friedrich Schiller; escrito no início de Fevereiro de 1802 e publicado no Taschenbuch für Damen für das Jahr 1803).

Prevendo a queda de Tróia e de seus heróis, Cassandra passou a alertar a todos sobre o trágico destino que se aproximava dos muros da cidade; a sacerdotisa apelou ao pai que o cavalo de madeira (engendrado por Ulisses) deixado como presente pelos gregos às portas de Tróia não fosse aceito, devendo ser destruído; porém o descrédito a que estava submetida fez com que nem mesmo seu pai, o rei Príamo, acreditasse nela. A cidade foi tomada pelos guerreiros gregos, incendiada e os homens e crianças do sexo masculino foram mortos durante o ataque.

“Para anunciar o teu oráculo,

Por que me enviaste à cidade,

Onde habitam os cegos eternos,

Se tenho o espírito iluminado?

Porque me levaste a ver

O que não me é concedido mudar?

O determinado tem de acontecer,

O temido tem de se aproximar.

 

De que serve levantar o véu,

Onde a tragédia se ameaça?

A vida vivemo-la no erro,

E o conhecimento é a morte.

Leva, oh!, leva a triste claridade,

Leva de mim o seu brilho sangrento!

Terrível é ser arauto fatal

Do teu conhecimento.”

 

(Trecho do poema Cassandra, de Friedrich Schiller)

A guerra de Tróia resulta na morte de Heitor – príncipe troiano e irmão de Cassandra – pelas mãos de Aquiles. Andrômaca, viúva de Heitor, é levada por Neoptólemo – filho de Aquiles – e escravizada por ele juntamente com Heleno, seu cunhado. Neoptólemo também foi responsável pelas mortes de Astíanax (filho de Heitor), Polites e Polixena (irmãos de Cassandra) e do rei Príamo. Com a cidade tomada pelos gregos, Cassandra refugiou-se no templo de Atena, onde foi descoberta e violentada por Ájax, filho de Oileu. Na partilha dos despojos de Tróia, a princesa é dada a Agamenon e levada por ele em sua viagem de volta à Micenas. Após a morte de Agamenon, Cassandra foi à Cólquida, de onde saiu com Zakíntio para fundar uma nova cidade, orientados pelos deuses.

“E vejo brilhar a espada assassina,

E os olhos da morte brilham,

Nem à direita ou à esquerda,

Posso escapar ao pesadelo.

Não posso voltar os olhos,

Sabendo e olhando; sem parentes,

Tenho de cumprir o meu destino,

Caindo em terra de outras gentes.”

 

(Trecho do poema Cassandra, de Friedrich Schiller)

Por se tratar de uma figura emblemática na história da mitologia, a princesa de Tróia e sacerdotisa de Apolo é usada como referência na denominação de um complexo definido como Mal de Cassandra ou Complexo de Cassandra, em que o indivíduo que o possui sofre pelo fato de alertar quanto à questões delicadas e enfrentar o descrédito dos demais. Musa inspiradora deste blog, Cassandra é uma personagem envolvente e demasiadamente interessante. Assim como a princesa troiana os que sofrem deste mal são tidos como desagradáveis e loucos. Há milhares de anos Cassandra passeia pela história, como a profetisa desacreditada dotada de um dom excepcional e extrema beleza; nos dias atuais Cassandra vive através daqueles que como ela falam aquilo que nem todo mundo quer ouvir.

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2011/01/cassandra-e-heleno-os-filhos-de-priamo.html

http://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0531

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cassandra

http://pt.wikipedia.org/wiki/Neopt%C3%B3lemo

http://solfirmino.blogspot.com.br/2008/09/tragdia-de-cassandra-princesa-de-tria.html

http://www.uc.pt/fluc/eclassicos/publicacoes/ficheiros/BEC41/12_-_CASSANDRA___VOX_FEMINA_TRAGICA.pdf

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