outubro 27

Sylvia Plath – entre confissões e poesia

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Há exatos 84 anos, em 27 de outubro de 1932, nascia Sylvia Plath – poetisa, romancista e contista norte-americana. Filha de Aurelia Schober Plath e Otto Emile Plath, Sylvia publicou seu primeiro poema aos oito anos de idade na sessão infantil de Boston Herald, quando morava com os pais em Winthrop, Massachusetts (EUA) (Wikipedia¹).

Neste mesmo ano, seu pai morre devido à complicações após a amputação de uma das pernas em decorrência de diabetes. Otto Plath é figura central de um dos poemas mais famosos da filha intitulado Daddy (Papai); por essa razão seu túmulo atrai leitores e fãs de Sylvia ao cemitério de Winthrop, onde encontra-se enterrado. Dois anos depois a família muda-se para Wellesley, cidade localizada no mesmo Estado (Wikipedia¹).

Sylvia Plath
Sylvia Plath

Tempos depois, após seu terceiro ano na faculdade, Sylvia é convidada a trabalhar como editora na revista Mademoiselle – fato que a fez morar por um mês em Nova York. A experiência que não foi bem sucedida provocou na poetisa diferentes visões sobre si mesma e sobre a vida; acontecimentos desta época a inspiraram a escrever seu único romance – o semi-autobiográfico A Redoma de Vidro (The Bell Jar), publicado sob o pseudônimo Victoria Lucas, cujo enredo narra a história de luta da escritora contra a depressão (Wikipedia¹).

Dois anos antes, quando ainda caloura em Smith College – “faculdade privada de artes liberais para mulheres” (Wikipedia²) – Sylvia tentou o suicídio pela primeira vez ao tomar uma overdose de narcóticos. Detalhes sobre estas e outras tentativas de tirar a própria vida estão presentes em A Redoma de Vidro, em forma de crônica. Este episódio rendeu a escritora uma internação em instituição psiquiátrica, onde foi submetida a terapia de eletrochoques. A recuperação foi satisfatória e Sylvia forma-se com louvor em 1955, em Smith College (Wikipedia¹).

Por ter sido uma aluna brilhante, Sylvia obteve uma bolsa integral para estudar na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, onde continuou a escrever suas poesias e publicá-las no jornal Varsity. Em fevereiro do mesmo ano conhece o jovem poeta britânico Ted Hughes (17 de agosto de 1930 – 28 de outubro de 1998) durante a festa de lançamento da St. Botolph’s Review, em Cambridge. Plath, que já mantinha admiração pelo trabalho literário de Ted – composto de poesia e livros infantis – apaixonou-se por ele, e em 16 de junho de 1955 os dois contraíram matrimônio (Wikipedia¹).

De julho de 1957 a outubro de 1959 o casal viveu e trabalhou nos Estados Unidos, mas após a descoberta da gravidez de Sylvia mudaram-se para a Inglaterra, fixando residência na pequena North Tawton. Nesta mesma época é publicada a primeira coletânea de Sylvia intitulada The Colossus. Em fevereiro de 1961, após sofrer um aborto o casamento de Plath e Hughes começa a enfrentar obstáculos especialmente pela relação extraconjugal do poeta com Assia Wevill. No final de 1962 o casal se separa e Sylvia retorna com os filhos Frieda e Nicholas – de três e um ano de idade – para Londres, passando a viver num apartamento alugado na rua Fitzroy, nº 23 (Wikipedia¹).

Sylvia Plath e Ted Hughes
Sylvia Plath e Ted Hughes

Na manhã de 11 de fevereiro de 1963 Sylvia entrou no quarto dos filhos, abriu as janelas, deixou leite e pão perto de suas camas, vedou a porta do quarto com toalhas molhadas e roupas e em seguida tomou uma grande quantidade de narcóticos, deitou a cabeça sobre uma toalha no interior do forno com o gás ligado e morreu logo depois. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte pela enfermeira que ela mesma havia contratado – Myra Norris (Wikipedia¹). Sylvia Plath havia cometido suicídio aos 30 anos de idade.

Lápide de Sylvia Plath
Lápide de Sylvia Plath

Parte dos diários que ela havia escrito desde os 11 anos de idade até o dia de seu suicídio foram publicados pela primeira vez em 1980. Em 1982, Smith College – a faculdade onde Plath se formou – recuperou os diários que faltavam, mas Ted Hughes conseguiu mantê-los em segredo, liberando-os para seus filhos apenas pouco antes de sua morte em 1998. Em 2000 os diários foram publicados pela Anchor Books. Infelizmente, a última parte dos diários – que continha os últimos meses de vida da escritora – foram destruídos por seu ex-marido, o que provocou muita crítica, mas ao que ele se defendeu alegando ter agido em proteção aos filhos (Wikipedia¹).

No entanto, a proteção que Ted tanto alegou parece não ter surtido muito efeito. Assim como a mãe, Nicholas Hughes cometeu suicídio em 16 de março de 2009, aos 47 anos de idade. Ele sofria de depressão e enforcou-se em casa. Nicholas era biólogo marinho e professor universitário em Fairbanks – Alasca; não era casado e não tinha filhos (Wikipedia³).

Sylvia Plath é creditada por dar continuidade ao gênero conhecido como poesia confessional, que se desenvolveu nos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960 onde a ênfase da poesia está em expressar a intimidade da vida pessoal do poeta, expondo temas como doença, sexualidade e depressão (Wikipedia³*). A poesia confessional tem como precursores Robert Lowell e W. D. Snodgrass.

As obras de Plath incluem ainda: “Ariel (1965), poemas; Crossing the water (1971), coletânea de poemas; Johnny Pannic and the Bible of Dreams (1977), livro de contos e prosa; e The Collected Poems (1981), poemas inéditos” (Wikipedia¹) – obra vencedora do Prêmio Pulitzer de Poesia, em 1982.

Em 2001, o psicólogo James C. Kaufman cunhou o termo efeito Sylvia Plath “para se referir ao fenômeno de que escritores criativos são mais suscetíveis a doença mental” (Wikipedia³**). Segundo Kaufman mulheres poetisas tendem a sofrer algum tipo de patologia mental mais do que qualquer outra classe de escritores. O estudo tem sido bastante discutido e encontra consistência com outras pesquisas da área.

Sylvia Plath na década de 50
Sylvia Plath na década de 50

Em Ísis americana: a vida e a arte de Sylvia Plath, publicado em janeiro de 2015, o autor Carl Rollyson expõe a face megalomaníaca e obcecada da escritora; para ele Plath pode ser comparada à deusa egípcia, pois sua vida foi vivida como a de um mito, ao mesmo tempo em que tentava manter seu papel de mãe e de esposa em harmonia com sua luz própria de artista (O Globo).

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

¹https://pt.wikipedia.org/wiki/Sylvia_Plath

²https://pt.wikipedia.org/wiki/Smith_College

³https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicholas_Hughes

³*https://pt.wikipedia.org/wiki/Poesia_confessional

³**https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Sylvia_Plath

http://oglobo.globo.com/cultura/livros/nova-biografia-de-sylvia-plath-mostra-faceta-megalomaniaca-obcecada-da-autora-15559789

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setembro 12

Ada Lovelace – a pioneira da programação

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Em homenagem ao Dia do Programador, celebrado neste ano no dia 12 de setembro por tratar-se de um ano bissexto – nos anos não bissextos comemora-se no dia 13 de setembro – vamos falar hoje da primeira programadora da história: Ada Lovelace.

Augusta Ada Byron nasceu em 10 de dezembro de 1815 em Londres, Inglaterra. Filha do famoso poeta George Gordon Byron (6º Barão Byron) – mundialmente conhecido como Lord Byron – e de Anne Isabella “Annabella” Milbanke, Baronesa Byron. Ao nascer, a pequena Augusta – assim batizada em homenagem à meia-irmã de Byron, Augusta Leigh – representava uma grande decepção, pois o pai esperava um menino. A menina é a única filha legítima do poeta; os outros filhos nasceram de relações extraconjugais.

Em 16 de janeiro de 1816, a pedido do marido, Annabella mudou-se para a casa de seus pais levando consigo a filha que então tinha apenas um mês de vida. Lord Byron não reivindicou a custódia da pequena Ada – nome dado por ele – como garantia na época a lei inglesa em caso de separação do casal; solicitou apenas que sua irmã o informasse sobre o bem-estar da menina. Em 21 de abril do mesmo ano, Byron assinou a separação e alguns dias depois partiu para sempre da Inglaterra.

Annabella passou então a acusar o ex-marido de comportamento imoral. As acusações contra o poeta voltavam sempre as atenções da sociedade vitoriana para a pequena Ada, tornando-a mais famosa a cada novo escândalo. Desde a separação Byron não viu mais a filha e nunca constitui um relacionamento com ela. Em 19 de abril de 1824, quando Ada tinha apenas oito anos, seu pai faleceu, aos 36 anos de idade em decorrência de febres contraídas no campo de batalha enquanto lutava na Guerra de Independência da Grécia.

Até que completasse vinte anos de idade Ada não foi autorizada a ver sequer um único retrato de seu pai; mantendo-se a mãe como sua única figura parental significativa. Em 1856, a ex-senhora Byron deixou finalmente o sobrenome do ex-marido e tornou-se Baronesa Wentworth.

A educação científica de Ada iniciou-se cedo, pois sua mãe – estudiosa de matemática – tratou de influenciar a filha no mesmo caminho a fim de que ela não trilhasse os passos do pai na poesia; rota que era julgada “insana” por Annabella. Assim como muitos aristocratas da elite londrina, a pequena Ada também foi educada por tutores pessoais, revelando desde a infância grande aptidão para as ciências exatas.

Ada Lovelace aos 19 anos. Pintura de Margaret Sarah Carpenter, 1836.
Ada Lovelace aos 19 anos. Pintura de Margaret Sarah Carpenter, 1836.

Na juventude, seus talentos matemáticos a levaram a travar uma relação de trabalho e de amizade com o também matemático Charles Babbage a respeito de seu trabalho particular sobre a Máquina Analítica. Aos 20 anos, Ada casou-se com o barão William King-Noel – nomeado em 1838, Conde de Lovelace – fato que a fez trocar o sobrenome do pai pelo do marido, passando a assinar então Augusta Ada King, conhecida como Condessa de Lovelace. Da união nasceram três filhos: Anne Blunt, Byron King-Noel e Ralph King-Milbanke.

“Em 1842, Charles Babbage foi convidado a ministrar um seminário na Universidade de Turim sobre sua máquina analítica. Luigi Menabrea, um jovem engenheiro italiano e futuro Primeiro-ministro da Itália, publicou a palestra de Babbage em francês e esta transcrição foi posteriormente publicada na Bibliothèque Universelle de Genève, em 1842” (Wikipedia). Durante este ano e o seguinte Ada traduziu para o inglês, a pedido de Babbage, o artigo de Menabrea sobre o motor complementando-o com um conjunto de sua própria autoria ao qual ela chamou de Anotações.

“Estas notas, que são mais extensas que o artigo de Menabrea, foram então publicados no The Ladies’ Diary e no Memorial Científico de Taylor sob as iniciais “AAL”” (Wikipedia). As notas contem um algoritmo criado para ser processado por máquinas, considerado por muitos o primeiro programa de computador. Ada “também desenvolveu uma visão sobre a capacidade dos computadores de irem além do mero cálculo ou processamento de números”  enquanto outros estudiosos do tema, incluindo o próprio Babbage focavam apenas nessas capacidades (Wikipedia). A Condessa de Lovelace também é dona de questionamentos sobre a Máquina Analítica e sobre como os indivíduos se relacionam com a tecnologia enquanto ferramenta de colaboração.

Em 27 de novembro de 1852, Ada morreu vítima de um câncer uterino aos 36 anos de idade e não pôde ver a máquina que ajudou a criar e sobre a qual trabalhou construída. Embora nunca tivesse tido um relacionamento com o pai, nem sequer o conhecido, foi enterrada a seu próprio pedido ao lado dele, na Igreja de Santa Maria Madalena em Nottingham, Inglaterra.

Réplica da Máquina Analítica de Charles Babbage
Réplica da Máquina Analítica de Charles Babbage

Em 1953, mais de cem anos após a morte da Condessa, suas notas sobre a Máquina Analítica foram republicadas, o invento foi reconhecido como o primeiro modelo de computador e as notas de Ada como a descrição de um computador e um software.

Suas notas foram classificadas alfabeticamente de A a G; nesta última Ada descreve o algoritmo para a máquina analítica computar a Sequencia de Bernoulli (sequencias de números racionais com profundas conexões na teoria dos números), o que é considerado o primeiro algoritmo criado especialmente para ser implementado num computador. Por estas razões, Ada Lovelace é considerada a primeira programadora da história.

Apesar de ter “decepcionado” o pai por nascer mulher, Ada Lovelace certamente teria sido motivo de orgulho para o poeta pela escritora e matemática que se tornou; tendo dado grandes contribuições para a evolução científica da humanidade. Assim como Byron, Ada também escreveu seu nome na história e dela não mais sairá.

Em 1982, uma linguagem de programação estruturada foi nomeada de “Ada” em homenagem à condessa. Anualmente, na segunda terça-feira do mês de outubro, celebra-se o Ada Lovelace Day – cujo objetivo é “lembrar os feitos do sexo feminino nas ciências, tecnologia, engenharia e matemática, assim como encorajar que mais mulheres sigam este caminho” (Olhar digital).

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://www.calendarr.com/portugal/dia-do-programador/

http://olhardigital.uol.com.br/noticia/conheca-ada-lovelace-a-1-programadora-da-historia/40718

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ada_Lovelace

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lord_Byron

https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%BAmeros_de_Bernoulli

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abril 25

Boadicea: a rainha guerreira

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Também chamada de Boudica, Boudicca, Boadicea, Buduica e Bonduca, a rainha celta Boadicea (? – 61 d.C.) era casada com o rei dos icenos, Prasutagus, aliado do Império Romano. Com a morte do rei (60 d.C.) que havia governado sob a jurisdição de Nero a região hoje conhecida como Norfolk e Sussex (Inglaterra), a rainha passou a liderar seu povo; no entanto, os romanos ignoraram o testamento de Prasutagus que visava proteger sua família ao dividir suas terras igualmente entre Boadicea, as duas filhas do casal e Roma; Nero anexou todas as terras apropriando-se delas; os icenos resistiram e então soldados romanos invadiram o território iceni, torturaram e açoitaram Boadicea e estupraram suas filhas.

Estátua de Boadicea e suas filhas
Estátua de Boadicea e suas filhas

Humilhada e revoltada, Boadicea encorajou seu povo e tribos vizinhas cansadas do domínio romano, arrebanhando 100 mil bretões e os pondo em marcha rumo à capital da Britânia, Camulodunum (atualmente Colchester). O exército de Boadicea atacou a cidade que também estava ocupada por soldados romanos e a destruiu quase por completo. Nos meses seguintes três colônias romanas foram destruídas resultando em aproximadamente 78 mil mortos.

Segundo o historiador Dião Cássio: “Boadiceia era alta, terrível de olhar e abençoada com uma voz poderosa. Uma cascata de cabelos vermelhos alcançava seus joelhos; usava um colar dourado composto de ornamentos, uma veste multicolorida e sobre esta um casaco grosso preso por um broche. Carregava uma lança comprida para assustar todos os que lhe deitassem os olhos”.

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Os romanos reuniram um exército de 10 mil homens bem treinados e armados; e embora a rainha celta comandasse 30 mil guerreiros, sua inexperiência e de seus companheiros nas batalhas fizeram com que suas fileiras sofressem baixas nos números, o que enfraqueceu as forças do exército e Boadicea amargou a derrota aos britânicos. Sobre a morte da rainha não se sabe ao certo; segundo o historiador romano Tácito, Boadicea suicidou-se por envenenamento após a derrota, outros dizem que ela ficou doente e veio a falecer tendo sido sepultada luxuosamente.

Embora vencedores do embate final, Nero abandonou de vez a Grã-Bretanha. Durante toda a Idade Média as batalhas entre os icenos e os romanos foram praticamente esquecidas, até que no Período Vitoriano a rainha Vitória foi comparada por sua semelhança com Boadicea em termos de poder e grandeza. Uma estátua de bronze representando Boadicea e suas filhas a bordo de uma biga foi feita por Thomas Thornycroft a pedido do príncipe Albert. A estátua foi colocada ao lado da ponte de Westminster de frente para as Casas do Parlamento. Ao pé da obra lê-se: “Regiões que César nunca conheceu. Teus descendentes irão temer”.

Estátua de Boadicea em Londres
Estátua de Boadicea em Londres

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://www.ahistoria.com.br/biografia-boadicea-boudicca/

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/boadicea-monarca-celta-desafiou-poder-romano-destruiu-londres-729482.shtml

http://pt.wikipedia.org/wiki/Boadiceia

http://www.infoescola.com/biografias/boadicea/

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abril 1

Hipácia – a representação da mulher na célebre Alexandria

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“Reserve o seu direito a pensar, mesmo pensar errado é melhor do que não pensar.”
―Hipácia

 

Hipácia (ou Hiipátia; em grego: Υπατία) nasceu em Alexandria (cidade do Egito fundada por Alexandre da Macedônia, conhecido como Alexandre, O Grande) por volta do ano 355 d.C. ou 370 d.C. Filha de Theon, famoso filósofo, astrônomo e mestre de matemática no Museu daquela cidade, Hipácia cresceu guiada pelo pai nos estudos da Matemática e da Filosofia num ambiente onde se respirava cultura. Seu pai “acreditava no ideal grego da ‘mente sã em um corpo sadio’ (‘men sana in corpore sano’) estimulando a filha a exercitar tanto a mente como o corpo; contam as lendas que ele desejava torna-la ‘um ser perfeito’”: a antiga aspiração helênica.

Na antiguidade, Alexandria era um berço de cultura e livre expressão, porém na época do nascimento de Hipácia, “a cidade encontrava-se em uma disputa entre a Igreja Católica, que crescia em poder rapidamente, e as correntes filosóficas que punham em cheque as doutrinas da nova religião” (Teoria da Conspiração). Hipácia cursou a Academia de Alexandria e, com o tempo e o domínio das mais distintas áreas (matemática, astronomia, filosofia, religião, poesia, artes, oratória e retórica), transcendeu as conquistas do próprio pai, Theon.

“Na adolescência ela foi para a cidade de Atenas, atual capital da Grécia, com o objetivo de concluir seus estudos na Academia Neoplatônica. Hipácia logo ficou em relevo, por suas tentativas de unir a matemática do algebrista Diofanto ao neoplatonismo de Plotino” (InfoEscola). De volta à sua terra natal, tornou-se professora na Academia em que havia estudado, conquistando justamente a cadeira anteriormente ocupada por Plotino. Ao completar 30 anos, Hipácia já atingira o posto de diretora da célebre Academia de Alexandria. Ao longo deste tempo ela criou várias obras e se popularizou por resolver intrincadas questões da matemática, socorrendo cientistas perdidos na resolução de problemas. Hipácia nunca contraiu matrimônio, pois se considerava unida à procura pela verdade.

Tornou-se a maior pesquisadora de Alexandria nos campos da matemática e filosofia em sua época. “Um dos seus alunos foi o notável filósofo e bispo Sinésio de Cirene (370 – 413), que lhe escrevia frequentemente, pedindo-lhe conselhos. Através destas cartas, sabemos que Hipácia desenvolveu alguns instrumentos usados na Física e na Astronomia, entre os quais o hidrômetro” (Wikipedia), o astrolábio plano e o planisfério. Um de seus alunos Hesíquio o hebreu, escreveu:

“Vestida com o manto dos filósofos, abrindo caminho no meio da cidade, explicava publicamente os escritos de Platão e de Aristóteles, ou de qualquer filósofo a todos os que a quisessem ouvi-la… Os magistrados costumavam consulta-la em primeiro lugar para administração dos assuntos da cidade”.

O fim trágico de Hipácia começou a se desenhar a partir de 412 d.C., quando Cirilo (um cristão fanático, árduo defensor da Igreja e acirrado adversário dos que ele considerava serem hereges) foi nomeado Patriarca de Alexandria, título de dignidade eclesiástica, usado em Constantinopla, Jerusalém e Alexandria. Cirilo lutou toda a vida defendendo a ortodoxia da Igreja e combatendo as heresias, sobretudo o Nestorianismo, que negava a Divindade de Jesus Cristo e a Maternidade Divina de Maria. Desta maneira, Hipácia tornou-se um alvo fácil para Cirilo, por possuir as características dos “hereges” de sua época, principalmente sua crença neoplatônica, sua religiosidade vista como pagã e seus pontos de vista sobre o Cosmos.

Em uma tarde de 415 d.C. (especula-se que a data seja 8 de março), retornando do Museu para casa, Hipácia “foi abordada por uma turba de cristãos furiosos que a arrancaram de sua carruagem, arrastaram-na para uma igreja e lá rasgaram-lhe as roupas deixando-a completamente nua e assim puseram-se a retalhar seu corpo esfolando-lhe a carne de seus ossos utilizando para isso cascas de ostras afiadas. Por fim desmembraram-lhe o corpo e o atiraram às chamas” (Teoria da Conspiração).

O assassinato de Hipácia marcou a queda da vida intelectual, da liberdade e do conhecimento filosófico em Alexandria. Em 642, a Biblioteca foi destruída supostamente num incêndio. Milhares de obras se perderam para sempre neste evento que varreu uma gama incontável de escritos cujos ensinamentos certamente nos seriam muito úteis. Quantas obras da própria Hipácia podem ter se perdido com a destruição da Biblioteca não saberemos afirmar; os poucos registros dela sobreviveram por se tratarem de correspondências que se encontravam fora das paredes da Biblioteca de Alexandria.

Numa época em que era impensável para mulheres exercer as funções que Hipácia exerceu e dominar o conhecimento que ela possuía, esta mulher nutriu a Alexandria e a Grécia com seu saber e ensinamentos; porém sua voz foi violentamente calada e seu legado quase varrido permanentemente da história. No entanto, nem a Igreja Católica nem o incêndio, foram capazes de apagar Hipácia da história científica e cultural da humanidade. Conhecida por sua inteligência, a filósofa permanece viva e ao alcance de todos aqueles que buscam conhecimento constantemente. Hipácia não só representa o sexo feminino colaborando com a cultura e a busca pelo saber, como também se configura um símbolo daqueles que são vítimas da intolerância dos que à força querem impor suas crenças, seu poder. À frente da famosa Biblioteca de Alexandria, ela deixou seus ensinamentos para a posteridade, entre eles “O Cânone Astronômico”. Quase dois mil anos após sua morte, Hipácia é lembrada como uma mulher forte e determinada, à frente de seu tempo. O cientista Carl Sagan (1934 – 1996) cita (em sua obra Cosmos) a filósofa e matemática como a última cientista de Alexandria.

 

“Compreender as coisas que nos rodeiam é a melhor preparação para compreender o que há mais além”
―Hipácia

Núrya Ramos

Fontes:

http://www.infoescola.com/biografias/hipatia/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%A1tia

http://www.deldebbio.com.br/2010/02/15/hipatia-de-alexandria/

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