abril 20

O Senhor dos Anéis e O Hobbit: o fascinante universo mítico de J. R. R. Tolkien

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As palavras hobbit, terra média, anel e etc., são suficientes pra deixar os fãs de cinema em polvorosa quando se trata de duas das trilogias mais conhecidas e amadas da sétima arte: O Senhor dos Anéis e O Hobbit. No entanto, pra quem não conhece ou não viu os filmes (mas certamente já ouviu falar), é um pouco complicado entender o motivo de tanto fascínio. É sobre isso que trataremos neste post: as razões do encanto e fascinação exercidos nestas obras sobre o grande público. Pra começar vamos falar da mente genial que deu origem a tudo isso: J. R. R. Tolkien.

Quem foi J. R. R. Tolkien?

John Ronald Reuel Tolkien – conhecido mundialmente como J. R. R. Tolkien – nasceu na África a 3 de janeiro de 1892; mudou-se com a família aos três anos de idade para a Inglaterra onde, posteriormente, naturalizou-se britânico; e veio a falecer a 2 de setembro de 1973, aos 81 anos. Em 1908 conheceu Edith Bratt, com quem se casou anos mais tarde e teve quatro filhos. Foi escritor, professor universitário e filólogo, tendo recebido o título de doutor em Letras e Filologia pela Universidade de Liége e Dublin em 1954.

J. R. R. Tolkien
J. R. R. Tolkien

Tolkien é autor das obras: O Hobbit, O Senhor dos Anéis, O Silmarillion, Sir Gawain and the Green Knight, Mestre Gil de Ham, As Aventuras de Tom Bombadil, Smith of Woothon Major, Sobre Histórias de Fadas, entre outros, sendo as três primeiras as mais famosas.  Em 1972, o escritor recebeu uma das maiores honras britânicas: a Ordem do Império Britânico, conferida pela Rainha Elizabeth, tornando-se então Sir John Ronald Reuel Tolkien.

Residência de Tolkien e sua esposa
Residência de Tolkien e sua esposa

As influências sobre Tolkien

A vida rural em Sarehole, ao sul de Birmingham, onde Tolkien passou parte da infância, inspirou a criação do Shire – o famoso Condado onde vivem os hobbits. Apresentado na infância por sua mãe, Mabel, a contos de fadas em línguas estrangeiras (latim e grego), o jovem Tolkien passou a estudar, além destes idiomas, outros quatorze, incluindo o finlandês – que veio a servir de base para a criação do Quenya – e o galês – base para o Sindarin (ambos idiomas élficos).

O Condado
O Condado

O escritor foi muito ligado a sociedades, onde o tema principal era a literatura; fato este que o ajudou a criar suas obras. Numa destas sociedades, The Coalbiters (dedicada à literatura nórdica), Tolkien tinha como companheiro e amigo C.S. Lewis – o autor de As Crônicas de Nárnia. Lewis foi o primeiro a ser apresentado à obra O Senhor dos Anéis.

O início do sucesso

A ideia do sucesso O Hobbit veio quando Tolkien examinava documentos de alunos que desejavam ingressar na Universidade; sobre isto o autor declarou: “Um dos alunos deixou uma das páginas em branco – possivelmente a melhor coisa que poderia ocorrer a um examinador – e eu escrevi nela: Em um buraco no chão vivia um hobbit, não sabia e não sei por quê”.

Casa de Bilbo Bolseiro
Casa de Bilbo Bolseiro

A partir desta frase iniciou-se a obra já citada, onde a aventura do personagem principal Bilbo Bolseiro, ao lado do mago Gandalf e de um grupo de 13 anões, rendeu tamanho sucesso que o autor foi sondado sobre novas obras. Tolkien ofereceu O Silmarillion, que veio a ser recusado por Stanley Unwin, fundador da Allen & Unwin, empresa que publicou O Hobbit. Mesmo com a recusa, o autor concordou em continuar com a saga dos habitantes do Condado; e após doze anos de trabalho estava concluída a obra de maior sucesso de Tolkien: O Senhor dos Anéis.

O Senhor dos Anéis

Os primeiros rascunhos da obra datam de 1937, mas o perfeccionismo de Tolkien fez com que a obra só fosse entregue à editora em 1949. Em 1954 foram publicados A Sociedade do Anel e As Duas Torres; já em 1955 foi lançado O Retorno do Rei – o terceiro e último volume da saga. Avesso à tecnologia, Tolkien acreditava que a dominação dela sobre o homem nos traria sofrimento; pensando desta maneira, o escritor coloca o dilema sobre o uso ou não do poder como tema central da saga O Senhor dos Anéis, onde O Um Anel – instrumento máximo de poder – corrompe o coração dos homens e os faz cometer qualquer sorte de atrocidades em seu nome.

O Um Anel
O Um Anel

A saga gira em torno da destruição do Anel, missão que é dada a Frodo, personagem principal desta aventura – um hobbit do Condado, sobrinho de Bilbo Bolseiro, vivido na versão cinematográfica pelo ator Elijah Wood. A obra foi traduzida para mais de 40 línguas e já vendeu mais de 160 milhões de cópias vindo a tornar-se um dos trabalhos mais populares no campo da literatura no século XX. Segundo o cineasta George Lucas, a obra inspirou a criação da famosa saga Star Wars.

O fantástico universo de Tolkien

Toda a mitologia criada pelo autor arrasta o leitor ou espectador para dentro do universo por ele idealizado. A Terra Média – mundo imaginado por Tolkien baseado numa Europa mitológica – é habitada por várias espécies: humanos, hobbits, elfos, anões, orcs, trolls e dragões. Personagens míticos como os magos (entre eles Gandalf) e criaturas sobrenaturais – como Sauron, o senhor do escuro, e Smeagol, um hobbit transformado em uma criatura repulsiva após ser corrompido pelo O Um Anel – também coexistem com as outras espécies neste universo surreal.

Smeagol
Smeagol

Dividida em territórios como o Condado, Valfenda, a Cidade do Lago, Minas Tirith, Mordor e Isengard, a Terra Média sedia as batalhas seculares pela posse do Anel e também por sua destruição. Linhagens reais como a dos homens, cujo herdeiro é Aragorn (personagem de grande importância na trama de O Senhor dos Anéis; um homem que, embora pertença à realeza, não hesita em lutar ao lado de seus companheiros para devolver a paz à Terra Média, enfrentando Sauron e seus exércitos) também não poderiam faltar na composição de uma obra de fantasia e surrealismo.

Mapa da Terra Média
Mapa da Terra Média

Versões cinematográficas 

Lançada no período de 2001 a 2003, a trilogia O Senhor dos Anéis (no original The Lord of The Rings) dirigida por Peter Jackson faturou cerca de 3 bilhões de dólares em bilheteria e foi premiada com 17 Oscars dos 30 aos quais os filmes foram indicados. Com um orçamento estimado em $280 milhões, a trilogia levou oito anos para ser produzida, tendo sido filmada simultaneamente na Nova Zelândia, cujas locações representam o cenário idealizado pelo autor.

Aclamada pela crítica e pelo grande público, a saga inicia-se com o filme A Sociedade do Anel, onde uma sociedade composta por 5 membros se dispõe a acompanhar, proteger e guiar Frodo – possuidor do Um Anel e portador da missão de destruí-lo na Montanha da Perdição onde o mesmo foi forjado. Porém, no percurso, a sociedade se desfaz e Frodo segue acompanhado apenas de seu fiel amigo Samwise Gamgee (Sean Astin).

Cena de A Sociedade do Anel
Cena de A Sociedade do Anel

Em As Duas Torres Frodo continua sua odisseia pela destruição do um anel guiado por Smeagol (Andy Serks); o filme inicia-se com a morte de Boromir (Sean Bean) ao defender os hobbits do ataque dos orcs. Gandalf, vivido por Ian MacKellen, reaparece agora como o mago branco e continua a lutar para que o um anel e Sauron sejam destruídos. Em O Retorno do Rei Sauron planeja um ataque à Minas Tirith, capital de Gondor; o rei Theoden (Bernard Hill) de Rohan reúne um exército auxiliado por Aragorn (Viggo Mortensen) e Legolas (Orlando Bloom) para destruir as forças de Sauron.

Aragorn e Arwen em O Retorno do Rei
Aragorn e Arwen em O Retorno do Rei

Com um elenco de peso que arrebanha nomes como Christopher Lee (Saruman) – o único do elenco a ter conhecido Tolkien pessoalmente -, Liv Tyler (Arwen) e Cate Blanchett (Galadriel), a trilogia reproduz os cenários imaginados por Tolkien fazendo com que o espectador mergulhe em seu universo mágico e fascinante.

Já a trilogia O Hobbit (no original The Hobbit) é fruto do livro homônimo escrito por Tolkien. Nesta obra o autor conta a história que se passa antes da saga pela destruição do um anel e que deu origem à trilogia O Senhor dos Anéis. O diretor (e aqui coescritor) Peter Jackson subdividiu a obra em três filmes distintos que explicam a história desde seu início e muito colaboram para que o espectador entenda melhor os filmes antes lançados.

o hobbit cartaz

Em 2012 o público é agraciado com o primeiro filme da nova trilogia intitulado O Hobbit: Uma Jornada Inesperada; a obra é a primeira aventura de Bilbo Bolseiro ao lado do mago Gandalf e de um grupo de anões liderados por Thorin Escudo-de-Carvalho. Em 2013 é lançado o filme de subtítulo A desolação de Smaug, onde o dragão que dá nome ao longa já se apoderou do reino e do tesouro dos anões; Bilbo (que havia sido recrutado para colaborar com os anões no primeiro filme) mantem-se ao lado da Companhia que visa recuperar e devolver o reino de Erebor a Thorin, seu legítimo herdeiro.

o hobbit 1

Em 11 de dezembro de 2014 é lançado nos cinemas brasileiros, O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos; o último filme das aventuras de Bilbo Bolseiro ao lado de Gandalf, Thorin e a Companhia dos Anões. O Hobbit e O Senhor dos Anéis tiveram seus direitos para as versões cinematográficas vendidos ainda no final dos anos 1960 – antes da morte de Tolkien. O restante das obras do autor só poderão virar longas se os herdeiros de Tolkien autorizarem a reprodução.

Por que O Senhor dos Anéis e O Hobbit encantaram o mundo

Para os críticos de cinema e os fãs das obras de Tolkien não é difícil entender como e porque este africano naturalizado britânico encantou o mundo. Tolkien não escreveu apenas livros, ele deu de presente a seus leitores todo um universo cuja riqueza de detalhes é incomparável. Suas histórias são dotadas de grande sentido, lições e aventuras temperadas com algo que causa nos espectadores de suas obras um frenesi sem igual, um insaciável sentimento de continuidade.

Cena de As Duas Torres
Cena de As Duas Torres

O encantamento é inevitavelmente sentido quando se percebe que as obras tolkienianas influenciaram outras obras mundo afora. O Led Zeppelin é provavelmente o grupo musical mais famoso a apresentar referências às obras em suas músicas; ao menos em três delas o conteúdo referente à obra é explícito. A cantora Enya chegou a compor duas músicas para o primeiro filme da trilogia O Senhor dos Anéis – uma delas cantada em idioma élfico. Os jogos de RPG surgidos entre 70 e 80 também mostram forte influência das obras de Tolkien e o ambiente medieval por ele criado. Possivelmente o mais famoso dos jogos de RPG baseado nas obras de Tolkien é Dungeons & Dragons, cuja série animada homônima é exibida no Brasil sob o título Caverna do Dragão.

Aguçar a curiosidade do público, transportar o espectador para um tempo e espaço totalmente distintos dos quais vivemos – uma era medieval onde batalhas entre o bem e o mal são travadas constantemente e várias espécies coexistem no mesmo espaço; unir fantasia, mitologia, cultura e valores morais em suas aventuras são apenas alguns dos motivos pelos quais os fãs se apaixonaram por Tolkien e suas obras. Nos livros deste homem não há limites para a imaginação; e seus fãs, não importa a idade que tenham, simplesmente embarcam, viajam, emocionam-se, desejam travar as batalhas que veem nas cenas.

frodo e o anel

Tolkien permite que o espírito de seus fãs se liberte do que é convencional e os carrega para um universo paralelo onde a magia, a fantasia e a beleza do que é surreal são os elementos que conquistam o espectador a partir da óptica de que tudo é possível se você simplesmente sonhar.

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/J._R._R._Tolkien

http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Senhor_dos_An%C3%A9is

http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Senhor_dos_An%C3%A9is_%28s%C3%A9rie_de_filmes%29

http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Hobbit:_An_Unexpected_Journey

http://www.terra.com.br/diversao/cinema/infograficos/senhor-dos-aneis/

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outubro 2

Um Passe de Mágica

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Em Um Passe de Mágica (obra escrita em 1952, de autoria da “Rainha do Crime” – como é conhecida a célebre romancista policial britânica Agatha Christie), temos mais uma aventura de Miss Marple (famosa personagem presente em outras obras de Agatha). Quando convidada pela velha amiga Ruth a fazer companhia por uns dias à sua irmã Carrie Louisie, Miss Marple nem imagina o que encontrará ao chegar em Stonygates – antiga mansão de Carrie onde ela reside com sua família.

Além da numerosa família e empregados, a casa ainda abriga uma escola-reformatório – onde existem crianças carentes e delinquentes juvenis. É neste cenário que Miss Marple depara-se com 03 crimes: o marido de Carrie sofre uma tentativa de assassinato, o enteado dela é morto e há a suspeita forte de que a própria Carrie Louisie esteja sendo envenenada.

Carregando a marca de Agatha em sua trama inteligente, bem tecida e com finais inesperados, Um Passe de Mágica proporciona ao leitor o suspense dos bons romances policiais sem cair na mesmice. Ao mergulhar na trama, é possível sentir-se como a própria Miss Marple: unindo pistas para solucionar um quebra-cabeças e desvendar a identidade do assassino. Solucionar o estratagema deste livro pode não parecer tão fácil, mas há que se lembrar sempre dos truques simples que dão vida à mágica.

Núrya Ramos

 

Fonte:

CRISTIE, Agatha. Um passe de mágica. 1ª. ed. Nova Fronteira: L&PM Pocket, Porto Alegre, 2006.

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