fevereiro 1

Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei

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Um amor de infância; uma amizade fiel. É assim para Pilar e seu melhor amigo. Mas após onze anos vivendo em lugares diferentes e mantendo contato apenas por cartas, os dois se reencontram em Madri; e todo o sentimento que havia sido guardado por tanto tempo, calado atrás de inúmeras correspondências reaparece com todo o seu vigor e força.

Ela sonhava passar em um concurso público, arranjar um bom emprego e um casamento estável; ele vivia entre as paredes de um mosteiro, em meio a preces, compromissos e milagres. Mas o encontro dos dois em Madri dará início a uma jornada breve, porém profunda; onde seus destinos dependem de uma única escolha: viver um amor há tempos cultivado ou abraçar uma vocação e planos rotineiros.

Neste livro, Paulo Coelho nos leva a reflexões profundas sobre os sonhos e o preço de nossas escolhas; a fé sem tabus e o encontro com Deus. Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei é um romance de 1994, de leitura atraente, agradável, enriquecedora e altamente reflexiva, onde amor, amizade, fé e devoção precisam encontrar um equilíbrio entre duas almas.

 

Núrya Ramos

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fevereiro 23

Água para Elefantes

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Embora já conhecido do grande público, estou aqui hoje para indicar o livro Água para Elefantes, de Sara Gruen. Publicado em 2006 nos EUA e lançado no Brasil em 2007 pela Sextante, a narrativa conta a história de Jacob Jankowski – um jovem estudante de veterinária que perde os pais num acidente automobilístico às vésperas de realizar as provas finais antes da formatura. Órfão, sem parentes e falido em decorrência das dívidas do pai, Jacob abandona sua casa e embarca clandestinamente em um trem durante a noite, que ele posteriormente descobre pertencer ao Circo Irmãos Benzini – O maior espetáculo da Terra.

Sem ter para onde ir e quase expulso do trem, Jacob é contratado para cuidar dos animais quando Tio Al – o diretor do circo – toma conhecimento de que o rapaz quase tornou-se um veterinário. A nova rotina muda totalmente a vida de Jacob – antes acostumado à quietude do interior. Tudo torna-se ainda mais novo quando ele conhece e se apaixona por Marlena, esposa de August (o treinador dos bichos) e grande estrela do show com os cavalos. Correspondido e proibido de viver seu amor, Jacob se encanta por Rosie – a elefanta comprada para salvar o circo da falência – e a ela dispensa seu afeto e proteção durante o correr dos dias.

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Levado às telas de cinema em 2011 pelo diretor Francis Lawrence, Água para Elefantes é estrelado por Robert Pattinson (no papel de Jacob Jankowski), Reese Witherspoon (como Marlena) e Christoph Waltz (August). Enquanto conta suas memórias Jacob faz uma viagem detalhada ao passado, dando ao leitor/espectador a sensação de estar de fato em um circo itinerante. O dia-a-dia circense e os fatos tristes que ocorrem longe dos olhos da plateia (como os maus tratos aos animais) também são vistos na obra.

Ao leitor deste blog que, porventura, ainda não tenha lido este romance ou não tenha visto o filme, vale a pena conferir cada um. Há muitas belezas no enredo de Água para Elefantes; nas palavras da própria autora “a vida é o maior espetáculo da Terra”.

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Water_for_Elephants_%28filme%29

http://pt.wikipedia.org/wiki/Water_for_Elephants

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dezembro 31

Nos Ombros do Cão

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“Não havia um só cão para espiá-lo fazer a barba, ou farejar seus pés sobre o cimento nu, olhos a espreitar de esguelha, zigue-zagues pelo pátio, arrastar de pernas, penas, botas, botinas, mágoas.
Não era domingo, e também não era noite para se tentar esconder as marcas dos corpos. Os cortes dos copos. Giletes. Estiletes. Pontas de facas.”

Assim se inicia o romance Nos ombros do cão de autoria do escritor mato-grossense Miguel Jorge. Como pano de fundo desta narrativa um dos períodos mais nebulosos da história brasileira: a ditadura militar. A trama em torno do assassinato de Ana – uma menina loira de olhos inocentes – pelo açougueiro do bairro – Gregório, o Galego – expõe uma época da vida brasileira onde os acontecimentos rotineiros e banais convivem com a repressão, a tortura, as prisões e os crimes do governo dos militares.
A obsessão de Galego por Ana, a luta de Masael – líder estudantil do Liceu de Goiânia, a perseguição dos governantes, o silêncio e ausência de Lilás – a mãe de Ana – são fios que conduzem o leitor a mergulhar nesta história carregada de mistérios, sofrimentos e sombras. Lançado em 1991 pela Editora Siciliano e vencedor do Prêmio Biblioteca Nacional, Nos ombros do cão é um romance denso, forte e envolvente, que perscruta o que há de mais profundo e aterrorizante no ser humano.
Numa época em que as perseguições, o jogo de interesses e os desmandos do governo ditavam os rumos da vida da população, a luta incessante por justiça e a busca incansável por liberdade não surgem como meros figurantes, e sim, como elementos cruciais desta estória que envolve e sensibiliza o leitor. Nos ombros do cão é uma excelente obra literária que proporciona a quem mergulha em seu universo se sentir como se personagem da obra fosse.

Núrya Ramos

Fonte:
JORGE, Miguel. Nos ombros do cão. São Paulo, Siciliano, 1991.

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