março 3

Terror religioso

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Há alguns dias um fato extremamente repulsivo chocou a população da Nicarágua. Uma mulher de 25 anos foi queimada em uma fogueira por fanáticos religiosos num suposto ritual de “purificação religiosa”. Os responsáveis pela morte de Vilma Trujillo García acusaram a vítima de estar possuída pelo demônio – justificando assim o cruel ritual (El País).

De acordo com a Polícia Nacional da Nicarágua, a jovem foi levada, no dia 15 de fevereiro, para o templo da Igreja Evangélica Visão Celestial das Assembleias de Deus, em El Cortezal (comunidade economicamente desfavorecida, localizada próximo ao município de Rostia), para que passasse por uma “oração de cura”. No entanto, o que se seguiu foi um assassinato com requintes de crueldade e, possivelmente, orquestrado com extrema frieza.

No dia 21 de fevereiro, seis dias depois da suposta “oração de cura”, testemunhas do ocorrido declararam que a vítima – considerada ‘endemoninhada’ – teve os pés e mãos amarrados e foi lançada a uma fogueira feita no pátio do templo (G1). Não há relatos de que a vítima tenha permanecido em cárcere privado durante os seis dias entre sua “ida” ao templo e o ritual na fogueira.

Segundo a Polícia Nacional, a diaconisa da igreja, Esneyda del Socorro Orozco, foi a responsável por ordenar a execução do ritual, pois “por revelação divina, deveria ser feita uma fogueira no pátio do templo para curar a vítima por meio do fogo” (G1). O grotesco fato teria se dado sob supervisão do pastor da igreja, identificado pelas autoridades como Juan Gregorio Rocha Romero, juntamente com outros quatro membros da citada igreja. A Assembleia de Deus, através de seu presidente, Rafael Arista, nega reconhecer Rocha Romero como pastor ou membro da congregação (G1).

A jovem sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus em 80% do corpo; chegou a ser levada a um hospital na capital Manágua e, após uma semana de intensa agonia, acabou falecendo no dia 28 de fevereiro (G1), em decorrência da gravidade dos traumas a que foi submetida.

Reynaldo Peralta, marido da vítima
Reynaldo Peralta, marido da vítima

Vilma Trujillo é mãe de duas crianças. Segundo o marido dela, Reynaldo Peralta, sua esposa foi levada à força pelos integrantes da Igreja, sob a acusação de que ela teria atacado pessoas com um facão. Para ele, sua mulher não estava “possuído pelo demônio” como acusavam os membros da igreja que a levaram, e sim, que ela havia sido vítima de “bruxaria” (G1). Ainda de acordo com o marido da vítima, ela teria sido estuprada; no entanto, as autoridades nicaraguenses não confirmam este crime. Reynaldo Peralta também denunciou às autoridades que ele e sua família estão sendo ameaçados (El País).

Até o dia 01 de março, cinco pessoas já haviam sido detidas por suspeita de participação no crime, entre elas estão o ‘pastor’ Rocha Romero e a diaconisa Esneyda Orozco (já citados neste post). Em sua defesa, Rocha Romero afirmou ao jornal La Prensa que Trujillo não foi lançada na fogueira, e sim, que ela teria caído no fogo “quando o espírito do demônio saiu do corpo dela” (G1).

Suspeitos detidos pela participação no crime
Suspeitos detidos pela participação no crime

Desde o acontecimento, há uma verdadeira comoção na Nicarágua em torno do caso. Naquele país o número de evangélicos tem crescido (chegando a quase 40% da população), em contraponto o número de católicos vem caindo há 20 anos (atualmente eles correspondem a menos de 50% do total). Pablo Cuevas, porta-voz da Comissão de Direitos Humanos da Nicarágua “pediu ao governo um controle mais firme dos grupos religiosos no país” (G1). Ainda segundo Cuevas, “as autoridades precisam avaliar diferentes denominações e religiões” (G1).

A vice-presidente da Nicarágua, Rosario Murillo, classificou o episódio como ‘condenável’ e afirmou que ele reflete uma situação de atraso; disse ainda que é “lamentável, uma irmã sendo martirizada pelos membros de sua comunidade” (G1).

Em declaração ao El País, Juanita Jiménez, integrante do Movimento Autônomo de Mulheres da Nicarágua – uma das organizações feministas mais combativas – disse que as autoridades precisam investigar profundamente o caso. Para ela, houve uma tentativa de encobrir o abuso sexual supostamente cometido contra a vítima (El País).

“Há uma total desproteção institucional para as mulheres. Não há autoridades combativas que persigam este tipo de delito, que fica na impunidade. Este é um exemplo do retrocesso em direitos humanos que o país sofre, um retrocesso que recoloca o país no obscurantismo”, acrescentou a feminista nicaraguense (El País).

O caso Vilma Trujillo revela problemas sociais graves – em especial a violência contra a mulher e o fanatismo religioso. Em 2013, a Nicarágua presenciou manifestações de homens contra a Lei Integral Contra a Violência Cometida contra Mulheres. Conhecida como lei 779, a normativa “estabelece a punição de até 30 anos de prisão para homens que exerçam violência física ou psicológica contra meninas, adolescentes e mulheres adultas” (BBC).

“Os manifestantes, apoiados por organizações civis e representantes das igrejas católica e evangélica, dizem que a legislação”, que entrou em vigor em 2012, “rompe o princípio constitucional de igualdade” (BBC). Nota-se que a comunidade evangélica daquele país não se posicionou contra a violência de gênero (ou dela fez pouco caso) por, talvez, definir que a mulher esteja em “pé de igualdade” em relação ao homem. Hoje, esta mesma comunidade, vê o nome de uma de suas congregações atrelado a uma violência descomunal e sem limites.

Protesto contra os feminicídios em Manágua
Protesto contra os feminicídios em Manágua

Já naquela época, os defensores da lei citada acima, advertiam para o fato de que a mesma não continha as agressões e assassinatos de crianças, adolescentes e mulheres. Ainda em 2013, a Secretaria da Mulher e da Infância afirmou que, em todo o país, eram apresentadas cerca de 97 denúncias por dia relacionadas a atos de violência contra a mulher (BBC).

No mesmo ano, alguns setores da igreja evangélica nicaraguense coletaram assinaturas contra a lei 779, por considerar que “há um comportamento tradicional que a mulher deve cumprir” (BBC). Relaciona-se, deste modo, que a visão conservadora sobre a mulher e seu papel na sociedade fomenta, em muitos casos, os atos de violência.

Percebe-se, não só pelo caso Vilma Trujillo, mas por inúmeros outros casos e fatos históricos (como por exemplo a Santa Inquisição, promovida pela Igreja Católica durante a Idade Média), que o fanatismo religioso é extremamente danoso para a sociedade, pois caracteriza-se “pela devoção incondicional, exaltada e completamente isenta de espírito crítico, a uma ideia ou concepção religiosa” (Wikipedia).

O termo fanatismo tem origem religiosa (do latim fanaticus – inspirado pelos deuses). Entre os romanos, denominava-se, assim, “o indivíduo inspirado pela divindade ou “impregnado” da presença divina” (Wikipedia). Os fanáticos religiosos acreditam ter contato direto com as divindades nas quais acreditam; e é pautando-se nesta crença que eles justificam seus atos mais cruéis, sob a justificativa de purificar algo ou alguém.

Embora não se admitam violentos ou intolerantes, estes indivíduos cometem toda sorte de atrocidades em nome daquilo em que acreditam, mesmo que seus atos custem a vida de outrem ou o bem estar da coletividade. Este tipo de fanáticos não admite coexistir com outras religiões que preguem doutrinas que divergem da(s) sua(s); abominam a homossexualidade, como se esta fosse uma aberração da natureza; não admitem a existência de pessoas que não possuam crença em Deus; negam qualquer grupo que não seja aquele formado de acordo com seus preceitos como família; são contra métodos contraceptivos, e etc.

Infelizmente, o caso Vilma Trujillo não é único e dificilmente será o último em que o fanatismo religioso lança mão da violência contra a mulher para cumprir aquilo em que acredita. Intolerância e total ausência de respeito para com o próximo é o que denomina esses seres vis, cruéis e abomináveis, que tanto julgam se achando ‘donos da verdade’, mas que não passam de uma escória, que se pauta na violência, na humilhação, na dominação e na opressão para se fazer superior, pois estes são os únicos meios que conhecem para que sejam vistos pelos demais.

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/07/130704_direito_mulheres_nicaragua_gm

http://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/28/internacional/1488301755_112117.html

http://g1.globo.com/mundo/noticia/mulher-morre-apos-ser-jogada-em-fogueira-por-grupo-religioso-na-nicaragua.ghtml

http://g1.globo.com/mundo/noticia/caso-de-mulher-possuida-queimada-em-fogueira-em-igreja-evangelica-choca-nicaragua.ghtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fanatismo_religioso

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junho 22

Lei de Gérson – a cultura da falta de ética

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Você já ouviu falar no ‘jeitinho brasileiro’? Aposto que sim. Com certeza, você também deve ter a sua definição sobre essa expressão’; mas vejamos o que isso realmente significa. A Lei de Gérson – popularmente conhecida como “jeitinho brasileiro” – originou-se de uma propaganda dos cigarros Villa Rica lançada em 1976, em que Gérson de Oliveira – um dos melhores meio-campistas da história do futebol brasileiro – aparece falando sobre as vantagens do cigarro em questão.

A frase “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também”, acabou perdendo-se do contexto original, passou a ser interpretada erroneamente e difundiu a ideia de que vale tudo para levar vantagem – até mesmo cometer atos ilícitos – o que fez com que o errado parecesse certo.

Apesar de ser um jogador já consagrado na época, o “Canhotinha de Ouro” ficou marcado pela famosa propaganda do Villa Rica, o que o fez declarar posteriormente que arrependeu-se de ter estrelado a campanha que associou sua imagem ao pensamento de que é permitido qualquer coisa desde que se leve vantagem com isto; porém era tarde demais: seu nome já havia batizado a mais famosa “lei” brasileira.

O fato é que a maioria de nós brasileiros (na verdade, creio que todos nós) já se beneficiou com o tal jeitinho ou já fez uso dele em algum momento, e ainda ficamos mundialmente famosos por isso. De acordo com o diretor do comercial, o publicitário José Monserrat Filho, “houve um erro de interpretação, o pessoal começou a entender como ser malandro. No segundo anúncio dizíamos: ‘levar vantagem não é passar ninguém para trás, é chegar na frente’”. Tarde demais para a marca Villa Rica tentar desfazer o engano; as pessoas já haviam dado nome a algo que, no íntimo, já sabíamos que existia.

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O cidadão Gérson de Oliveira – que miseravelmente deu nome à este tipo de prática – ao que parece ‘joga no time adversário’: o dos que importam-se mais com os benefícios coletivos. O ex-jogador dirige o “Projeto Gerson” e é Presidente de Honra do Instituto Canhotinha de Ouro, com sede na cidade de Niterói e que “atende cerca de 3.000 crianças e adolescentes que vivem em situação de risco social, por vezes tirando-os das ruas, dos sinais de trânsitos a esmolar, das marquises, das drogas, fornecendo-lhes esportes, alimentação, planos médico e odontológico, acompanhamentos pedagógico, nutricional e psicológico” (Infonet).

Enraizado na cultura popular, o jeitinho brasileiro é sinônimo da vantagem a qualquer preço, sem o respeito à ética, valores ou princípios morais. Da população mais simples à mais afortunada e abastada, todos conhecem essa maneira peculiar utilizada no dia-a-dia ilimitadamente.

O tal jeitinho não deixa de ser também uma forma de corrupção – conduta incorreta que atribuímos apenas a políticos desonestos, mas que também está presente em muitos atos cotidianos da sociedade como um todo. Corrupção não é sinônimo apenas de desvio de verba como muitos possam pensar; trata-se também de pequenas atitudes antiéticas, desonestas e ilegais, que você, caro leitor, pode não considerar corrupção, mas que de fato é, como por exemplo: furar fila, oferecer suborno a um guarda, não devolver o troco que veio a mais, colar nas provas, plagiar trabalhos, etc.

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Na literatura nacional, Macunaíma – o herói sem nenhum caráter criado por Mário de Andrade – e a dupla João Grilo e Chicó – personagens de O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna – representam o povo brasileiro em seus mais variados traços de personalidade, e em cuja história de vida explica-se o comportamento, muitas vezes, ilícito e imoral.

As práticas que constituem o ‘jeitinho brasileiro’ são, na maioria das vezes, justificadas por quem nelas incorre como uma maneira de reparação aos danos causados pelo governo. A população sente-se injustiçada e preterida em inúmeras situações, e parte de nós responde a isto cometendo infrações, sob a justificativa de que já fomos prejudicados e que não há mal algum em certos atos, mesmo sabendo que isso também prejudicará a outros.

Não há problema em desejar prosperar na vida, elevar o status social; trata-se aqui dos meios que se usa para alcançar estes e outros objetivos. Segundo a historiadora e pesquisadora da boemia Maria Izilda Matos, “a lei de Gerson funcionou como mais um elemento na definição da identidade nacional e o símbolo mais explícito da nossa ética ou falta de ética” (Isto É).

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Entre aqueles que beneficiam-se dos cofres públicos para interesses particulares e os que se beneficiam através de pequenas atitudes antiéticas, a diferença reside no tamanho da oportunidade que cada um teve; pois a falha no caráter já existe, o que determinará o alcance da ação será o nível da oportunidade a que cada um teve acesso.

Se desejamos, enquanto sociedade, políticos melhores, precisamos educar as crianças e os mais jovens numa consciência diferente, onde o bem estar coletivo esteja sempre sobreposto ao particular. Teremos muito mais vantagens com um comportamento assim – que beneficiará a todos indistintamente – do que em atitudes que beneficiam apenas um único indivíduo (ou pequeno grupo de indivíduos) em detrimento dos demais.

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://www.infoescola.com/curiosidades/lei-de-gerson/

http://www.istoe.com.br/reportagens/27207_LEI+DE+GERSON

http://www.infonet.com.br/archimedes/ler.asp?id=153450

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dezembro 8

Continuidade

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O final da novela, do filme, da série, ou do livro, são mais importantes para o espectador/leitor do que a qualidade do próprio desfecho. A mente humana deseja insaciavelmente que as coisas tenham um começo e fim muito bem definidos, qualquer que seja a natureza a qual pertença: seja no mundo real, no mundo das ideias, ou nas conexões entre ambos.

Não é diferente na Ciência: estamos sempre querendo saber a origem da Humanidade, da Vida, do planeta Terra, da Lua, dos planetas, das estrelas, galáxias, do Universo, e mesmo o que houver além dele. Também queremos saber o fim de todas essas coisas, até que a última estrela de débil brilho do Universo se apague; e mesmo para a angustiante escuridão que será esse Universo, nós queremos saber o fim.

Mas é particular da Natureza não se adequar às nossas ânsias, e dessa vez não é diferente. Nós simplesmente não podemos dizer, à luz da evolução, qual foi o começo da humanidade, nossa origem. Já é um avanço podermos saber, pelas evidências, que viemos das savanas africanas. As religiões no campo das ideias conseguem responder em parte esse anseio pela origem, mas nada mais que etiologias que, ou acredita-se por pura e simples fé, ou dispensa-se pela total ausência de evidências e até de sentido. A realidade massacra todos os nossos idealismos e crenças, e choca a humanidade a cada passo dado; o mundo é muito mais dinâmico, vasto e imprevisível que o olho de nossas mentes possa conceber. Quando viveu o primeiro homem? Quando podemos separar de forma exata um ancestral hominídeo de um ser humano propriamente dito? Quando um homo-heidelbergensis deu luz a um homo-sapiens?

Não são apenas perguntas inviáveis de se responder hoje, são inviáveis de se responder sempre. A evolução dos seres vivos demanda de escalas de tempo que mal podemos compreender. Ela acontece por gerações a gerações, em passos tão graduais que procurar por elos perdidos é apenas uma mera expressão popular, de uma mente descontínua e padronizativa, que nada mais é que um fruto de nossa própria evolução; perceber padrões rapidamente foi o que permitiu a nossos ancestrais se desenvolverem socialmente, dominarem o meio em que viviam e evitar predadores sorrateiros. Essa característica está imersa profundamente em cada um de nós, e nosso modo de ver o mundo está preso nela. Na verdade, a quantidade de elos é imensurável, e a amostra de tudo que já viveu é minúscula em comparação a isto.

Pense por um momento, e veja se és capaz de responder qual o começo de sua própria história, de sua existência. Quando nasceu? Ou quando quando foi concebido? Seria quando seu pai e sua mãe se conheceram? Ou seria quando os avós por parte de pai e mãe se conheceram, já que seus genes vem desde eles e apenas foram passados para você?

Só essa regressão pode ir até onde se pode chamar de inconcebível, e a angústia de não poder responder pela própria origem na verdade, é constante – tudo que procuramos, são apenas alternativas flutuantes para saciá-la. Considerando os genes e a confusa definição de espécie, a história de qualquer um de nós remete à história de toda a humanidade, e pela mesma linha de origem e carga genética a história de toda a espécie humana remete ao ancestral de todos os primatas, que remete ao ancestral de todos os mamíferos, que por sua vez remete ao ancestral de todos os cordados, e por fim ao ancestral de todos os seres vivos. Como indivíduo, cada um de nós pode mesmo se considerar com alguns anos de vida, mas essencialmente, a carga genética de sua vida é tão antiga quanto a vida na Terra (algo em torno de 3,8 bilhões de anos de acontecimentos, gerações, e extinções). Essencialmente em nível atômico podemos nos perder novamente, e ver que somos tão antigos quanto o Universo. Os átomos que nos compõem e a energia que nos mantém podem ter uma forma nova e surpreendente, complexa e intrincada, mas a essência é a mesma da singularidade que há 14 bilhões de anos se expandiu dando origem ao Universo conhecido; mas antes dela não sabemos o que havia, e nossa mente se perde vertiginosamente mais uma vez.

Um dia, talvez se torne melhor simplesmente aceitar a realidade de que não há começo nem fim, mas apenas existência, e isso não é algo ruim. Do final do filme, da série, do livro, uma infinidade de arcos de história ainda poderiam continuar, e como nossa filosofia já ponderou, cada suposto fim é apenas uma transição, um novo começo; mostrando que a existência é um círculo, de fim e início constantes, que se encontram.

Agradecimento: Núrya Ramos, revisão e apoio

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outubro 15

Professor: a desvalorização de um grande trabalho

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15 de outubro. Dia do Professor! Na internet, na tv, no rádio, ou na rua, todos querem prestar algum tipo de homenagem – por mais singela que seja – a este profissional tão necessário a todo e qualquer povo. Não importa a raça, a cultura, o credo que se tenha, ou o espaço geográfico que se ocupa neste mundo, a nação a qual se pertence: todos nós já precisamos ou precisaremos ainda de um professor; e quanto mais altos sejam os lugares que quisermos alcançar, precisaremos de muito mais que um único educador.

Desde o(a) primeiro(a) professor(a), aquele(a) lá do jardim de infância que ensinou os primeiros rabiscos, os primeiros desenhos de letras, até aqueles mais renomados e instruídos que nos carregam por pensamentos, teorias e informações de alta complexidade, como dispensar um professor? Não! Não é possível dispensar aquele(a) que nos livra da ignorância, que nos abre janelas de pensamentos e sonhos e que, quando se vê, o voo já é tão alto e a sensação de liberdade tão fascinante que já não se tem mais vontade de voltar à velha casa, ao anterior estado intelectual em que nos encontrávamos.

Mas tanta importância, tamanha relevância, que parece ser notada de maneira tão latente, pode realmente ser tomada como sincera na sua totalidade? Não. Infelizmente não pode. Os números são alarmantes, assustadores e crescem numa velocidade vertiginosa: professores agredidos dentro e fora da sala de aula, xingados, achincalhados, humilhados, ameaçados, torturados (física e psicologicamente), mortos, por alunos, pais de alunos ou os ditos “responsáveis”. Exagero? Não. Realidade. Triste, cruel e perturbadora realidade.

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Agressão não é apenas de caráter físico, ofensa provem de várias ordens, assassinatos não são apenas aqueles no sentido literal da palavra. Fala-se à boca pequena sobre o governo, culpa-se os gestores pela má qualidade do ensino, pelo sucateamento das escolas, pela precariedade do serviço, pela desvalorização do professor. Mas eu questiono baseada em Sigmund Freud: qual a nossa parcela de responsabilidade nessa desordem?

DESVALORIZAR não se refere única e exclusivamente ao aspecto financeiro; desvalorizar é o ato de NÃO VALORIZAR algo ou alguém. E não é apenas o governo que desvaloriza o professor, não são os políticos os únicos a fazer isto: NÓS TAMBÉM O FAZEMOS! E não finja que não estou falando com você que desrespeita, que ofende, que humilha porque paga, que ameaça, que debocha! Você que hoje, neste 15 de outubro – Dia do Professor – postou uma imagem homenageando aos mestres do país posando de cidadão consciente, politizado, culto, educado, enquanto no dia-a-dia faz exatamente o oposto. Um único dia de respeito aos professores não apagará os seus 364 dias anuais de má educação e ausência de dignidade.

Valorizar um professor não é apenas pagar bem – o nome disso é boa remuneração, é acima de tudo agraciar este profissional com o respeito que deve ser aprendido em casa, aquele respeito do fino trato, da educação de berço, que poucos (pouquíssimos) tem. E sendo ou não bem remunerado, o fato é que professor algum é admitido numa instituição de ensino para ser agredido, ameaçado, ofendido e humilhado. Nenhuma moeda neste planeta, nenhuma quantia monetária é capaz de ressarcir o dano causado pelas injúrias, agressões e ofensas de toda ordem que estes profissionais sofrem.

oráculo professor

Todas essas atitudes juntas causam a coisa mais grave que pode haver: o assassinato de um mestre (senão no sentido literal da palavra, mas no sentido figurado). Um professor morre não apenas quando seu corpo físico deixa de existir: morre também quando nele(a) morre o amor por educar, quando perde o prazer em estar na sala de aula, quando o medo se instala em sua cabeça, quando não consegue mais trabalhar de forma relaxada e espontânea; morre quando deixa de sonhar com um país melhor, quando deixa de acreditar que pode colaborar na transformação do mundo em que vivemos; morre quando passa a acreditar que nada mais pode ser feito, que a batalha da educação está perdida, que estamos todos fadados ao fracasso, ao insucesso, à mesquinhez.

Ao governo compete, sim, uma parcela generosa de contribuição para com este profissional – pois sem ele nenhum outro existiria; mas compete também a nós, a grande parcela do respeito diário e mútuo. À escola cabe a instrução, o repasse dos conhecimentos, o preparo técnico e profissional, aos pais e responsáveis cabe a EDUCAÇÃO de seus filhos; cabe ensinar a respeitar os outros, não ofender, não agredir, reconhecer seus próprios erros, desculpar-se por eles e tentar repará-los de alguma forma; cabe ensinar a diferenciar o que é certo e o que é errado, noção de limites e espaço alheio; cabe a formação do caráter; cabe o repasse dos princípios e valores; cabe o que é essencial para construir um cidadão digno, um ser humano exemplar.

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Pais, mães e responsáveis, se vocês não se veem como os primeiros e principais educadores de seus filhos, não imputem à escola ou aos professores a responsabilidade total pelo tipo de pessoa que eles irão se tornar. Você, que se omitiu desta ocupação, é o principal responsável pelas consequências dela.

Sociedade, não finja que é apenas o governo que tem uma conduta a ser reparada para com os professores: nós também temos a nossa enquanto grupo, coletividade. Para mim, não há o que comemorar neste dia; antes há que se lamentar por todo o descaso e desatenção que esta classe sofre. Aos hipócritas um pedido: parem de vestir suas máscaras de agradecimento e reconhecimento só porque hoje é 15 de outubro; em lugar de ofender com sua hipocrisia, tire as vestes da sua arrogância e insensatez, examine sua consciência, reconheça seus atos errôneos e depois mude de comportamento; só então diga a todo e qualquer professor: Parabéns pelo seu dia. Muito obrigado.

Núrya Ramos

 

*Nota: este artigo não possui fontes bibliográficas de embasamento, possui apenas a melhor fonte de aprendizado de que já dispus: a vivência.

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outubro 14

Sobre Deus

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Há milênios Deus é figura presente na história da humanidade. Várias definições acerca daquele que, segundo algumas crenças é onipotente, onipresente e onisciente, já foram construídas. A ideia de Deus permeia a história humana há milênios; culturas politeístas e monoteístas construíram ao longo do tempo imagens e conceitos de quem ou o que é Deus. Para alguns povos, um Ser supremo, um Pai benevolente; para outros, O Grande Arquiteto; para outros, ainda, uma força que está presente em todo o Universo. Cada povo possui uma visão particular sobre Deus, construída de acordo com o seu contexto histórico e nível de conhecimento.

A seguir, trazemos definições de crianças de 09 (nove) religiões diferentes sobre Deus; não só conceitos aparecem aqui de forma extremamente simplificada e inocente, como também a maneira como essas crianças encaram Aquele a quem parece ser tão difícil explicar ou definir:

“Não tem um Deus físico. Deus é tudo e tudo é Deus. Ele é feito de luz. O arco-íris, no budismo, representa uma pessoa com coração iluminado” (Ariom Scheffler, 11, budista).

“Oxum é a santa que me protege. Ela tá no mato, para curtir a vida. Uma professora uma vez contou que um lobo ia na porta da criança que não é batizada [como cristã]. Fiquei com medo, chorando” (Manuella Araújo da Costa, 10, candomblé).

“Para nós não tem inferno, só céu. Assim: vamos fingir que você está no teatro. Se foi uma muito boa pessoa, ficaria na frente, mais perto de Deus. Se foi uma ruim pessoa, ficaria lá atrás” (Luke Saul Jospa, 9, judaísmo).

“Sonhei que Jah estava no deserto e fazia todas as pessoas ficarem felizes. Ele é o meu coração e fica batendo em todos os momentos. Peço a Jah que o mundo fique bem limpinho” (Núbia Selassie Cestari Granello, 6, rastafári).

“Deus é tudo para mim. Peço para Ele deixar chover, mas algumas vezes não penso na água. Penso em jogar Nintendo DS” (Mohamed Hussein Abid Ali, 8, muçulmano).

“Deus nos ama e nos ilumina. Ele me ajuda quando alguém briga comigo. Teve uma confusão na escola, e a professora disse que eu participei, mas só estava lá comendo meu lanche” (Pietra Hanna Castanho, 10, evangélica).

“Desenhei o mestre Gabriel, o nosso guia. É muito legal beber [ayahuasca]. Tem gente que vomita, mas eu não sinto medo, sinto amor. E vontade de rir muito! Já vi árvores falando comigo” (Darah Cally Patrício, 8, União do Vegetal (dissidência do Santo Daime)).

“No antigo tempo, não cortavam cabelo, então Deus tem o cabelo longo. Hoje Ele tá no meio do coração de todo mundo. Eu rezo para Ele deixar a gente ficar com o recreio um pouquinho maior” (Beatriz Dias Samuel, 8, católica).

“Deus criou a borboleta. Ela é bonita e feliz. Começa como se fosse um bicho horroroso, gosmento, e vira uma borboleta linda. É como o espírito que reencarna: você vai crescendo e evoluindo” (Clara Veiga Carvalho, 10, espírita).

Núrya Ramos

Fonte: http://www.mensagemespirita.com.br/mensagem-em-video/665/criancas-de-9-religioes-diferentes-desenham-seu-jeito-de-encarar-deus?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+MensagemEsprita+%28Mensagem+Esp%C3%ADrita%29

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agosto 15

Bernardo Guimarães – o precursor do surrealismo brasileiro

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Bernardo Joaquim da Silva Guimarães – nacionalmente conhecido como Bernardo Guimarães – nasceu em 15 de agosto de 1825, em Ouro Preto (Minas Gerais). Filho de pai também poeta, formou-se na Faculdade de Direito de São Paulo (1851), cidade onde tornou-se amigo dos poetas Álvares de Azevedo (1831-1852) e Aureliano Lessa (1828-1861); os três, juntamente com outros estudantes, fundaram a Sociedade Epicureia – sociedade estudantil fundada em 1845 inspirada em Lord Byron.

Em 1852 tornou-se juiz municipal e de órfãos de Catalão (Goiás) – cargo que exerceu até 1854, sendo reassumido em 1861. Em 1866 é nomeado professor de retórica e poética do Liceu Mineiro de sua cidade natal. Em 1867 casa-se com Teresa Maria Gomes de Lima Guimarães, com quem teve oito filhos. Em 1873 passou a lecionar latim e francês em Queluz (Minas Gerais). Recebeu homenagem do Imperador Dom Pedro II no ano de 1881. Em 10 de março de 1884, Bernardo Guimarães veio a falecer.

O romancista e poeta é considerado o precursor do surrealismo no Brasil. Dentre suas obras, destaca-se A Escrava Isaura – romance publicado pela primeira vez em 1875 e adaptado à televisão em 1976. Escreveu também Cantos da Solidão (1852), O Garimpeiro (1872) e Poesias Diversas (1865). É patrono da cadeira de número 15 da Academia Mineira de Letras e da cadeira de número 5 da Academia Brasileira de Letras – esta última já tendo sido ocupada por Osvaldo Cruz e Rachel de Queiroz.

Núrya Ramos

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bernardo_Guimar%C3%A3es

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_Epicureia

Google Imagens

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março 23

Francisco: o Papa pop

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Seu nome de batismo é Jorge Mario Bergoglio, no entanto é mundialmente conhecido como Papa Francisco – o atual chefe de Estado do Vaticano, líder da ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana) e sucessor de Bento XVI. Nascido em Buenos Aires, Argentina, em 1936, é o primeiro sumo pontífice não europeu e jesuíta em mais de 1.200 anos na história do Catolicismo. Eleito Papa em 13 de março de 2013, Francisco vem surpreendendo muita gente com declarações e posicionamentos modernos e um tanto quanto liberais; muito diferentes do que estamos acostumados a ouvir da boca daquele que representa o poder máximo do império católico.

Sem papas na língua, a cada declaração polêmica o bispo de Roma deixa muita gente boquiaberta. Em carta escrita ao cardeal Mario Aurelio Poli – arcebispo de Buenos Aires – em março de 2014, pelo centenário da Faculdade de Teologia, Francisco pediu que os teólogos formados pela instituição sejam capazes de construir em torno de si a humanidade, de transmitir a divina verdade cristã em uma dimensão verdadeiramente humana, e não um intelectual sem talento, um moralista sem bondade ou um burocrata do sagrado”. E completou: “Os bons teólogos, como os bons pastores, cheiram o povo e a rua” (Terra). Ao que parece, Francisco não aprova a elite intelectualizada que sofre de complexo de superioridade.

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Em 8 de março de 2014 o Papa saiu em defesa das mulheres: “Um mundo no qual as mulheres são marginalizadas é um mundo estéril” (Terra). Em janeiro deste ano numa visita às Filipinas reforçou o apoio declarando: “As mulheres têm muito a nos dizer na sociedade atual. Às vezes, nós, os homens, somos muito ‘machistas'” (Terra). Já no que diz respeito à procriação, Sua Santidade parece ser muito consciente dos riscos que uma superpopulação pode acarretar. “Alguns pensam, desculpem se uso a palavra, que para ser bons católicos temos que ser como coelhos, mas não” (Terra). Esta declaração causou grande furor entre os católicos no mundo inteiro, haja vista que muitos segmentos levam muito a sério a famosa passagem “crescei e multiplicai-vos”. Segundo Francisco é necessário haver ‘paternidade responsável’ – fato que inclui o tão falado planejamento familiar.

Em decorrência do atentado terrorista à redação do Charlie Hebdo e que acabou com vítimas fatais e alguns feridos, o Papa se mostrou contra o uso da fé como justificativa para atos violentos; no entanto, também não apoiou o desrespeito às religiões promovido pelo jornal satírico. Sobre isto ele declarou exemplificando: “Se meu amigo Dr. Gasparri xinga a minha mãe, ele pode esperar um soco. É normal. Não se pode provocar” (Terra). Um papa respondendo a uma ofensa com um soco; muito contrário ao ensinamento do Cristo sobre dar a outra face. Pelo visto em Francisco há muito mais sangue correndo nas veias do que se supunha.

Sobre os menos favorecidos, declarou dentro da Basílica de São Pedro que “é preciso servir aos frágeis e não se servir dos frágeis” (Terra). E completou: “Quando uma sociedade ignora os pobres, persegue-os e os criminaliza, lhes obriga a se unir à máfia. Essa sociedade se empobrece até a miséria” (Terra). A Basílica – centro do poder católico – é uma representação suntuosa das riquezas acumuladas pela ICAR ao longo dos séculos; falar de pobreza num lugar coberto de luxo é no mínimo desafiador e ao mesmo tempo contraditório. Num mundo onde pessoas se sacrificam para pagar dízimos e são vítimas de verdadeiras lavagens cerebrais por representantes de várias religiões, Francisco diz claramente que se deve servir aos pobres e não deles usurpar. Seria tão bom se Valdemiro Santiago & CIA compreendessem isto.

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Ser o líder da Igreja Católica não deve de fato ser um fardo leve, haja vista todo o contexto a que isso se implica. No entanto, Francisco fez questão de demonstrar em março de 2014 que não há heroísmo algum em ser Papa. “Retratar o papa como uma espécie de super-homem, uma espécie de astro, parece ofensivo para mim. O papa é um homem que ri, chora, dorme tranquilamente e tem amigos como todo mundo, uma pessoa normal” (Terra), disse ele que não parece enxergar grandeza ou um status superior neste fato.

Em outubro do mesmo ano o Papa defendeu as Teorias do Big Bang e da Evolução afirmando que ambas são reais e criticou os que acreditam que Deus teria “agido como um mago” (Jornal Opção) durante a criação. E deixou um recado aos cientistas: “Ao cientista, sobretudo ao cientista cristão, corresponde a atitude de interrogar-se sobre o futuro da humanidade e da Terra; de construir um mundo humano para todas as pessoas e não para um grupo ou uma classe de privilegiados”, declarou o pontífice (Jornal Opção). Ainda em 2014, fez declarações sobre as denúncias de pedofilia cometidas por padres. O bispo de Roma diz que se sente responsável pelo mal que estes padres causaram e pediu perdão pelos danos causados às crianças abusadas.

O Papa também já saiu em defesa dos gays quando disse que: “não devem ser discriminados e devem ser integrados na sociedade”. “Se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la?”, questionou (Jornal Opção). Em 2013, Bergoglio já havia feito declarações sobre os homossexuais, divorciados e mulheres que fizeram aborto. Em entrevista ao padre Antonio Spadaro, Francisco disse: “Essa Igreja com a qual devemos conviver é a casa de todos e não a pequena capela que pode conter somente um grupinho de pessoas selecionadas. Não podemos reduzir o seio da Igreja universal ao ninho protetor da nossa mediocridade” (Estadão). Há dois dias atrás, o Papa pediu para almoçar com presos gays, transexuais e portadores de HIV; o encontro reservado apenas a 10 presidiários ocorrerá no próximo sábado (21) em Nápoles, Itália.

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Essas e muitas outras declarações de Francisco já foram alvo de críticas ferrenhas dos mais conservadores, mas também vistas com bons olhos pelos que acreditam que a era em que vivemos pede pensamentos mais livres e abertos; que o questionamento e a mudança de posicionamento não são fraquezas e sim apenas o exercício de algo que o próprio Jesus de Nazaré pregou: o livre arbítrio. Reformista, moderno, liberal, Francisco destoa das imagens de seus antecessores. Não muito longe ele encontra-se da docilidade emanada por João Paulo II (1920-2005); mas parece relativamente distante da austeridade e conservadorismo de Bento XVI.

É sem dúvida que se pode dizer que Francisco caiu nas graças do povo em todo o mundo; católicos ou não, muitos se identificam com sua postura e posicionamentos. O atual Papa, tão popular, se veste sem muitos luxos, é discreto, bem humorado, questionador e um reformista nato. No entanto para aqueles que consideram seu papado um marco na ICAR quanto a avanços e quebra de certos dogmas, há uma notícia um tanto quanto desoladora. O Pontífice declarou que tem a sensação que será Papa por pouco tempo; vindo a ter um pontificado breve, “de quatro ou cinco anos” (G1).

Breve ou não a popularidade de Francisco já está espalhada e suas atitudes muitas vezes lembram as do próprio Cristo que não julgava ou repelia quem quer que fosse; ensinamentos que a Igreja fundada em cima de Sua imagem e Sua mensagem parece tão propositalmente ter esquecido.

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,papa-abre-igreja-aos-gays-aos-divorciados-e-as-mulheres-que-abortam,1076594

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/03/papa-francisco-diz-que-nao-ficara-muito-tempo-na-igreja-catolica.html

http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/sem-papas-na-lingua-relembre-frases-polemicas-do-papa-pop,882c38262173b410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Francisco

http://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/papa-francisco-diz-que-teorias-da-evolucao-e-big-bang-nao-contrariam-o-cristianismo-19236/

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janeiro 22

Eu não sou Charlie!

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Não. Você não está lendo errado. E não. Eu não sou fria, insensível ou calculista. Este artigo é fruto de minha opinião pessoal que gostaria de compartilhar com vocês, meus amigos. A expressão ‘Je suis Charlie’ (‘Eu sou Charlie’ em português) atualmente é a mais famosa na Europa e no restante do planeta. Se você viu qualquer veículo midiático nos últimos dias certamente deve saber do atentado ao jornal francês Charlie Hebdo no dia 07 de janeiro. Atiradores adentraram o escritório do jornal portando rifles Kalashnikov (G1) e abriram fogo contra os presentes. O atentado resultou na morte de 12 pessoas, entre elas Stéphane Charbonnier (editor e cartunista), Georges Wolinski, Jean Cabu e Bernard Verlhac (cartunistas).

Após o atentado milhares de pessoas saíram às ruas da França consternadas com o terror que assolou a capital; não só franceses, mas em todo mundo se viu expressões de solidariedade às vítimas do Charlie Hebdo, às famílias, ao povo francês e em favor da liberdade de expressão. Segundo o site UOL, os assassinos queriam se vingar dos autores das charges “que faziam piada com o profeta Maomé” tido como mensageiro de Deus e figura sagrada para o Islamismo, “religião popular principalmente nos países árabes e em outras partes da Ásia e da África”. Segundo o jornalista Louis Imbert, em artigo publicado no Le Monde, o Alcorão não proíbe a representação do Profeta (G1); no entanto, para os seguidores do Islã, isto não corresponde à verdade.

Charge do Charlie Hebdo usando a imagem do Profeta Maomé
Charge do Charlie Hebdo usando a imagem do Profeta Maomé

O fato é que as sátiras envolvendo a imagem de Maomé são vistas como ofensivas pelo povo muçulmano. Porém, a liberdade de expressão tem sido usada como principal argumento em defesa das pessoas mortas no ataque, em especial dos cartunistas. Não estou com isso querendo dizer que o atentado foi justo e que se pode matar a qualquer momento em nome de Deus ou de quem quer que seja. O próprio Papa Francisco concedeu uma declaração recentemente à imprensa em que condena o ataque, mas também não parece aprovar as atitudes do jornal, que desde 2006 publica charges usando a imagem do Profeta símbolo do Islamismo.

Creio que a liberdade de expressão que todos temos tão incansavelmente lutado para alcançar em todos os cantos da Terra, não é sinônimo de desrespeito à cultura e/ou crença alheias. Ter a liberdade de dizer o que se pensa, não nos confere o direito de ultrajar o outro com insultos, ou de atentar contra símbolos e figuras sagrados. Se a liberdade de expressão é um direito, a liberdade religiosa também o é. É lamentável que haja pessoas que creiam que matar em nome de uma entidade divina é correto e justo; mas também é lamentável que haja pessoas com intelecto e instrução mais elevados que creiam estar no direito de escarnecer de uma cultura ou crença da qual não fazem parte. Respeito é algo indispensável para a vida em sociedade; especialmente quando se almeja uma vida de paz.

Capa do Charlie Hebdo
Charge do Charlie Hebdo

Tenho visto milhares e milhares de pessoas nas redes sociais repetindo como ‘papagaios’ a expressão ‘Eu sou Charlie’ quando na verdade nem procuraram entender a real dimensão do problema. As “brincadeiras” que para os cartunistas eram apenas sátiras inocentes, para os islamistas eram grandes ofensas ao Profeta e a Allah (Deus). Infelizmente o mau uso desta liberdade custou 12 vidas.

Creio que as charges não justificam o atentado, porém creio também que não há o que justifique tamanho desrespeito. Tão preciosa quanto a vida humana é a fé para algumas comunidades. As charges não apresentam apenas Maomé, mas também outras figuras consideradas sagradas, como na imagem abaixo onde se vê a Santíssima Trindade do Cristianismo (o Pai, o Filho e o Espírito Santo) numa ménage à trois (sexo a três). Obviamente para qualquer cristão determinada imagem é no mínimo chocante e desrespeitosa.

Charge do Charlie Hebdo
Charge do Charlie Hebdo

Enfim, não estou aqui dando graças a Deus pelo atentado e a morte de pessoas inocentes; no entanto também não acho engraçado o desrespeito à crença das outras pessoas. Penso que o primeiro passo para se obter respeito é oferta-lo. Vivemos em um mundo onde a diversidade religiosa é muito grande e as figuras sagradas são muitas: Cristo para os cristãos, Maomé para os islamistas, Buda para os budistas, Hórus para os egípcios, Shiva para os hinduístas, e etc.

Liberdade de expressão é tão importante quanto o respeito ao culto religioso.

Por tudo isso, que me desculpem os demais, mas ‘Je ne suis pas Charlie’!

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2015/01/1576091-entenda-o-que-aconteceu-no-ataque-ao-jornal-charlie-hebdo-em-paris.shtml

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/01/tiroteio-deixa-vitimas-em-paris.html

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/01/em-que-condicoes-o-isla-autoriza-representacao-do-profeta.html

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novembro 7

Suicídio assistido de norte-americana reacende polêmica sobre direito de morrer

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Há algumas semanas a jovem Brittany Maynard, 29 anos, tornou-se mundialmente famosa devido a um assunto polêmico e ainda um tabu para a sociedade em geral: o suicídio assistido. Brittany, uma norte-americana, anunciou ao mundo inteiro através de um vídeo publicado na internet que em breve daria fim à própria vida. Diagnosticada com um tumor cerebral maligno (gioblastoma) e extremamente agressivo, Maynard foi informada pelos médicos, em abril deste ano, que teria apenas seis meses de vida pela frente, e que sua morte seria demasiadamente dolorosa.

Brittany recebeu tratamento durante meses desde que foi diagnosticada com câncer após sofrer durante muito tempo com fortes dores de cabeça. Conforme previsão dos médicos, o avanço do tumor poderia causar a ela dores terríveis, e seu organismo viria a desenvolver resistência à morfina (medicamento utilizado no alívio das dores de pacientes em estado terminal), bem como apresentaria perda das capacidades verbais, cognitivas e motoras. Com base neste diagnóstico e sem esperanças de cura ou prolongamento de sua expectativa de vida, a jovem optou de maneira consciente pelo próprio suicídio.

A fim de conseguir permissão judicial para morrer, Maynard e seu marido precisaram mudar da Califórnia para o Oregon (um dos estados norte-americanos, que juntamente com Washington, Montana, Vermont e Novo México, permitem o suicídio com a assistência de médicos). Após provar à justiça sua enfermidade e que possuía menos de seis meses de vida, Brittany finalmente conseguiu permissão para morrer, recebendo posteriormente um coquetel letal de drogas prescritas pelos médicos para por fim à sua vida.

Brittany Maynard
Brittany Maynard

A decisão da jovem tornou-se alvo de polêmica e críticas em todo mundo, especialmente por parte da Igreja Católica, que condenou a escolha de Brittany através de um comunicado emitido pelo bispo dirigente da Academia Pontifícia para a Vida, Ignacio Carrasco de Paula. O bispo declarou que a Igreja não condena a norte-americana e sim o ato de suicídio escolhido por ela para encerrar sua dor e sofrimento, bem como o de sua família.

“Esta mulher fez isto pensando que poderia morrer com dignidade, mas é aí que reside o erro: cometer suicídio não é uma coisa boaé uma coisa perversa, porque é dizer não tanto à própria vida quanto a tudo o que significa respeito pela nossa missão neste mundo e por aqueles que nos são próximos”, sublinhou Carrasco de Paula, em declarações à agência de notícias italiana, ANSA (DN Globo).

Maynard também foi criticada por colaborar com a arrecadação de “fundos através da Compassion & Choices para defender o suicídio assistido como uma opção para pacientes terminais como ela, um ato que difere das opções mais discretas que muitos outros em sua posição escolhem” (G1). Diferente dela, muitos pacientes cometem suicídio de outras maneiras ao receberem o diagnóstico de doenças dessa natureza.

O físico e cosmólogo britânico Stephen Hawking é um dos defensores do suicídio assistido. Diagnosticado aos 21 anos de idade com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), o cientista hoje com 71 anos, é mundialmente conhecido por seus trabalhos sobre buracos negros. Hawking declarou apoio ao direito de suicídio desde que a pessoa envolvida faça esta escolha de maneira consciente e sem qualquer tipo de pressionamento para tal decisão. Em entrevista à BBC, Stephen declarou: “Eu acho que aqueles que têm uma doença terminal e estão sob grande dor devem ter o direito de escolher terminar com sua vida, e aqueles que os ajudarem devem estar livres de acusação”.

Stephen Hawking
Stephen Hawking

Na Inglaterra este ato é considerado crime; seus opositores defendem que flexibilizar a lei pode pôr as pessoas vulneráveis em risco. “Segundo registros, 1.173 pessoas já se valeram do Death with Dignity Act (Ato pela Morte com Dignidade) para solicitar receitas de drogas letais no Estado do Oregon. Deste total, 752 pacientes usaram medicamentos para morrer” (G1). Criticada por uns, elogiada e encorajada por outros, Brittany tornou-se o rosto dos pacientes em estado terminal e que anseiam por uma morte digna, aliviando e abreviando seu sofrimento, bem como de seus familiares e amigos.

De acordo com a antropóloga Débora Diniz, “professora da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, desde o início, a postura de Brittany contou pontos a favor daqueles que defendem o direito ao suicídio assistido. ‘Foi um caso bastante sensível e delicado, mas importante para o debate. Os oponentes do suicídio assistido alegam que as pessoas tomam essa decisão em um ato intempestivo. Brittany transformou isso num processo feliz’” (UAI).

Segundo a pesquisadora, no Brasil as discussões legais sobre o suicídio assistido são quase nulas, assim como no que se refere à eutanásia. A falta de leis e de um debate qualificado sobre o tema resulta em casos dramáticos, como situações em que pacientes levados pelo desespero acabam se submetendo a envenenamentos ou outras formas de por fim à própria vida.  Para muitos o assunto transcende o campo científico e legislativo e adentra a esfera espiritual; no entanto, é fato que há a necessidade de discussão sobre o tema, posto que não se trata apenas de um posicionamento coletivo, mas dos direitos individuais garantidos aos cidadãos pela Constituição.

Brittany Maynard morreu em 1º de novembro deste ano (data previamente escolhida por ela) em sua casa, em Portland, ao lado do marido, da mãe e de um médico amigo da família. Em suas últimas palavras dirigidas ao público, Brittany escreveu: “O mundo é um lugar bonito, viajar foi meu melhor professor, meus amigos próximos e meus pais são os que mais se doaram para mim. Tenho, inclusive, um círculo de apoio ao redor da minha cama enquanto escrevo… Adeus, mundo. Espalhem boa energia. Vale a pena!”.

Núrya Ramos

Fontes:

Californiana com câncer muda para Oregon para realizar suicídio assistido. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/10/californiana-com-cancer-muda-para-oregon-para-realizar-suicidio-assistido.html.

Decisão de Brittany Maynard dá nova voz ao suicídio assistido; falta debate sobre o tema no Brasil. Disponível em: http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2014/11/04/noticia_saudeplena,151111/decisao-de-brittany-maynard-da-nova-voz-ao-suicidio-assistido-falta-d.shtml.

Físico Stephen Hawking defende direito ao suicídio assistido. Disponível em: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/09/fisico-stephen-hawking-defende-direito-ao-suicidio-assistido.html.

Jovem com câncer terminal decide morrer em 1º de novembro. Disponível em: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/10/jovem-com-cancer-terminal-decide-morrer-em-1-de-novembro.html.

Suicídio assistido de Brittany Maynard é “perverso”. Disponível em: http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4219440.

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outubro 10

Nordeste no alvo: o levante dos ignorantes travestidos de intelectuais

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Bastou que as eleições de 2014 fossem levadas ao segundo turno para a disputa pela presidência entre a candidata da situação Dilma Rousseff e o candidato da oposição Aécio Neves, para que houvesse um verdadeiro levante de manifestações preconceituosas contra os nordestinos (a maioria delas usando os benefícios sociais existentes como justificativa para a escolha de determinadas classes). Escancaradas nas redes sociais sem o menor pudor ou receio de punição, as manifestações são o que de mais baixo e vulgar existe: palavrões, xingamentos, ódio, repúdio e etc.

Não é de hoje que o povo nordestino sofre ataques gratuitos de preconceito, porém com o avanço da tecnologia e a liberdade de expressão trazida pela internet essa onda de ataques se disseminou de maneira brutal e a cada dia mais ofensiva. Recentemente a cearense Melissa Gurgel foi eleita Miss Brasil 2014; desde que recebeu a faixa e é considerada a mulher mais bonita do país, a moça vem sendo alvo de expressões preconceituosas por ser nordestina e seu sotaque foi chamado de ‘sofrível’ nas redes sociais.

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Em 2013 a estudante de Direito Mayara Petruso foi condenada pela Justiça Federal de São Paulo pelo crime de discriminação; a universitária fez comentários preconceituosos contra nordestinos em sua página no Twitter logo após a vitória de Dilma Rousseff no segundo turno das eleições de 2010. Mayara escreveu: “Nordestino (sic) não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”. A estudante recebeu punição de 1 ano, 5 meses e 15 dias de prisão, mas a pena foi convertida em prestação de serviço comunitário e pagamento de multa.

É interessante notar que após serem identificados e começarem a ser punidos todos os preconceituosos retrucam com as seguintes declarações: “Não sou preconceituoso(a)”, “Longe de mim ter preconceito”, “Fui levado(a) pelo momento”. Foi o que disseram Mayara Petruso e Patrícia Moreira – torcedora do Grêmio que durante um jogo pela Copa do Brasil deste ano chamou o goleiro do Santos, Aranha, de macaco.

Usuários preconceituosos tem aproveitado o espaço web para atirar sua ignorância e estupidez não só contra o povo nordestino, mas também contra homossexuais, negros, índios, e todas as outras minorias. No entanto, no caso em questão, defensores de outros candidatos (em especial de Aécio Neves) tem culpado o Nordeste pela escolha de governantes do PT e a permanência destes na Presidência da República.

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Então surge a pergunta que não quer calar: de onde surge tamanho ódio gratuito? Os preconceituosos se referem ao povo nordestino como ignorantes, estúpidos, ‘mortos de fome’; porém se esquecem que muitos nordestinos ajudaram a erguer grandes cidades como São Paulo e Brasília; e que grandes nomes do cenário cultural brasileiro compõem-se de nordestinos, como: Jorge Amado, Ariano SuassunaRachel de Queiroz, Graciliano Ramos, Gonçalves Dias, Chico AnysioRenato Aragão, Marco Nanini, José Wilker, Vagner Moura, Herbert Vianna, Guel Arraes, Luiz Gonzaga, Caetano Veloso, Raul Seixas, Djavan e tantos outros.

O Nordeste do Brasil está entre os destinos turísticos mais procurados por brasileiros e estrangeiros, não só pelas belezas naturais (praias, cachoeiras,  chapadas e falésias) como pela riqueza histórica (casarões tombados, sítios arqueológicos, ruínas da era colonial), cultura popular (músicas, danças, literatura de cordel), gastronomia e festejos regionais, artesanato e etc. A riqueza nordestina é imensurável e incontestável.

Cada estado deste país, cada região, cada povo, tem seu valor, sua cultura, seu sotaque, suas peculiaridades que o tornam único dentre todos os outros povos do planeta. Vale lembrar que os preconceituosos de plantão parecem amargar um ódio irracional contra o povo nordestino, algo que tem soado um tanto quanto destoante no discurso hipócrita e maldoso metido a intelectual que vem sendo proferido, posto que não existem argumentos racionais (já que não pode mesmo haver racionalidade no preconceito).

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É importante que se entenda que se há algum erro na escolha do governante desta nação, este erro não é culpa de um único estado, de uma única região ou de um único povo, e deve ser assumido por todos. Não foi só o Nordeste que foi às urnas no último dia 05; não é só no Nordeste que a então presidente Dilma Rousseff tem eleitores. Vejamos os números de estados que não pertencem à região em questão:

  • Minas Gerais: Dilma Rousseff (43%); Aécio Neves (39%).
  • Rio Grande do Sul: Dilma Rousseff (43%); Aécio Neves (41%).
  • Rio de Janeiro: Dilma Rousseff (35%); Aécio Neves (26%).
  • Amazonas: Dilma Rousseff (53%); Aécio Neves (19%).
  • Pará: Dilma Rousseff (52%); Aécio Neves (27%).
  • Amapá: Dilma Rousseff (50%); Aécio Neves (20%).
  • Tocantins: Dilma Rousseff (50%); Aécio Neves (27%).

Qualquer que seja o candidato ou partido pelo qual se tenha preferência que esta defesa seja feita de maneira justa com argumentos lógicos, racionais e decentes, e não com ataques imbecis contra um povo ou minoria. A democracia existe para que as opiniões possam ser expressas e respeitadas, desde que essas mesmas opiniões também contenham respeito em si. Será impossível chegar a um consenso enquanto houver atitudes como estas que apenas empobrecem o debate e o levam à baixeza moral e o ridicularizam. Se tais pessoas não tem argumentos dignos para discutir e defender suas opiniões que ao menos se calem e não cometam a mediocridade de achincalhar moralmente os que tem uma opinião contrária.

Preconceito é uma das formas mais estúpidas e imbecis de demonstrar sua própria pobreza intelectual e mental. O preconceituoso, quando manifesta suas atitudes, apenas faz saber a todos o quanto é mesquinho, ridículo e ignorante quanto a certos assuntos, e que não dispõe de um raciocínio decente para entrar em um debate limpo; pelo contrário, quando se vê desafiado ou em iminente derrota, destila toda sua mediocridade; e rebate com a única maneira que conhece de se sobressair: ofender moralmente o outro para se mostrar superior.

Este artigo é minha manifestação enquanto cidadã deste país e especialmente é minha expressão como mulher, descendente de índios e negros, e neste momento acima de tudo como nordestina; nascida nesta região linda, de belezas incontáveis, e de gente batalhadora. Meu Nordeste querido: minha região, meu orgulho.

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/justica-condena-estudante-mayara-petruso-por-preconceito-contra-nordestinos/

http://www.ebc.com.br/noticias/eleicoes-2014/2014/10/saiba-como-os-brasileiros-votaram-para-presidente-da-republica

 

Post relacionado:

Uma “banana” para o preconceito. Disponível em: http://oraculo-decassandra.rhcloud.com/2014/04/28/uma-banana-para-o-preconceito/

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