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Ötzi – do Neolítico à atualidade (Parte I)

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As múmias sempre fizeram parte dos mistérios da humanidade ao longo da história. Desvendar os enigmas dos homens e mulheres que um dia deram vida a estes corpos tornou-se uma atividade científica das mais relevantes, visto que estuda-los nos permite entender, por exemplo, seu modo de vida, costumes, rituais religiosos e conhecimentos científicos de que dispunham na época. Ötzi é um destes achados magníficos que contemplam parte da história humana.

Momento da descoberta de Ötzi
                    Momento da descoberta de Ötzi

Conhecido também como Múmia do Similaun ou O Homem do Gelo, Ötzi é a múmia de um homem que viveu há cerca de 5.300 anos. Encontrada em 19 de setembro de 1991 pelo casal de montanhistas Helmut e Erika Simon numa geleira perto do monte Similaun na fronteira da Áustria com a Itália (há 3.210 metros acima do nível do mar), inicialmente parecia tratar-se de um cadáver recente de um alpinista como muitos outros descobertos frequentemente na mesma região devido ao frio no local; mas quando levado por autoridades para Innsbruck, na Áustria, sua verdadeira idade foi revelada.

Konrad Spindler, arqueólogo da universidade local, juntamente com uma equipe de pesquisadores, declarou que tratava-se de um cadáver pré-histórico. Segundo os estudiosos só foi possível encontra-lo devido a uma tempestade de poeira vinda do Saara que teria se combinado com um período excepcionalmente quente, derretendo assim o gelo e expondo a múmia (**Scientific American Brasil). A descoberta do cadáver milenar mumificado em condições naturais oferece um vislumbre sem igual da vida e hábitos dos homens europeus que viveram durante a Idade do Cobre (Wikipédia³).

Ötzi precede até mesmo as famosas múmias egípcias, equivalendo em idade apenas a Ginger ou Homem de Gebelein – múmia encontrada no Egito em 1896 – que teria vivido há 5.500 anos (Wikipédia¹). Tão impressionante quanto a idade de Ötzi foi o fato de ele ter sido encontrado ainda com suas roupas e pertences pessoais. “A impressionante preservação do corpo teria resultado de uma tempestade de neve que o protegeu dos abutres, seguida de rápido congelamento-ressecamento” (**Scientific American Brasil).

 

Quem foi Ötzi?

 

O Homem do Gelo – como ficou conhecido – foi chamado de Ötzi pelos pesquisadores em homenagem ao local de sua descoberta, o Vale de Ötztal (Tirol do Sul – província autônoma de Bolzano, Itália). Quando encontrado ele jazia caído de bruços sobre um rochedo, “o braço esquerdo dobrado para o lado direito, e a mão direita presa embaixo de uma pedra grande” (**Scientific American Brasil); suas roupas e objetos pessoais também encontravam-se em ótimo estado de conservação devido ao gelo e estavam espalhados a sua volta. Datações de carbono 14 feitas a partir de amostras de pele e ossos do cadáver e de vegetais encontrados junto a ele provam a idade milenar da múmia.

Múmia de Ötzi
                                    Múmia de Ötzi

A evidência botânica também sugere que Ötzi habitava numa aldeia ao sul dos Alpes onde o corpo fora encontrado. Um grande número de plantas floríferas e fungos associados à múmia crescem até hoje num sítio arqueológico do período neolítico descoberto num castelo da Idade Média localizado na extremidade sul de Schnalstal, em Juval (província de Bolzano, Itália), o que faz com que os pesquisadores creiam que este seja o lugar onde o homem do gelo vivia (**Scientific American Brasil). Amostras retiradas do estômago da múmia apresentaram um musgo que também cresce em Schnalstal, o que reforça ainda mais a teoria.

Vale Ötztal - Tirol do Sul, Itália
                             Vale Ötztal – Tirol do Sul, Itália

No entanto, “se Juval não for seu lar, vestígios de ocupação neolítica em locais bem próximos de Vinschgau (Val Venosta), o vale do rio Etsch (Adige), oferecem outras possibilidades. Em contraste, ao norte as aldeias conhecidas da Idade da Pedra que ficam mais próximas estão a dezenas de quilômetros” (**Scientific American Brasil), e não se sabe “da existência de nenhuma aldeia neolítica no Ventertal ou em qualquer outra região do Ötztal”, local da descoberta da múmia. “Se o lar de Ötzi era realmente na parte mais baixa do Schnalstal ou em Vinschgau, então sua comunidade vivia numa região de invernos amenos, curtos e geralmente sem neve, principalmente se, na época, o clima era um pouco mais quente” (**Scientific American Brasil).

Investigações feitas sobre a composição isotópica do esmalte dos dentes de Ötzi dão conta de que ele cresceu numa área, mas passou os últimos vinte ou trinta anos de sua vida em outro local, provavelmente no Ventertal (Áustria) ou nos vales próximos ao norte (**Scientific American Brasil). O fato é que a localidade que ele habitava permanece uma incógnita em sua história.

Núrya Ramos

 

 

Fontes:

¹https://pt.wikipedia.org/wiki/Ginger_(m%C3%BAmia)

³https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%96tzi

**http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/a_saga_revivida_de_otzi_o_homem_do_gelo.html

 

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Posted 30/09/2016 by Núrya Ramos in category "Arqueologia

About the Author

Núrya Ramos é graduada em Serviço Social, pós-graduada em Políticas Públicas e Intervenção Social e atualmente é pós-graduanda em Gestão e Elaboração de Projetos Sociais. Atuou como tutora presencial na Universidade Anhanguera – UNIDERP (2012-2015) e como professora universitária no CEFELMA – Centro de Formação Educacional do Leste Maranhense (2012-2014). Apaixonada por literatura, música, cinema, culinária, mitologia, séries, futebol, fotografia, artes em geral e animais, também é poetisa amadora e flamenguista de carteirinha. Sonha em ser arqueóloga e percorrer o mundo desvendando os mistérios da nossa história.