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Crepúsculo dos Ídolos

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Crepúsculo dos Ídolos ou Como filosofar a marteladas, trata-se da penúltima obra do famoso filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), escrita e impressa em 1888 antes de o escrito ser acometido por um colapso mental em 1889. Nietzsche caracterizou esta sua obra como uma espécie de aperitivo destinado a instigar seus leitores a acompanhar e decifrar sua filosofia.

Nesta obra o filósofo “se lança contra os “ídolos”, as ilusões antigas e novas do Ocidente: a moral cristã, os grandes equívocos da filosofia, as idéias e tendências modernas e seus representantes” (Wikipédia). Composta de vários temas como o materialismo e a abordagem psicológica de artistas e pensadores, a obra se dispõe a mostrar a fragilidade dos ídolos quando usa da imagem figurativa do martelo na tentativa de mostrar a ausência de conteúdo dos mesmos.

Partindo da constatação de que “há mais ídolos do que realidades no mundo” e do pensamento de Sócrates em relação à destruição dos “ídolos” de sua época, o filósofo se põe a “aniquilar tudo aquilo que julga serem ídolos falsos, ocos e decadentes” (LPM); e reforça o chamamento da humanidade ao senso crítico e à tomada de posição, quando diz: “Que não sejamos covardes em relação aos nossos atos! Que não os abandonemos uma vez consumados! – O remorso é indecente.” – pensamento que claramente critica a omissão e a cegueira humanas.

Núrya Ramos

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Crep%C3%BAsculo_dos_%C3%8Ddolos

http://www.lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=526091&ID=825260

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abril 1

Hipácia – a representação da mulher na célebre Alexandria

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“Reserve o seu direito a pensar, mesmo pensar errado é melhor do que não pensar.”
―Hipácia

 

Hipácia (ou Hiipátia; em grego: Υπατία) nasceu em Alexandria (cidade do Egito fundada por Alexandre da Macedônia, conhecido como Alexandre, O Grande) por volta do ano 355 d.C. ou 370 d.C. Filha de Theon, famoso filósofo, astrônomo e mestre de matemática no Museu daquela cidade, Hipácia cresceu guiada pelo pai nos estudos da Matemática e da Filosofia num ambiente onde se respirava cultura. Seu pai “acreditava no ideal grego da ‘mente sã em um corpo sadio’ (‘men sana in corpore sano’) estimulando a filha a exercitar tanto a mente como o corpo; contam as lendas que ele desejava torna-la ‘um ser perfeito’”: a antiga aspiração helênica.

Na antiguidade, Alexandria era um berço de cultura e livre expressão, porém na época do nascimento de Hipácia, “a cidade encontrava-se em uma disputa entre a Igreja Católica, que crescia em poder rapidamente, e as correntes filosóficas que punham em cheque as doutrinas da nova religião” (Teoria da Conspiração). Hipácia cursou a Academia de Alexandria e, com o tempo e o domínio das mais distintas áreas (matemática, astronomia, filosofia, religião, poesia, artes, oratória e retórica), transcendeu as conquistas do próprio pai, Theon.

“Na adolescência ela foi para a cidade de Atenas, atual capital da Grécia, com o objetivo de concluir seus estudos na Academia Neoplatônica. Hipácia logo ficou em relevo, por suas tentativas de unir a matemática do algebrista Diofanto ao neoplatonismo de Plotino” (InfoEscola). De volta à sua terra natal, tornou-se professora na Academia em que havia estudado, conquistando justamente a cadeira anteriormente ocupada por Plotino. Ao completar 30 anos, Hipácia já atingira o posto de diretora da célebre Academia de Alexandria. Ao longo deste tempo ela criou várias obras e se popularizou por resolver intrincadas questões da matemática, socorrendo cientistas perdidos na resolução de problemas. Hipácia nunca contraiu matrimônio, pois se considerava unida à procura pela verdade.

Tornou-se a maior pesquisadora de Alexandria nos campos da matemática e filosofia em sua época. “Um dos seus alunos foi o notável filósofo e bispo Sinésio de Cirene (370 – 413), que lhe escrevia frequentemente, pedindo-lhe conselhos. Através destas cartas, sabemos que Hipácia desenvolveu alguns instrumentos usados na Física e na Astronomia, entre os quais o hidrômetro” (Wikipedia), o astrolábio plano e o planisfério. Um de seus alunos Hesíquio o hebreu, escreveu:

“Vestida com o manto dos filósofos, abrindo caminho no meio da cidade, explicava publicamente os escritos de Platão e de Aristóteles, ou de qualquer filósofo a todos os que a quisessem ouvi-la… Os magistrados costumavam consulta-la em primeiro lugar para administração dos assuntos da cidade”.

O fim trágico de Hipácia começou a se desenhar a partir de 412 d.C., quando Cirilo (um cristão fanático, árduo defensor da Igreja e acirrado adversário dos que ele considerava serem hereges) foi nomeado Patriarca de Alexandria, título de dignidade eclesiástica, usado em Constantinopla, Jerusalém e Alexandria. Cirilo lutou toda a vida defendendo a ortodoxia da Igreja e combatendo as heresias, sobretudo o Nestorianismo, que negava a Divindade de Jesus Cristo e a Maternidade Divina de Maria. Desta maneira, Hipácia tornou-se um alvo fácil para Cirilo, por possuir as características dos “hereges” de sua época, principalmente sua crença neoplatônica, sua religiosidade vista como pagã e seus pontos de vista sobre o Cosmos.

Em uma tarde de 415 d.C. (especula-se que a data seja 8 de março), retornando do Museu para casa, Hipácia “foi abordada por uma turba de cristãos furiosos que a arrancaram de sua carruagem, arrastaram-na para uma igreja e lá rasgaram-lhe as roupas deixando-a completamente nua e assim puseram-se a retalhar seu corpo esfolando-lhe a carne de seus ossos utilizando para isso cascas de ostras afiadas. Por fim desmembraram-lhe o corpo e o atiraram às chamas” (Teoria da Conspiração).

O assassinato de Hipácia marcou a queda da vida intelectual, da liberdade e do conhecimento filosófico em Alexandria. Em 642, a Biblioteca foi destruída supostamente num incêndio. Milhares de obras se perderam para sempre neste evento que varreu uma gama incontável de escritos cujos ensinamentos certamente nos seriam muito úteis. Quantas obras da própria Hipácia podem ter se perdido com a destruição da Biblioteca não saberemos afirmar; os poucos registros dela sobreviveram por se tratarem de correspondências que se encontravam fora das paredes da Biblioteca de Alexandria.

Numa época em que era impensável para mulheres exercer as funções que Hipácia exerceu e dominar o conhecimento que ela possuía, esta mulher nutriu a Alexandria e a Grécia com seu saber e ensinamentos; porém sua voz foi violentamente calada e seu legado quase varrido permanentemente da história. No entanto, nem a Igreja Católica nem o incêndio, foram capazes de apagar Hipácia da história científica e cultural da humanidade. Conhecida por sua inteligência, a filósofa permanece viva e ao alcance de todos aqueles que buscam conhecimento constantemente. Hipácia não só representa o sexo feminino colaborando com a cultura e a busca pelo saber, como também se configura um símbolo daqueles que são vítimas da intolerância dos que à força querem impor suas crenças, seu poder. À frente da famosa Biblioteca de Alexandria, ela deixou seus ensinamentos para a posteridade, entre eles “O Cânone Astronômico”. Quase dois mil anos após sua morte, Hipácia é lembrada como uma mulher forte e determinada, à frente de seu tempo. O cientista Carl Sagan (1934 – 1996) cita (em sua obra Cosmos) a filósofa e matemática como a última cientista de Alexandria.

 

“Compreender as coisas que nos rodeiam é a melhor preparação para compreender o que há mais além”
―Hipácia

Núrya Ramos

Fontes:

http://www.infoescola.com/biografias/hipatia/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%A1tia

http://www.deldebbio.com.br/2010/02/15/hipatia-de-alexandria/

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