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Crepúsculo dos Ídolos

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Crepúsculo dos Ídolos ou Como filosofar a marteladas, trata-se da penúltima obra do famoso filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), escrita e impressa em 1888 antes de o escrito ser acometido por um colapso mental em 1889. Nietzsche caracterizou esta sua obra como uma espécie de aperitivo destinado a instigar seus leitores a acompanhar e decifrar sua filosofia.

Nesta obra o filósofo “se lança contra os “ídolos”, as ilusões antigas e novas do Ocidente: a moral cristã, os grandes equívocos da filosofia, as idéias e tendências modernas e seus representantes” (Wikipédia). Composta de vários temas como o materialismo e a abordagem psicológica de artistas e pensadores, a obra se dispõe a mostrar a fragilidade dos ídolos quando usa da imagem figurativa do martelo na tentativa de mostrar a ausência de conteúdo dos mesmos.

Partindo da constatação de que “há mais ídolos do que realidades no mundo” e do pensamento de Sócrates em relação à destruição dos “ídolos” de sua época, o filósofo se põe a “aniquilar tudo aquilo que julga serem ídolos falsos, ocos e decadentes” (LPM); e reforça o chamamento da humanidade ao senso crítico e à tomada de posição, quando diz: “Que não sejamos covardes em relação aos nossos atos! Que não os abandonemos uma vez consumados! – O remorso é indecente.” – pensamento que claramente critica a omissão e a cegueira humanas.

Núrya Ramos

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Crep%C3%BAsculo_dos_%C3%8Ddolos

http://www.lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=526091&ID=825260

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março 23

Deus: a desculpa preferida dos intolerantes

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Deus não gosta!”, “Isso é pecado!”, “Deus não aprova!”, “Irá para o inferno!”, “Deus repudia!” – essas são algumas frases do discurso dos intolerantes; daqueles que não toleram o que é diferente deles próprios. Infelizmente, em pleno século XXI, o atraso evolutivo ainda domina muitas mentes. É lamentável ver pessoas utilizando a imagem de uma entidade divina pra justificar seus atos preconceituosos, racistas e patéticos! Vide o caso do deputado federal Marco Feliciano: à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias durante o ano de 2013, “Feliciano conseguiu aprovar projetos para serem enviados ao plenário, como a “cura gay”, a suspensão da resolução do CNJ que garante que a união civil homoafetiva seja reconhecida em cartórios(Último Segundo). O projeto da “cura gay”, felizmente, foi arquivado. Em nome do Conselho Federal de Psicologia (CFP), o conselheiro Celso Tondin lamentou a aprovação da proposta apelidada de “cura gay” no âmbito da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. […] Para o conselheiro, a aprovação da decisão fragiliza os homossexuais, legitima a perseguição e estimula a violência.” (Estadão).

O deputado também deu inúmeras declarações esdrúxulas. Por exemplo: declarou publicamente que o cantor Dinho da banda Mamonas Assassinas se vendeu ao Diabo e por isso Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças” (Wikipedia). Se o deputado não gosta das músicas da saudosa banda – tudo bem; cada um tem suas preferências musicais; mas daí a afirmar algo dessa natureza é no mínimo um desrespeito aos familiares dos rapazes mortos em 1996 numa fatalidade aérea. Para Marco Feliciano, músicas como as dos Mamonas são motivos suficientes para Deus tirar a vida de rapazes talentosos; deixando mães, pais, irmãos e entes queridos, com uma dor que nunca se apagará e um vazio que nunca será preenchido. Para pessoas como o deputado, Deus é uma entidade vingativa: se não gosta de algo que você faz, te mata e pronto!

Outras declarações um tanto quanto duvidosas do deputado – que atualmente responde a processo por estelionato no STF – podem ser facilmente encontradas na internet. Por uma dessas declarações, Feliciano foi denunciado pelo então procurador-geral da república Roberto Gurgel, e responde a processo acusado de homofobia. “A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, à rejeição”, escreveu o deputado no Twitter. Desta maneira, entende-se que na visão intolerante de Feliciano, os homossexuais são os causadores do ódio a eles dirigido. E qual a causa de tal repulsa? Amar alguém do mesmo sexo, demonstrar carinho e respeito. Palavras que certamente o deputado não conhece.

Marco Feliciano é apenas um em meio a tantos intolerantes que existem mundo afora. A questão é que, assim como ele, outros intolerantes também são pessoas conhecidas em certos meios e suas ações e pensamentos são tomados como exemplo por centenas de pessoas. Entre os alvos preferidos dos intolerantes estão os homossexuais. Porém, a ignorância os impede de estudar sobre o tema e descobrir que na Grécia Antiga (berço da cultura mundial), as relações homoafetivas eram vistas com naturalidade pela sociedade. Sócrates enamorou-se de Alcebíades. Alexandre, o Grande viveu um romance com Hefastião. Suetônio escreveu sobre o romance de Júlio César com o rei Nicomedes. Ricardo Coração de Leão teria tido um romance com Filipe II rei da França.

No exército espartano o amor entre soldados fortalecia o exército. Em nenhum dos dois casos estava excluída a relação com uma mulher, no presente ou no futuro. É com o advento do cristianismo que essas relações passam a ser vistas como pecaminosas” (Revista Net História). “Boa parte do modo como os povos da Antiguidade encaravam o amor entre pessoas do mesmo sexo pode ser explicada – ou, ao menos, entendida – se levarmos em conta suas crenças. Na mitologia grega, romana ou entre os deuses hindus e babilônios, por exemplo, a homossexualidade existia. Muitos deuses antigos não têm sexo definido. Alguns, como o popularíssimo hindu Ganesh, da fortuna, teriam até mesmo nascido de uma relação entre duas divindades femininas” (Guia do Estudante – Abril). A homossexualidade também é comum no reino animal. Desde mamíferos a vermes nematoides, as práticas homossexuais podem ser observadas. Os bonobos, por exemplo, utilizam este tipo de comportamento para “pedir desculpas” ou “parabenizar” um outro bonobo do mesmo sexo (Estadão).

O espiritismo e a umbanda (embora sejam de origens diferentes) também são alvos dos intolerantes. As frases mais comuns dirigidas a esses dois segmentos religiosos referem-se ao demônio. Seus praticantes são tidos como pessoas endemoninhadas, e condenadas por Deus ao inferno – sem apelação, sem direito de defesa, sem nada. A exemplo de espíritas e umbandistas, os ateus também sofrem preconceito. Supostamente estariam todos condenados ao inferno, às penas eternas e ao sofrimento constante.

Os intolerantes não tem raça, faixa etária, religião ou etnia definida. Estão em todos os lugares, em todos os segmentos, e destacam-se pelo pensamento arcaico e preconceituoso contra tudo aquilo que não lhes apraz. Colaboram para fomentar a violência, a segregação e o preconceito. Porém há um refúgio muito comum à muitos dos que nutrem intolerância por algo: Deus. Esta entidade divina, presente em muitas culturas, tem servido como de suporte e escudo pra opiniões particulares e atitudes preconceituosas. Muitos intolerantes apoiam-se na imagem de Deus pra justificar sua repulsa a determinadas categorias. Outros apropriam-se da Bíblia para respaldar suas ações. Esquecem-se que a Bíblia é um livro escrito por homens; que certamente obedeciam as conveniências e cultura de sua época.

É interessante ver como muitas pessoas sustentam que Deus não admite o amor entre dois homens ou duas mulheres – e pelo fato de ser amor por alguém do mesmo sexo deixa de ser amor? É um amor de valor inferior ao amor de um homem por uma mulher? Penso que não. Se há algo que o próprio Deus repudie, creio que seja o desrespeito ao semelhante, a violência (de qualquer espécie) cometida contra o próximo, a calúnia, a ofensa e a difamação; a injúria, a raiva. Intolerâncias dessa natureza apenas atrasam o processo evolutivo da humanidade enquanto sociedade. É comum ver pessoas monopolizando Deus, dizendo do que Ele gosta ou não gosta, e usando disso para tratar de forma ofensiva aquilo ou aqueles pelos quais são eles que nutrem repulsa. Mas alguém tem direito sobre Deus? Sobre seus pensamentos? Há alguém com moral suficiente pra separar em grupos de ‘salvos’ e ‘condenados’ o restante da humanidade?

Esquecem-se de que um dia, há 2 mil anos, houve um homem que falou de coisas como o amor e o respeito ao próximo. Que este mesmo homem sofreu na carne os efeitos das atitudes dos intolerantes de sua época. Intolerantes que não aceitaram que um homem de origem humilde pudesse ter mais força um império inteiro. E tiveram as mesmas atitudes que muitos tem até hoje: ofenderam, torturaram e mataram este mesmo homem, que ousou ensinar à humanidade que somos todos iguais. Certamente teríamos uma vida plena de paz se todos entendessem o que significa: Amai ao próximo como a ti mesmo.

(Núrya Ramos)

Fontes:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,homossexualidade-no-reino-animal,763657,0.htm

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/vale-tudo-homossexualidade-antiguidade-435906.shtml

http://www.nethistoria.com.br/secao/ensaios/309/sobre_a_homossexualidade_na_grecia_antiga/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Feliciano

http://rederhema.com/index/redir/noticias/marco-feliciano-responde-a-processos-por-estelionato-e-homofobia/

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-12-16/dez-maiores-polemicas-de-feliciano-em-2013.html

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