junho 21

A ponta do iceberg

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Se você é daquelas pessoas que acha que conhece e entende tudo que se passa ao nosso redor do ponto de vista político, saiba que você, amigo(a) leitor(a), está profundamente enganado. Por mais informado(a), atualizado(a) e “antenado”(a) que possas ser, você, eu e todos nós estamos longe de conhecer e compreender a nossa real situação por completo. E por quê isto acontece??? Por algo que chamo de ‘discurso autorizado pelo poder’. Vivemos numa sociedade onde quase nada (ou nada mesmo) é exatamente o que pensamos ser e como pensamos ser.

Mas o que significa exatamente esta expressão? Bem, o discurso autorizado pelo poder é nada mais do que aquilo que é permitido ser publicado, informado, levado ao conhecimento do grande público. Liberdade de imprensa, por exemplo, é uma expressão belíssima que representa a notícia limpa, sem máscara, o jornalismo honesto e decente, mas as coisas não são sempre assim. O que mais se vê são TVs, jornais, e vários outros meios de comunicação, atendendo a interesses político-partidários quando se trata da não divulgação de escândalos envolvendo corrupção, abuso de poder, desvios de verba e etc. Sem falar em “jornalistas” que se propõem a ‘limpar’ a imagem de certos políticos criminosos quando “vaza” alguma notícia que “deveria” ter sido mantida nos bastidores.

Números são divulgados incorretamente, ex: repasses de verba pública, custos de obras, índices de mortalidade, e etc.; notícias são manipuladas ao bel-prazer de quem será atingido por elas e mais etc. Aquilo que é dito nas tribunas, no parlamento e em meios midiáticos nem sempre corresponde à realidade. As famosas promessas de campanha são feitas apenas a título de iludir a população com garantias de coisas que nunca serão cumpridas na realidade, para que o povo se conforme mais uma vez em escolher aquele candidato ‘menos ruim’ dentre os piores (já que encontrar um bom candidato é tarefa um tanto quanto difícil).

Já experimentamos a ditadura (os famosos anos de chumbo), o exílio, a tortura, a repressão, a violência militar, as mortes, os desaparecimentos; hoje experimentamos a ‘democratura’ – como sabiamente diz o MC Léo Carlos, morador de um bairro periférico de Salvador (BA), ao se referir à ditadura travestida de democracia. A manipulação da realidade e da mente do cidadão (especialmente do eleitor não escolarizado o suficiente para entender ao menos a mínima parte do que lhe afeta) são os grandes guias da cena política que é montada aos nossos olhos. E não são apenas políticos envolvidos neste tipo de engodo, existem também grandes empresários, banqueiros, entre outros.

Por isso, caro(a) amigo(a), se você não faz parte deste complexo e intrincado sistema, deste jogo de poder entre os que comandam o cenário político e financeiro, sinto informar, mas você (assim como todos os que estão nesta condição) desconhece a verdade por trás dos fatos, desconhece aquilo que não foi permitido ser escrito, falado, noticiado. Se já nos decepcionamos com o pouco que sabemos, imagine se tomássemos conhecimento da totalidade do abismo e da complexidade da teia em que fomos lançados.

Núrya Ramos

P.S.: este artigo é fruto de minhas observações enquanto leitora, espectadora e cidadã deste país; por esta razão o mesmo não apresenta fontes ou referências de qualquer natureza.

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maio 13

O povo brasileiro e a síndrome do conformismo

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Ano: 2014. Século: XXI. O tempo passa, a tecnologia avança, os problemas sociais mudam de “roupa”, e o povo brasileiro continua sofrendo da síndrome do conformismo. O problema é que nossa conformidade está relacionada às coisas mais graves do cotidiano. Este artigo não está embasado em dados concretos, pesquisas científicas; e sim, na convivência diária que tenho com inúmeras pessoas em todos os meios possíveis; o motivo deste artigo é nada mais do que minha inquietação pessoal (e que quero compartilhar com você leitor) com a maneira que a maioria de nós vê as desgraças do dia a dia.

Quem nunca ouviu as seguintes frases (?): “Munícipio tal está pior do que o nosso”, “Pelo menos aqui tem hospital”, “Pior é na cidade X, que nem médico ou escola tem”, “Rouba, mas faz”, “Pelo menos paga o salário em dia”, etc., etc., etc. Nosso povo sofre de uma “doença” que parece não ter cura: o conformismo com a nossa desventura. Quando se fala de algo que vai mal na cidade ou no país, alguém surge com um dos textos acima; como se o fato de o município ou o estado vizinho estar numa situação pior fosse motivo pra pensar: ‘Apesar de tudo até que estamos bem’ ou ‘Podia ser pior’.

E é em pensamentos como esses que o mau político se apoia e constrói seu império de desmando, corrupção, abandono e mazelas. A cada vez que um cidadão se conforma com o que há de ruim na sociedade perdemos a chance de mudança; perdemos a chance de raciocinar sobre a situação do país, de pensar como os maus políticos “lavam” a cabeça de seus eleitores de todas as maneiras; perdemos a chance de fiscalizar o poder público, de questionar onde está o nosso dinheiro (fruto do nosso trabalho, nosso suor), de averiguar por que as obras tão alardeadas em período eleitoral não saíram das cartilhas dos candidatos; perdemos a chance de exercer cidadania.

Precisamos entender que não é porque o município onde residimos tem hospitais, escolas e o município vizinho não tem que devemos nos conformar com o fato de ter um governante que ‘rouba, mas faz’. A população precisa perceber que o problema de um também é problema de todos; e que enquanto houver uma única cidade que esteja sendo assolada por todo tipo de mazela não temos motivo pra nos conformar com nada. Dar-se por satisfeito em meio ao caos é um dos sintomas desse mal que nos acomete; que mesmo parecendo não ter cura, tem sim tratamento.

Pagar salário em dia é apenas uma das obrigações de um representante do poder executivo; construir, reformar, equipar instituições públicas e fazê-las funcionar de maneira eficaz é obrigação do poder público; não há nada de bondoso nisso. Políticos são servidores públicos; pessoas que se candidatam por livre e espontânea vontade a um cargo remunerado para o exercício de determinada função. Não são heróis, não são divindades; são apenas funcionários da sociedade.

Não há motivos para continuarmos presos ao pensamento de que ‘pelo menos’ temos alguma coisa. Precisamos internalizar a certeza de que merecemos tudo a que temos direito e que é garantido constitucionalmente, e entender, de uma vez por todas que a mudança somos nós quem fazemos; e que quem realmente detém este poder somos nós. Fingir que estamos bem enquanto a criminalidade aumenta, a impunidade se prolifera, o descaso com a população cresce a dados alarmantes é iludir-se sobre a própria condição. Mas, infelizmente, enquanto o caos se alastra muitos de nós continuam na praça dando milho aos pombos.

Núrya Ramos

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março 22

Benefícios parlamentares: a hipocrisia veste Armani

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2014 – ano eleitoral. Mais uma oportunidade de mudança sobre o que aí está. Oportunidade de retirar do poder as corjas imundas que desviam dinheiro público em nome da construção do patrimônio pessoal; oportunidade de nos livrar das oligarquias e de cair de vez na realidade: ‘eles’ não são nossos patrões; são empregados do país como qualquer outra pessoa que presta serviço público a esta nação. Vendo e revendo as mesmas críticas dos defensores do Estado neoliberal contra uma certa peculiaridade do governo atual (me refiro às Bolsas), veio-me uma comparação “singela” e digna de ser tratada. Os neoliberais e opositores do governo em questão criticam a existência das Bolsas por motivos como: fomento da preguiça generalizada, diminuição da busca por trabalho remunerado, etc. Não estou aqui para defender a existência das Bolsas; critico a hipocrisia de governantes e legisladores que apresentam verdadeira repulsa aos auxílios, quando também os tem. Explicarei meus motivos. Partindo da premissa de quanto valem os políticos brasileiros aos cofres públicos – citarei apenas algumas classes como exemplo. Veja os números:

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