setembro 30

Ötzi – do Neolítico à atualidade (Parte I)

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As múmias sempre fizeram parte dos mistérios da humanidade ao longo da história. Desvendar os enigmas dos homens e mulheres que um dia deram vida a estes corpos tornou-se uma atividade científica das mais relevantes, visto que estuda-los nos permite entender, por exemplo, seu modo de vida, costumes, rituais religiosos e conhecimentos científicos de que dispunham na época. Ötzi é um destes achados magníficos que contemplam parte da história humana.

Momento da descoberta de Ötzi
                    Momento da descoberta de Ötzi

Conhecido também como Múmia do Similaun ou O Homem do Gelo, Ötzi é a múmia de um homem que viveu há cerca de 5.300 anos. Encontrada em 19 de setembro de 1991 pelo casal de montanhistas Helmut e Erika Simon numa geleira perto do monte Similaun na fronteira da Áustria com a Itália (há 3.210 metros acima do nível do mar), inicialmente parecia tratar-se de um cadáver recente de um alpinista como muitos outros descobertos frequentemente na mesma região devido ao frio no local; mas quando levado por autoridades para Innsbruck, na Áustria, sua verdadeira idade foi revelada.

Konrad Spindler, arqueólogo da universidade local, juntamente com uma equipe de pesquisadores, declarou que tratava-se de um cadáver pré-histórico. Segundo os estudiosos só foi possível encontra-lo devido a uma tempestade de poeira vinda do Saara que teria se combinado com um período excepcionalmente quente, derretendo assim o gelo e expondo a múmia (**Scientific American Brasil). A descoberta do cadáver milenar mumificado em condições naturais oferece um vislumbre sem igual da vida e hábitos dos homens europeus que viveram durante a Idade do Cobre (Wikipédia³).

Ötzi precede até mesmo as famosas múmias egípcias, equivalendo em idade apenas a Ginger ou Homem de Gebelein – múmia encontrada no Egito em 1896 – que teria vivido há 5.500 anos (Wikipédia¹). Tão impressionante quanto a idade de Ötzi foi o fato de ele ter sido encontrado ainda com suas roupas e pertences pessoais. “A impressionante preservação do corpo teria resultado de uma tempestade de neve que o protegeu dos abutres, seguida de rápido congelamento-ressecamento” (**Scientific American Brasil).

 

Quem foi Ötzi?

 

O Homem do Gelo – como ficou conhecido – foi chamado de Ötzi pelos pesquisadores em homenagem ao local de sua descoberta, o Vale de Ötztal (Tirol do Sul – província autônoma de Bolzano, Itália). Quando encontrado ele jazia caído de bruços sobre um rochedo, “o braço esquerdo dobrado para o lado direito, e a mão direita presa embaixo de uma pedra grande” (**Scientific American Brasil); suas roupas e objetos pessoais também encontravam-se em ótimo estado de conservação devido ao gelo e estavam espalhados a sua volta. Datações de carbono 14 feitas a partir de amostras de pele e ossos do cadáver e de vegetais encontrados junto a ele provam a idade milenar da múmia.

Múmia de Ötzi
                                    Múmia de Ötzi

A evidência botânica também sugere que Ötzi habitava numa aldeia ao sul dos Alpes onde o corpo fora encontrado. Um grande número de plantas floríferas e fungos associados à múmia crescem até hoje num sítio arqueológico do período neolítico descoberto num castelo da Idade Média localizado na extremidade sul de Schnalstal, em Juval (província de Bolzano, Itália), o que faz com que os pesquisadores creiam que este seja o lugar onde o homem do gelo vivia (**Scientific American Brasil). Amostras retiradas do estômago da múmia apresentaram um musgo que também cresce em Schnalstal, o que reforça ainda mais a teoria.

Vale Ötztal - Tirol do Sul, Itália
                             Vale Ötztal – Tirol do Sul, Itália

No entanto, “se Juval não for seu lar, vestígios de ocupação neolítica em locais bem próximos de Vinschgau (Val Venosta), o vale do rio Etsch (Adige), oferecem outras possibilidades. Em contraste, ao norte as aldeias conhecidas da Idade da Pedra que ficam mais próximas estão a dezenas de quilômetros” (**Scientific American Brasil), e não se sabe “da existência de nenhuma aldeia neolítica no Ventertal ou em qualquer outra região do Ötztal”, local da descoberta da múmia. “Se o lar de Ötzi era realmente na parte mais baixa do Schnalstal ou em Vinschgau, então sua comunidade vivia numa região de invernos amenos, curtos e geralmente sem neve, principalmente se, na época, o clima era um pouco mais quente” (**Scientific American Brasil).

Investigações feitas sobre a composição isotópica do esmalte dos dentes de Ötzi dão conta de que ele cresceu numa área, mas passou os últimos vinte ou trinta anos de sua vida em outro local, provavelmente no Ventertal (Áustria) ou nos vales próximos ao norte (**Scientific American Brasil). O fato é que a localidade que ele habitava permanece uma incógnita em sua história.

Núrya Ramos

 

 

Fontes:

¹https://pt.wikipedia.org/wiki/Ginger_(m%C3%BAmia)

³https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%96tzi

**http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/a_saga_revivida_de_otzi_o_homem_do_gelo.html

 

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setembro 24

Belzebu: da mitologia cananeia à quimbanda afro-brasileira

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Belzebu – cujo nome tem origem no hebraico e é derivado de Baal Zebul ou Baal Zebub, também conhecido como Belzebuth – é uma divindade maligna advinda das mitologias filisteia e cananeia que ganhou destaque na Bíblia em várias passagens em que é considerado o próprio Diabo. Belzebu é um amálgama de duas entidades poderosas bastante conhecidas das mitologias cananeia e fenícia:

Baal: senhor dos trovões, da agricultura e da fertilidade; deus associado à morte e à crueldade; possuía os mesmos atributos de Zeus (pai dos deuses e dos homens na mitologia grega) ou Odin (deus principal do clã dos deuses na mitologia nórdica);

Zebub: deus das moscas e da pestilência.

Segundo a mitologia Zebub e Baal eram inimigos, até que Baal aliou-se a grandes magos de seu tempo para derrotar Zebub. Na batalha épica entre os dois deuses Zebub foi derrotado e suas forças se expandiram pelo cosmo, o que deu origem a um grande abismo que acabou por sugar os dois unindo-os num único ser – Baalzebub, cujo poder excedia ao dos dois deuses antes inimigos. Seu espírito foi lançado ao inferno até que foi resgatado por Satã – o chefe dos anjos rebeldes.

No cristianismo moderno Belzebu é um dos nomes do próprio diabo. Na demonologia cristã ele é um dos sete príncipes do inferno, sendo a personificação da gula – um dos sete pecados capitais. É também referenciado como o “Príncipe dos Demônios, Senhor das Moscas e da Pestilência, Mestre da Ordem”. É conhecido como O Quarto, por ser o quarto demônio mais poderoso do inferno – sendo inferior apenas a Lúcifer, Satã e Belfegor. Ainda de acordo com esta demonologia, Belzebu seria irmão mais velho de Lúcifer – pertencente à geração de Behemoth, pai de Belial, um dos demônios mais poderosos (Wikipedia).

No evangelho de Marcos há a seguinte passagem: “Também os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: Ele está possuído por Belzebul: é pelo príncipe dos demônios que ele expele os demônios” (3, 22). Nesta passagem Jesus é acusado de estar possuído pelo próprio demônio e assim conseguiria expulsar demônios de outras pessoas possuídas; ao que o Messias se defende, pois não poderia agir contra o diabo se estivesse possuído pelo mesmo.

belzebuEmbora seja assim apresentado na Bíblia, Belzebu era uma divindade adorada pelos filisteus e cananeus na cidade bíblica de Ekron, localizada a cerca de 30km de Jerusalém. Os cananeus depositavam oferendas perecíveis a esse deus; e ao entrarem em estado de putrefação nos altares, eram imediatamente tomadas por moscas – fato que fez com que os judeus passassem a zombar da divindade estrangeira nomeando-o ‘senhor das moscas’.

Na Quimbanda – segmentação da umbanda – Belzebu, juntamente com Lúcifer e Astaroth forma uma tríade, maioral entre os Exus (exatamente o oposto da trindade divina). Os trabalhos desta entidade na Quimbanda são voltados a alta magia amorosa, financeira, trazendo dons na sabedoria da manipulação dos elementos do cotidiano, e sobre os altos escalões sociais. É ele quem distribui os dons e poderes aos outros exus e pombas giras.

Cultuado por povos antigos, Belzebu é uma figura mitológica presente há muitos séculos na história da humanidade. Ser híbrido – metade homem, metade bode – Belzebu instiga a mente pela maneira como é retratado: sua imagem (além de chamar atenção por ser a de um híbrido entre um humano e um animal) também remete à androginia (pois tem características masculinas e femininas), possui asas como as dos anjos, além de duas luas à sua volta, um pentagrama em sua testa e a presença de duas serpentes que parecem saídas de seu corpo. A mesma imagem é também utilizada para retratar Baphomet – divindade pagã de tradições ocultas.

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://www.a12.com/formacao/detalhes/conhecendo-a-biblia-jesus-e-belzebu

Belzebu, Satanás e Lúcifer – parte II

https://pt.wikipedia.org/wiki/Belzebu

https://portaildoinferno.wordpress.com/2011/04/09/a-historia-de-belzebu-senhor-das-moscas/

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setembro 22

Paisagem da janela

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Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um voo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal

Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Mas eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou

Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar
Eu apenas era

Cavaleiro marginal lavado em ribeirão
Cavaleiro negro que viveu mistérios
Cavaleiro e senhor de casa e árvores
Sem querer descanso nem dominical

Cavaleiro marginal, banhado em ribeirão
Conheci as torres e os cemitérios
Conheci os homens e os seus velórios
Quando olhava da janela lateral

Do quarto de dormir
Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal

Um cavaleiro marginal, banhado em ribeirão
Você não quer acreditar

Composição: Fernando Brant / Lô Borges

Intérprete: Lô Borges

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setembro 20

Encontrados no Japão anzóis de 23 mil anos

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A pesca se constitui uma das atividades humanas mais antigas de sobrevivência, e ao longo da história passou também a compor a identidade de muitos povos, fazendo parte de sua cultura, figurando na história bíblica, bem como tornando-se um ramo de comércio (há registros do comércio de bacalhau seco na era dos vikings há mais de 1.000 anos), chegando a atividade desportiva.

“Segundo cientistas, o período paleolítico (2,5 milhões a.C. até 10.000 a.C.), chamado também de Idade da Pedra Lascada, foi o período histórico que pode ser considerado o início da sofisticação” das práticas de pesca (Caça e Pesca.Info). Neste período, as primeiras ferramentas “esculpidas” pelos homens eram feitas de pedras e ossos e utilizadas como instrumento de caça e pesca.

O anzol, surgido também no Paleolítico, era feito de duas pontas aguçadas. No entanto, o anzol na forma como o conhecemos hoje, data do período Neolítico (10.000 a 4.000 a.C.) e era feito de osso, madeira ou concha; já o anzol metálico surgiu no Oriente em 5.000 a.C. quando o ferro e o cobre começaram a ser manipulados.

Agora, uma descoberta arqueológica, está mudando o que se sabe sobre o início da fabricação de anzóis e também sobre o manuseio e domínio de tecnologias que permitiram ao homem primitivo desenvolver este instrumento. Um grupo de pesquisadores afirmou ontem, segunda-feira (19/09/16), ter encontrado em uma ilha japonesa dois anzóis (foto acima) que já podem ser considerados os instrumentos de pesca mais antigos encontrados até agora.

“Os anzóis foram descobertos em uma gruta no sul da ilha de Okinawa há vários anos, explicou Masaki Fujita, diretor de pesquisas e conservador do Museu da Prefeitura de Okinawa” (G1). Porém somente agora foi concluído através de estudos que “a camada geológica que os abrigava se formou há 23 mil anos” (G1), indicou Fujita à AFP. A idade da camada geológica indica que os anzóis encontrados possuem a mesma idade, quiçá até sejam mais antigos.

“Os anzóis foram fabricados a partir de carapaças de caracóis e têm uma antiguidade equiparável a de outros utensílios de pesca similares encontrados em Timor, disseram os pesquisadores em um artigo publicado no periódico americano Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas). O estudo mostrou que as técnicas avançadas de pesca nesta zona do Pacífico são mais antigas do que se pensava, disse Fujita” (G1).

Descobertas como esta nos permitem perceber a trajetória evolucionista pela qual a humanidade vem passando ao longo da história. Olhar para o passado nos faz ver como nossos ancestrais manipularam a natureza a seu favor; o que nos fez chegar ao domínio tecnológico atual. Os homens primitivos, nossos ancestrais, merecem todo o crédito pelo legado que nos deixaram.

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://caca-e-pesca.info/historia-caca-e-pesca.html

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2016/09/anzois-encontrados-no-japao-tem-23-mil-anos.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pesca

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setembro 12

Ada Lovelace – a pioneira da programação

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Em homenagem ao Dia do Programador, celebrado neste ano no dia 12 de setembro por tratar-se de um ano bissexto – nos anos não bissextos comemora-se no dia 13 de setembro – vamos falar hoje da primeira programadora da história: Ada Lovelace.

Augusta Ada Byron nasceu em 10 de dezembro de 1815 em Londres, Inglaterra. Filha do famoso poeta George Gordon Byron (6º Barão Byron) – mundialmente conhecido como Lord Byron – e de Anne Isabella “Annabella” Milbanke, Baronesa Byron. Ao nascer, a pequena Augusta – assim batizada em homenagem à meia-irmã de Byron, Augusta Leigh – representava uma grande decepção, pois o pai esperava um menino. A menina é a única filha legítima do poeta; os outros filhos nasceram de relações extraconjugais.

Em 16 de janeiro de 1816, a pedido do marido, Annabella mudou-se para a casa de seus pais levando consigo a filha que então tinha apenas um mês de vida. Lord Byron não reivindicou a custódia da pequena Ada – nome dado por ele – como garantia na época a lei inglesa em caso de separação do casal; solicitou apenas que sua irmã o informasse sobre o bem-estar da menina. Em 21 de abril do mesmo ano, Byron assinou a separação e alguns dias depois partiu para sempre da Inglaterra.

Annabella passou então a acusar o ex-marido de comportamento imoral. As acusações contra o poeta voltavam sempre as atenções da sociedade vitoriana para a pequena Ada, tornando-a mais famosa a cada novo escândalo. Desde a separação Byron não viu mais a filha e nunca constitui um relacionamento com ela. Em 19 de abril de 1824, quando Ada tinha apenas oito anos, seu pai faleceu, aos 36 anos de idade em decorrência de febres contraídas no campo de batalha enquanto lutava na Guerra de Independência da Grécia.

Até que completasse vinte anos de idade Ada não foi autorizada a ver sequer um único retrato de seu pai; mantendo-se a mãe como sua única figura parental significativa. Em 1856, a ex-senhora Byron deixou finalmente o sobrenome do ex-marido e tornou-se Baronesa Wentworth.

A educação científica de Ada iniciou-se cedo, pois sua mãe – estudiosa de matemática – tratou de influenciar a filha no mesmo caminho a fim de que ela não trilhasse os passos do pai na poesia; rota que era julgada “insana” por Annabella. Assim como muitos aristocratas da elite londrina, a pequena Ada também foi educada por tutores pessoais, revelando desde a infância grande aptidão para as ciências exatas.

Ada Lovelace aos 19 anos. Pintura de Margaret Sarah Carpenter, 1836.
Ada Lovelace aos 19 anos. Pintura de Margaret Sarah Carpenter, 1836.

Na juventude, seus talentos matemáticos a levaram a travar uma relação de trabalho e de amizade com o também matemático Charles Babbage a respeito de seu trabalho particular sobre a Máquina Analítica. Aos 20 anos, Ada casou-se com o barão William King-Noel – nomeado em 1838, Conde de Lovelace – fato que a fez trocar o sobrenome do pai pelo do marido, passando a assinar então Augusta Ada King, conhecida como Condessa de Lovelace. Da união nasceram três filhos: Anne Blunt, Byron King-Noel e Ralph King-Milbanke.

“Em 1842, Charles Babbage foi convidado a ministrar um seminário na Universidade de Turim sobre sua máquina analítica. Luigi Menabrea, um jovem engenheiro italiano e futuro Primeiro-ministro da Itália, publicou a palestra de Babbage em francês e esta transcrição foi posteriormente publicada na Bibliothèque Universelle de Genève, em 1842” (Wikipedia). Durante este ano e o seguinte Ada traduziu para o inglês, a pedido de Babbage, o artigo de Menabrea sobre o motor complementando-o com um conjunto de sua própria autoria ao qual ela chamou de Anotações.

“Estas notas, que são mais extensas que o artigo de Menabrea, foram então publicados no The Ladies’ Diary e no Memorial Científico de Taylor sob as iniciais “AAL”” (Wikipedia). As notas contem um algoritmo criado para ser processado por máquinas, considerado por muitos o primeiro programa de computador. Ada “também desenvolveu uma visão sobre a capacidade dos computadores de irem além do mero cálculo ou processamento de números”  enquanto outros estudiosos do tema, incluindo o próprio Babbage focavam apenas nessas capacidades (Wikipedia). A Condessa de Lovelace também é dona de questionamentos sobre a Máquina Analítica e sobre como os indivíduos se relacionam com a tecnologia enquanto ferramenta de colaboração.

Em 27 de novembro de 1852, Ada morreu vítima de um câncer uterino aos 36 anos de idade e não pôde ver a máquina que ajudou a criar e sobre a qual trabalhou construída. Embora nunca tivesse tido um relacionamento com o pai, nem sequer o conhecido, foi enterrada a seu próprio pedido ao lado dele, na Igreja de Santa Maria Madalena em Nottingham, Inglaterra.

Réplica da Máquina Analítica de Charles Babbage
Réplica da Máquina Analítica de Charles Babbage

Em 1953, mais de cem anos após a morte da Condessa, suas notas sobre a Máquina Analítica foram republicadas, o invento foi reconhecido como o primeiro modelo de computador e as notas de Ada como a descrição de um computador e um software.

Suas notas foram classificadas alfabeticamente de A a G; nesta última Ada descreve o algoritmo para a máquina analítica computar a Sequencia de Bernoulli (sequencias de números racionais com profundas conexões na teoria dos números), o que é considerado o primeiro algoritmo criado especialmente para ser implementado num computador. Por estas razões, Ada Lovelace é considerada a primeira programadora da história.

Apesar de ter “decepcionado” o pai por nascer mulher, Ada Lovelace certamente teria sido motivo de orgulho para o poeta pela escritora e matemática que se tornou; tendo dado grandes contribuições para a evolução científica da humanidade. Assim como Byron, Ada também escreveu seu nome na história e dela não mais sairá.

Em 1982, uma linguagem de programação estruturada foi nomeada de “Ada” em homenagem à condessa. Anualmente, na segunda terça-feira do mês de outubro, celebra-se o Ada Lovelace Day – cujo objetivo é “lembrar os feitos do sexo feminino nas ciências, tecnologia, engenharia e matemática, assim como encorajar que mais mulheres sigam este caminho” (Olhar digital).

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://www.calendarr.com/portugal/dia-do-programador/

http://olhardigital.uol.com.br/noticia/conheca-ada-lovelace-a-1-programadora-da-historia/40718

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ada_Lovelace

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lord_Byron

https://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%BAmeros_de_Bernoulli

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