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Ötzi – do Neolítico à atualidade (Parte IV)

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Morte

 

Em julho de 2001, os pesquisadores Paul Gostner e Eduard Egarter Vigl, do Hospital Regional de Bolzano, Itália, chegaram a anunciar a causa da morte de Ötzi; esta teria se dado em consequência de uma flechada. Os pesquisadores comunicaram que os exames detectaram uma ponta de flecha, de 27mm de comprimento por 18mm de largura, abaixo do ombro esquerdo da múmia – o que logo gerou a especulação de que o homem do gelo tenha sido assassinado. No entanto, os pedidos dos pesquisadores para remoção do objeto e comprovação de que realmente se trata de uma ponta de flecha ainda não foram atendidos (**Scientific American Brasil).

Recentemente, Eduard Egarter Vigl relatou uma nova descoberta que pode levantar novos indícios sobre a morte de Ötzi: de acordo com o pesquisador, há uma ferida profunda na mão direita que provavelmente foi causada por uma punhalada, mas ainda não há nenhuma publicação científica a respeito disto (**Scientific American Brasil).

Ötzi sendo examinado por pesquisador
Ötzi sendo examinado por pesquisador

Os primeiros indícios sugerem que ele tenha morrido no outono, pois o abrunho – que amadurece no fim do verão – e a presença de pedacinhos de cerais  encontrados em suas roupas (que podem ter se alojado ali durante a debulha que se segue à colheita) constituem a base dessa hipótese. Outra evidência botânica indica que ele provavelmente tenha morrido no fim da primavera ou começo do verão, pois resíduos alimentares retirados de seu cólon revelam a presença de pólen de hop hornbeam (gênero que pertence à família Betulaceae) (Wikipedia*), que pode ter sido ingerido através do ar ou na água pouco antes de sua morte. “O hop hornbeam, que cresce até cerca de 1,2 metro acima do nível do mar em Schnalstal, só floresce no fim da primavera e no começo do verão” (**Scientific American Brasil).

Cientistas também sugerem que Ötzi possa não ter morrido no local onde foi encontrado; e sim, arrastado até lá por degelos temporários que ocorreram sucessivamente naquela região durante os mais de 5 mil anos em que ele esteve ali até ser encontrado e apresentado ao mundo. Outras suposições também dão conta de que ele possa ter morrido de exaustão ou mesmo de frio. Embora muitas pesquisas já tenham sido feitas e mesmo com os indícios encontrados a causa da morte de Ötzi permanece um enigma ainda por ser respondido, sendo a hipótese da flechada a mais aceita até então.

Superstição

 

Memorial em homenagem à Ötzi no Vale Ötztal
Memorial em homenagem à              Ötzi no Vale Ötztal

Assim como muitas múmias famosas, Ötzi também carrega uma superstição, provavelmente engendrada por pessoas que quiseram aumentar o teor de mistério em torno da múmia, pois não há nenhum indício científico que aponte esta superstição como uma possível realidade.

“Segundo a crença, acredita-se haver uma maldição ao redor da múmia quinquemilenar que estaria zangada com as pessoas que a perturbassem em seu descanso. Até agora 7 das pessoas que entraram em contato com o cadáver congelado tiveram acidentes estranhos que resultaram em morte. Entre elas encontram-se cientistas que estudaram o corpo e o próprio descobridor de Ötzi, Helmut Simon, que morreu ironicamente numa forte tempestade de neve e faleceu na mesma posição de Ötzi, enquanto passeava pela Áustria numa região a 100 km do local original” (Wikipedia³).

 

Ötzi na atualidade 

 

Mais de 20 anos já se passaram desde a descoberta deste que é um dos maiores achados da história da arqueologia – levando-se em conta de que é um corpo humano mumificado em condições naturais e excepcionalmente bem preservado. E para marcar o aniversário de 25 anos da descoberta desta múmia fabulosa, uma equipe de pesquisadores apresentou em um congresso a construção do modelo do trato vocal de Ötzi, feito a partir de tomografia computadorizada. Para isto foram utilizados modelos de computador para reconstruir o trato vocal e a posição do osso hioide, que apoia a língua (Universo Inteligente).

O “co-pesquisador Rolando Füstös disse a Discovery News que “com duas medições, o comprimento tanto do trato vocal e das cordas vocais, tem sido capazes de recriar uma aproximação bastante fiável da voz da múmia. Este é um ponto de partida para novas pesquisas” (Universo Inteligente). No entanto a reconstrução pode não se assimilar à voz original de Ötzi, pois faltam aos cientistas informações fornecidas pelos tecidos moles da garganta e da boca que influenciam na fala. Abaixo você pode ouvir a voz um pouco estranha e baixa, recitando a, e, i, o, u em italiano.

 

 

De acordo com o antropólogo Albert Zink, há cinco anos atrás foi possível sequenciar o genoma do homem do gelo. Agora, análises mais aprofundadas foram divulgadas e apontam que cerca de 1 milhão de pessoas na Europa são “aparentadas” com Ötzi. “Segundo os especialistas, a linha genética materna de Ötzi não se encontra mais na Europa, mas a paterna, sim” (Notícias Uol). Ainda de acordo com Zink, após 200 gerações não é mais possível reconstruir a árvore genealógica de um indivíduo; portanto, o conceito de parentesco a que ele se refere é muito mais amplo do que aquele à que estamos acostumados.

A múmia em exposição no Museu do Tirol do Sul
    A múmia em exposição no Museu do Tirol do Sul

Atualmente Ötzi encontra-se em exposição no Museu de Arqueologia do Tirol do Sul, Bolzano, Itália.

Núrya Ramos

 

Fontes:

³https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%96tzi

*https://pt.wikipedia.org/wiki/Ostrya

**http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/a_saga_revivida_de_otzi_o_homem_do_gelo.html

http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2016/09/25/teste-de-dna-mostra-que-muitos-europeus-sao-parentes-do-homem-do-gelo.htm#fotoNav=6

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Posted 09/10/2016 by Núrya Ramos in category "Arqueologia

About the Author

Núrya Ramos é graduada em Serviço Social, pós-graduada em Políticas Públicas e Intervenção Social e atualmente é pós-graduanda em Gestão e Elaboração de Projetos Sociais. Atuou como tutora presencial na Universidade Anhanguera – UNIDERP (2012-2015) e como professora universitária no CEFELMA – Centro de Formação Educacional do Leste Maranhense (2012-2014). Apaixonada por literatura, música, cinema, culinária, mitologia, séries, futebol, fotografia, artes em geral e animais, também é poetisa amadora e flamenguista de carteirinha. Sonha em ser arqueóloga e percorrer o mundo desvendando os mistérios da nossa história.

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