outubro 27

Sylvia Plath – entre confissões e poesia

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Há exatos 84 anos, em 27 de outubro de 1932, nascia Sylvia Plath – poetisa, romancista e contista norte-americana. Filha de Aurelia Schober Plath e Otto Emile Plath, Sylvia publicou seu primeiro poema aos oito anos de idade na sessão infantil de Boston Herald, quando morava com os pais em Winthrop, Massachusetts (EUA) (Wikipedia¹).

Neste mesmo ano, seu pai morre devido à complicações após a amputação de uma das pernas em decorrência de diabetes. Otto Plath é figura central de um dos poemas mais famosos da filha intitulado Daddy (Papai); por essa razão seu túmulo atrai leitores e fãs de Sylvia ao cemitério de Winthrop, onde encontra-se enterrado. Dois anos depois a família muda-se para Wellesley, cidade localizada no mesmo Estado (Wikipedia¹).

Sylvia Plath
Sylvia Plath

Tempos depois, após seu terceiro ano na faculdade, Sylvia é convidada a trabalhar como editora na revista Mademoiselle – fato que a fez morar por um mês em Nova York. A experiência que não foi bem sucedida provocou na poetisa diferentes visões sobre si mesma e sobre a vida; acontecimentos desta época a inspiraram a escrever seu único romance – o semi-autobiográfico A Redoma de Vidro (The Bell Jar), publicado sob o pseudônimo Victoria Lucas, cujo enredo narra a história de luta da escritora contra a depressão (Wikipedia¹).

Dois anos antes, quando ainda caloura em Smith College – “faculdade privada de artes liberais para mulheres” (Wikipedia²) – Sylvia tentou o suicídio pela primeira vez ao tomar uma overdose de narcóticos. Detalhes sobre estas e outras tentativas de tirar a própria vida estão presentes em A Redoma de Vidro, em forma de crônica. Este episódio rendeu a escritora uma internação em instituição psiquiátrica, onde foi submetida a terapia de eletrochoques. A recuperação foi satisfatória e Sylvia forma-se com louvor em 1955, em Smith College (Wikipedia¹).

Por ter sido uma aluna brilhante, Sylvia obteve uma bolsa integral para estudar na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, onde continuou a escrever suas poesias e publicá-las no jornal Varsity. Em fevereiro do mesmo ano conhece o jovem poeta britânico Ted Hughes (17 de agosto de 1930 – 28 de outubro de 1998) durante a festa de lançamento da St. Botolph’s Review, em Cambridge. Plath, que já mantinha admiração pelo trabalho literário de Ted – composto de poesia e livros infantis – apaixonou-se por ele, e em 16 de junho de 1955 os dois contraíram matrimônio (Wikipedia¹).

De julho de 1957 a outubro de 1959 o casal viveu e trabalhou nos Estados Unidos, mas após a descoberta da gravidez de Sylvia mudaram-se para a Inglaterra, fixando residência na pequena North Tawton. Nesta mesma época é publicada a primeira coletânea de Sylvia intitulada The Colossus. Em fevereiro de 1961, após sofrer um aborto o casamento de Plath e Hughes começa a enfrentar obstáculos especialmente pela relação extraconjugal do poeta com Assia Wevill. No final de 1962 o casal se separa e Sylvia retorna com os filhos Frieda e Nicholas – de três e um ano de idade – para Londres, passando a viver num apartamento alugado na rua Fitzroy, nº 23 (Wikipedia¹).

Sylvia Plath e Ted Hughes
Sylvia Plath e Ted Hughes

Na manhã de 11 de fevereiro de 1963 Sylvia entrou no quarto dos filhos, abriu as janelas, deixou leite e pão perto de suas camas, vedou a porta do quarto com toalhas molhadas e roupas e em seguida tomou uma grande quantidade de narcóticos, deitou a cabeça sobre uma toalha no interior do forno com o gás ligado e morreu logo depois. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte pela enfermeira que ela mesma havia contratado – Myra Norris (Wikipedia¹). Sylvia Plath havia cometido suicídio aos 30 anos de idade.

Lápide de Sylvia Plath
Lápide de Sylvia Plath

Parte dos diários que ela havia escrito desde os 11 anos de idade até o dia de seu suicídio foram publicados pela primeira vez em 1980. Em 1982, Smith College – a faculdade onde Plath se formou – recuperou os diários que faltavam, mas Ted Hughes conseguiu mantê-los em segredo, liberando-os para seus filhos apenas pouco antes de sua morte em 1998. Em 2000 os diários foram publicados pela Anchor Books. Infelizmente, a última parte dos diários – que continha os últimos meses de vida da escritora – foram destruídos por seu ex-marido, o que provocou muita crítica, mas ao que ele se defendeu alegando ter agido em proteção aos filhos (Wikipedia¹).

No entanto, a proteção que Ted tanto alegou parece não ter surtido muito efeito. Assim como a mãe, Nicholas Hughes cometeu suicídio em 16 de março de 2009, aos 47 anos de idade. Ele sofria de depressão e enforcou-se em casa. Nicholas era biólogo marinho e professor universitário em Fairbanks – Alasca; não era casado e não tinha filhos (Wikipedia³).

Sylvia Plath é creditada por dar continuidade ao gênero conhecido como poesia confessional, que se desenvolveu nos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960 onde a ênfase da poesia está em expressar a intimidade da vida pessoal do poeta, expondo temas como doença, sexualidade e depressão (Wikipedia³*). A poesia confessional tem como precursores Robert Lowell e W. D. Snodgrass.

As obras de Plath incluem ainda: “Ariel (1965), poemas; Crossing the water (1971), coletânea de poemas; Johnny Pannic and the Bible of Dreams (1977), livro de contos e prosa; e The Collected Poems (1981), poemas inéditos” (Wikipedia¹) – obra vencedora do Prêmio Pulitzer de Poesia, em 1982.

Em 2001, o psicólogo James C. Kaufman cunhou o termo efeito Sylvia Plath “para se referir ao fenômeno de que escritores criativos são mais suscetíveis a doença mental” (Wikipedia³**). Segundo Kaufman mulheres poetisas tendem a sofrer algum tipo de patologia mental mais do que qualquer outra classe de escritores. O estudo tem sido bastante discutido e encontra consistência com outras pesquisas da área.

Sylvia Plath na década de 50
Sylvia Plath na década de 50

Em Ísis americana: a vida e a arte de Sylvia Plath, publicado em janeiro de 2015, o autor Carl Rollyson expõe a face megalomaníaca e obcecada da escritora; para ele Plath pode ser comparada à deusa egípcia, pois sua vida foi vivida como a de um mito, ao mesmo tempo em que tentava manter seu papel de mãe e de esposa em harmonia com sua luz própria de artista (O Globo).

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

¹https://pt.wikipedia.org/wiki/Sylvia_Plath

²https://pt.wikipedia.org/wiki/Smith_College

³https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicholas_Hughes

³*https://pt.wikipedia.org/wiki/Poesia_confessional

³**https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Sylvia_Plath

http://oglobo.globo.com/cultura/livros/nova-biografia-de-sylvia-plath-mostra-faceta-megalomaniaca-obcecada-da-autora-15559789

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outubro 12

O Caseiro

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O suicídio do caseiro de uma antiga propriedade. Um professor de psicologia cético. Uma menina perturbada e frequentemente machucada. Uma família atormentada pelo sobrenatural. Estes são os elementos principais desta história de suspense e terror lançada em junho deste ano sob direção de Julio Santi.

O Caseiro conta a história de Davi (Bruno Garcia), um cético professor de psicologia famoso por ser autor de um livro que busca explicar, através da psicanálise, aparições sobrenaturais. Procurado por Renata (Malu Rodrigues), Davi vai até uma pacata cidade interiorana em busca de respostas para o caso da pequena Julia (Bianca Batista), irmã caçula de Renata, que vem apresentando frequentes machucados aparentemente provocados por uma entidade maligna – o antigo caseiro da família que cometeu suicídio anos atrás.

Bianca Batista em O Caseiro
  Bianca Batista em O Caseiro

Acreditando poder ajudar Julia e sua família e levado pelo desejo de escrever um novo livro, Davi se dispõe a desvendar o mistério que vem atormentando a família de Rubens (Leopoldo Pacheco), pai de Julia e Renata. Tanto Rubens quanto Nora (Denise Weinberg), sua irmã, são para Davi os principais suspeitos dos traumas que Julia vem sofrendo; cabe a ele apenas juntar provas para elucidar um caso que parece resolvido.

Dá-se início então ao desenrolar de uma trama surpreendente pelos seus elementos e pela sagacidade do roteiro, onde o caso aparentemente resolvido revela-se algo estranhamente complexo e intrigante. Explorando o suspense psicológico, O Caseiro, embora seja a mais nova aposta do cinema brasileiro no gênero suspense e terror, não traz grandes efeitos especiais como muitos longas do gênero; no entanto, seus elementos simples, mas bem tramados, conseguem manter a atenção e a mente do espectador aguçados, onde os embates entre fé e razão se misturam na tentativa de entender o desconhecido.

Confira o trailler oficial de O Caseiro:

Você pode assistir O Caseiro clicando no link abaixo:

http://www.filmesonlinegratis.net/assistir-o-caseiro-nacional-online.html

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Caseiro

Youtube

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outubro 9

Ötzi – do Neolítico à atualidade (Parte IV)

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Morte

 

Em julho de 2001, os pesquisadores Paul Gostner e Eduard Egarter Vigl, do Hospital Regional de Bolzano, Itália, chegaram a anunciar a causa da morte de Ötzi; esta teria se dado em consequência de uma flechada. Os pesquisadores comunicaram que os exames detectaram uma ponta de flecha, de 27mm de comprimento por 18mm de largura, abaixo do ombro esquerdo da múmia – o que logo gerou a especulação de que o homem do gelo tenha sido assassinado. No entanto, os pedidos dos pesquisadores para remoção do objeto e comprovação de que realmente se trata de uma ponta de flecha ainda não foram atendidos (**Scientific American Brasil).

Recentemente, Eduard Egarter Vigl relatou uma nova descoberta que pode levantar novos indícios sobre a morte de Ötzi: de acordo com o pesquisador, há uma ferida profunda na mão direita que provavelmente foi causada por uma punhalada, mas ainda não há nenhuma publicação científica a respeito disto (**Scientific American Brasil).

Ötzi sendo examinado por pesquisador
Ötzi sendo examinado por pesquisador

Os primeiros indícios sugerem que ele tenha morrido no outono, pois o abrunho – que amadurece no fim do verão – e a presença de pedacinhos de cerais  encontrados em suas roupas (que podem ter se alojado ali durante a debulha que se segue à colheita) constituem a base dessa hipótese. Outra evidência botânica indica que ele provavelmente tenha morrido no fim da primavera ou começo do verão, pois resíduos alimentares retirados de seu cólon revelam a presença de pólen de hop hornbeam (gênero que pertence à família Betulaceae) (Wikipedia*), que pode ter sido ingerido através do ar ou na água pouco antes de sua morte. “O hop hornbeam, que cresce até cerca de 1,2 metro acima do nível do mar em Schnalstal, só floresce no fim da primavera e no começo do verão” (**Scientific American Brasil).

Cientistas também sugerem que Ötzi possa não ter morrido no local onde foi encontrado; e sim, arrastado até lá por degelos temporários que ocorreram sucessivamente naquela região durante os mais de 5 mil anos em que ele esteve ali até ser encontrado e apresentado ao mundo. Outras suposições também dão conta de que ele possa ter morrido de exaustão ou mesmo de frio. Embora muitas pesquisas já tenham sido feitas e mesmo com os indícios encontrados a causa da morte de Ötzi permanece um enigma ainda por ser respondido, sendo a hipótese da flechada a mais aceita até então.

Superstição

 

Memorial em homenagem à Ötzi no Vale Ötztal
Memorial em homenagem à              Ötzi no Vale Ötztal

Assim como muitas múmias famosas, Ötzi também carrega uma superstição, provavelmente engendrada por pessoas que quiseram aumentar o teor de mistério em torno da múmia, pois não há nenhum indício científico que aponte esta superstição como uma possível realidade.

“Segundo a crença, acredita-se haver uma maldição ao redor da múmia quinquemilenar que estaria zangada com as pessoas que a perturbassem em seu descanso. Até agora 7 das pessoas que entraram em contato com o cadáver congelado tiveram acidentes estranhos que resultaram em morte. Entre elas encontram-se cientistas que estudaram o corpo e o próprio descobridor de Ötzi, Helmut Simon, que morreu ironicamente numa forte tempestade de neve e faleceu na mesma posição de Ötzi, enquanto passeava pela Áustria numa região a 100 km do local original” (Wikipedia³).

 

Ötzi na atualidade 

 

Mais de 20 anos já se passaram desde a descoberta deste que é um dos maiores achados da história da arqueologia – levando-se em conta de que é um corpo humano mumificado em condições naturais e excepcionalmente bem preservado. E para marcar o aniversário de 25 anos da descoberta desta múmia fabulosa, uma equipe de pesquisadores apresentou em um congresso a construção do modelo do trato vocal de Ötzi, feito a partir de tomografia computadorizada. Para isto foram utilizados modelos de computador para reconstruir o trato vocal e a posição do osso hioide, que apoia a língua (Universo Inteligente).

O “co-pesquisador Rolando Füstös disse a Discovery News que “com duas medições, o comprimento tanto do trato vocal e das cordas vocais, tem sido capazes de recriar uma aproximação bastante fiável da voz da múmia. Este é um ponto de partida para novas pesquisas” (Universo Inteligente). No entanto a reconstrução pode não se assimilar à voz original de Ötzi, pois faltam aos cientistas informações fornecidas pelos tecidos moles da garganta e da boca que influenciam na fala. Abaixo você pode ouvir a voz um pouco estranha e baixa, recitando a, e, i, o, u em italiano.

 

 

De acordo com o antropólogo Albert Zink, há cinco anos atrás foi possível sequenciar o genoma do homem do gelo. Agora, análises mais aprofundadas foram divulgadas e apontam que cerca de 1 milhão de pessoas na Europa são “aparentadas” com Ötzi. “Segundo os especialistas, a linha genética materna de Ötzi não se encontra mais na Europa, mas a paterna, sim” (Notícias Uol). Ainda de acordo com Zink, após 200 gerações não é mais possível reconstruir a árvore genealógica de um indivíduo; portanto, o conceito de parentesco a que ele se refere é muito mais amplo do que aquele à que estamos acostumados.

A múmia em exposição no Museu do Tirol do Sul
    A múmia em exposição no Museu do Tirol do Sul

Atualmente Ötzi encontra-se em exposição no Museu de Arqueologia do Tirol do Sul, Bolzano, Itália.

Núrya Ramos

 

Fontes:

³https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%96tzi

*https://pt.wikipedia.org/wiki/Ostrya

**http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/a_saga_revivida_de_otzi_o_homem_do_gelo.html

http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2016/09/25/teste-de-dna-mostra-que-muitos-europeus-sao-parentes-do-homem-do-gelo.htm#fotoNav=6

Cientistas recriam a voz de Ötzi o homem do gelo de 5.300 anos

 

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outubro 3

Ötzi – do Neolítico à atualidade (Parte III)

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Roupas e objetos

 

A análise das roupas e objetos de Ötzi permitiram aos pesquisadores conhecer mais sobre ele e a comunidade a qual pertencia. As vestes indicaram que ele estava muito bem preparado para o frio, pois usava “três camadas de roupas feitas de pele de veado e de cabra e uma capa forrada da longa e resistente fibra da casca da tília” (**Scientific American Brasil), árvore típica no hemisfério norte. As caneleiras foram feitas de pele de cabra, o gorro foi confeccionado com pele de urso marrom e seus sapatos, feitos de pele de urso e de cabra, eram largos e à prova d’água (aparentemente feitos especialmente para caminhar na neve); dentro dos sapatos, envolvendo os pés, havia tufos de grama macia que serviam como isolante térmico, um indicativo de que o povo ao qual Ötzi pertencia já sabia como utilizar recursos naturais em favor próprio a fim de enfrentar as baixas temperaturas locais.

Desenho das roupas de Ötzi
Desenho das roupas de Ötzi

Entre seus objetos pessoais estão “um machado de cobre e um punhal de sílex oriundo do Lago de Garda, a mais ou menos 150 km ao sul. O cabo do punhal era de uma madeira usada até hoje para fazer cabos, por sua resistência. Seu arco inacabado foi feito com a melhor madeira para esse fim. Uma aljava de pele levava 14 flechas. Apenas duas tinham penas e pontas de sílex, mas ambas estão quebradas” (**Scientific American Brasil). O sílex e o minério de cobre são provas de que esta comunidade sabia como obter recursos de locais distantes a fim de atender seus propósitos.

Objetos de Ötzi
Objetos de Ötzi

Havia também uma bolsa presa ao cinto que Ötzi usava e que continha em seu interior fungo de bétula (espécie de cogumelo utilizada para fins medicinais por suas propriedades antibacterianas); true tinder fungus (espécie de fungo que cresce em árvores e que pega fogo facilmente), pirita de ferro e sílex para produzir faíscas – estes três últimos itens parecem compor uma espécie de kit para produzir fogo; mais um indicativo de que os homens daquela região sabiam utilizar recursos naturais para enfrentar o frio.

Próximo ao corpo também foi encontrada uma ferramenta apropriada para amolar sílex, fragmentos de uma rede, a estrutura básica de uma espécie de mochila e dois recipientes feitos de casca de bétula – um deles levava carvão e folhas de bordo norueguês (**Scientific American Brasil), fato que indicaram aos pesquisadores que Ötzi possivelmente estivesse transportando consigo brasas envolvidas nas folhas a fim de produzir o fogo rapidamente.

As roupas e pertences de Ötzi trazem-nos o acesso a informações extremamente relevantes sobre o período Neolítico, também chamado de Período da Pedra Polida e que abrange do décimo milênio a.C. e vai até o terceiro milênio a.C. (Wikipedia²). Por conta da preservação do corpo, roupas e objetos pessoais, a descoberta de Ötzi é uma das mais importantes até hoje.

 

Suposições

 

Reconstrução naturalista de Ötzi baseada em técnicas forenses
Reconstrução naturalista de Ötzi baseada em técnicas forenses

Uma das primeiras hipóteses a respeito do que Ötzi fazia e que poderia justificar porque ele estava em Ötztal no momento de sua morte, supunha que ele era um pastor, pois o corpo fora encontrado próximo a uma das rotas tradicionais utilizadas pelos pastores que conduziam seus rebanhos de Schnalstal para as pastagens elevadas de Ötztal no verão e os traziam de volta no outono. No entanto, nada nas roupas ou objetos pessoais da múmia indicam que ele fizesse este tipo de trabalho (**Scientific American Brasil).

“Outra possibilidade é a de Ötzi ser um caçador da cabra montesa alpina; o arco e a aljava de flechas podem comprovar essa hipótese. Mas se ele estava ativamente envolvido na caça à época de sua morte, por que o arco estava inacabado e sem a corda e todas as flechas, menos duas, estavam sem pontas e sem plumas? Por que as duas flechas prontas estavam quebradas?” (**Scientific American Brasil). Os pesquisadores supõem ainda que ele possa ter sido um criminoso excluído do convívio de seu povo, um mercador de sílex, um xamã ou até mesmo um guerreiro. Nenhuma das hipóteses se mostrou consistente a ponto de poder ser considerada.

Apenas uma coisa é certa: Ötzi estava utilizando uma vestimenta tradicional para viajantes do seu tempo (**Scientific American Brasil); o que indica que, qualquer fosse a atividade a que ele se dedicava ou o motivo que o levou até ali, ele não saiu despreparado; pois as roupas, equipamento e provisões encontrados com ele apontam um preparo minucioso para enfrentar a viagem e o frio naquela localidade.

 

Última rota

 

“Baseados principalmente nos restos botânicos preservados com o cadáver, os autores especulam que a última viagem do Homem de Gelo pode ter sido a área próxima do Castelo de Juval através do Schnalstal e finalmente uma escalada íngreme até Tisental” (**Scientific American Brasil). Pesquisadores “investigaram a região em busca das 80 espécies de musgos e várias plantas encontrados com Ötzi. Apenas cerca de 20% dessas espécies ainda crescem na região. O musgo encontrado em grandes quantidades preso ao corpo é o Neckera complanata” (**Scientific American Brasil). “A maior concentração desse musgo, assim como muitas das outras plantas encontradas com o Homem do Gelo, ocorre ao sul do sítio, no castelo de Juval, onde há evidência arqueológica de ocupação humana na pré-história” (**Scientific American Brasil), o que enfatiza mais ainda as chances de aquele ter sido o lar de Ötzi.

Núrya Ramos

 

Fontes:

²https://pt.wikipedia.org/wiki/Neol%C3%ADtico

**http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/a_saga_revivida_de_otzi_o_homem_do_gelo.html

 

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outubro 1

Ötzi – do Neolítico à atualidade (Parte II)

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Análise científica

 

Estudos dos ossos do cadáver mostram que ele tinha cerca de 46 anos de idade quando morreu e não estava em sua melhor forma; media 1,59m de altura, não possuía o 12º par de costelas e ainda apresentava fraturas na terceira, quarta, sétima e oitava costelas, deformidade na caixa torácica e também uma fratura no braço esquerdo. Os pesquisadores não descartam a possibilidade de que estes danos tenham sido causados após a morte de Ötzi, pela ação do tempo e do degelo. A forma como o cadáver foi retirado do gelo também destruiu várias informações de cunho arqueológico e afetaram o corpo (**Scientific American Brasil).

A análise do DNA de Ötzi indica que ele era originário da Europa Central-Setentrional. Estudos do cromossomo Y da múmia o colocaram num grupo que atualmente domina o Sul da Córsega. A análise também revelou que provavelmente Ötzi sofria de aterosclerose e intolerância à lactose. DNA da bactéria Borrelia burgdorferi“espécie de bactérias patogênicas espiroquetas responsáveis pela Borreliose e transmitidas por carrapatos” (***Wikipédia) – foi encontrado em seu sangue, indicando que o homem do gelo é o mais antigo humano a sofrer da doença de Lyme. Já seu conteúdo estomacal revelou evidências da Heliobacter pylori – bactéria do sistema digestivo que pode causar gastrite grave e úlceras. Em estudo publicado em 2012, o paleoantropólogo John Hawks sugeriu que Ötzi tinha mais material genético de Neanderthal do que os europeus modernos (Wikipédia³).

Os 19 conjuntos de tatuagens de Ötzi (Foto: Divulgação)
Os 19 conjuntos de tatuagens de Ötzi (Foto: Divulgação)

A análise detectou ainda a existência de 57 tatuagens feitas com pó de carvão no corpo de Ötzi; no entanto, as marcas não são decorativas e sim terapêuticas, pois muitas delas estão localizadas em pontos que coincidem com os da acupuntura chinesa, o que pode indicar que o povo de Ötzi já conhecia uma técnica primitiva de acupuntura. As marcas podem ter sido feitas para tratar sintomas de doenças das quais ele tenha sofrido, como a artrite; porém, segundo Vanezis e Franco Tagliaro, os raios X aos quais a múmia foi submetida não mostram sinais convincentes da doença (**Scientific American Brasil).

Mão de Ötzi
Mão de Ötzi

 

Hábitos alimentares

 

O corpo foi intensamente examinado, medido, radiografado e datado pelos pesquisadores. Em meio a toda essa análise minuciosa os cientistas não poderiam deixar de estudar o aparelho digestivo de Ötzi e conhecer, a partir das evidências encontradas, como se alimentavam os homens do Neolítico.

A múmia Ötzi sendo examinada por pesquisador (Foto: Divulgação)
  A múmia Ötzi sendo examinada por pesquisador (Foto:        Divulgação)

Restos de plantas foram retirados do trato digestivo, oferecendo evidências diretas de suas últimas refeições. Farelos de uma espécie primitiva de trigo chamada einkorn também foram encontrados, o que sugere que ele possa ter se alimentado de um tipo de pão. Estudos de DNA realizados por uma equipe da Universitá de Camerino, na Itália, feitos a partir de resíduos de alimentos encontrados nos intestinos apontaram que Ötzi comeu carne de veado vermelho e cabra montesa alpina – lascas de ossos desta espécie de cabra encontrados próximo ao corpo confirmam a refeição. Em meio às provisões também foi encontrado um abrunho – fruta pequena e amarga parecida com a ameixa (**Scientific American Brasil).

Do estômago, cólon e reto foram retirados vários tipos de musgos. Não há evidências de que os humanos contemporâneos de Ötzi comiam musgos; no entanto, naquele período tão remoto da história humana, os musgos podem ter sido utilizados para embrulhar, embalar, rechear ou enxugar os alimentos (pois são ótimos para esse fim), o que explicaria perfeitamente que ele os tenha engolido por acidente enquanto se alimentava. Os musgos também eram usados pelos vikings como papel higiênico (**Scientific American Brasil).

Os dados isotópicos de Ötzi (feitos a partir de restos de cabelos e ossos, que examinam a quantidade de isótopos estáveis de carbono 13 e nitrogênio 15) confirmam que ele tinha uma alimentação composta essencialmente de plantas e animais. “Cerca de 30% do nitrogênio de sua alimentação eram de proteína animal, o resto de plantas” (**Scientific American Brasil). A deficiência nutricional pode auxiliar a explicar o fato de ele não estar em bom estado de saúde quando morreu.

Núrya Ramos

 

Fontes:

³https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%96tzi

**http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/a_saga_revivida_de_otzi_o_homem_do_gelo.html

*** https://pt.wikipedia.org/wiki/Borrelia_burgdorferi

 

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