outubro 10

Nordeste no alvo: o levante dos ignorantes travestidos de intelectuais

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Bastou que as eleições de 2014 fossem levadas ao segundo turno para a disputa pela presidência entre a candidata da situação Dilma Rousseff e o candidato da oposição Aécio Neves, para que houvesse um verdadeiro levante de manifestações preconceituosas contra os nordestinos (a maioria delas usando os benefícios sociais existentes como justificativa para a escolha de determinadas classes). Escancaradas nas redes sociais sem o menor pudor ou receio de punição, as manifestações são o que de mais baixo e vulgar existe: palavrões, xingamentos, ódio, repúdio e etc.

Não é de hoje que o povo nordestino sofre ataques gratuitos de preconceito, porém com o avanço da tecnologia e a liberdade de expressão trazida pela internet essa onda de ataques se disseminou de maneira brutal e a cada dia mais ofensiva. Recentemente a cearense Melissa Gurgel foi eleita Miss Brasil 2014; desde que recebeu a faixa e é considerada a mulher mais bonita do país, a moça vem sendo alvo de expressões preconceituosas por ser nordestina e seu sotaque foi chamado de ‘sofrível’ nas redes sociais.

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Em 2013 a estudante de Direito Mayara Petruso foi condenada pela Justiça Federal de São Paulo pelo crime de discriminação; a universitária fez comentários preconceituosos contra nordestinos em sua página no Twitter logo após a vitória de Dilma Rousseff no segundo turno das eleições de 2010. Mayara escreveu: “Nordestino (sic) não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”. A estudante recebeu punição de 1 ano, 5 meses e 15 dias de prisão, mas a pena foi convertida em prestação de serviço comunitário e pagamento de multa.

É interessante notar que após serem identificados e começarem a ser punidos todos os preconceituosos retrucam com as seguintes declarações: “Não sou preconceituoso(a)”, “Longe de mim ter preconceito”, “Fui levado(a) pelo momento”. Foi o que disseram Mayara Petruso e Patrícia Moreira – torcedora do Grêmio que durante um jogo pela Copa do Brasil deste ano chamou o goleiro do Santos, Aranha, de macaco.

Usuários preconceituosos tem aproveitado o espaço web para atirar sua ignorância e estupidez não só contra o povo nordestino, mas também contra homossexuais, negros, índios, e todas as outras minorias. No entanto, no caso em questão, defensores de outros candidatos (em especial de Aécio Neves) tem culpado o Nordeste pela escolha de governantes do PT e a permanência destes na Presidência da República.

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Então surge a pergunta que não quer calar: de onde surge tamanho ódio gratuito? Os preconceituosos se referem ao povo nordestino como ignorantes, estúpidos, ‘mortos de fome’; porém se esquecem que muitos nordestinos ajudaram a erguer grandes cidades como São Paulo e Brasília; e que grandes nomes do cenário cultural brasileiro compõem-se de nordestinos, como: Jorge Amado, Ariano SuassunaRachel de Queiroz, Graciliano Ramos, Gonçalves Dias, Chico AnysioRenato Aragão, Marco Nanini, José Wilker, Vagner Moura, Herbert Vianna, Guel Arraes, Luiz Gonzaga, Caetano Veloso, Raul Seixas, Djavan e tantos outros.

O Nordeste do Brasil está entre os destinos turísticos mais procurados por brasileiros e estrangeiros, não só pelas belezas naturais (praias, cachoeiras,  chapadas e falésias) como pela riqueza histórica (casarões tombados, sítios arqueológicos, ruínas da era colonial), cultura popular (músicas, danças, literatura de cordel), gastronomia e festejos regionais, artesanato e etc. A riqueza nordestina é imensurável e incontestável.

Cada estado deste país, cada região, cada povo, tem seu valor, sua cultura, seu sotaque, suas peculiaridades que o tornam único dentre todos os outros povos do planeta. Vale lembrar que os preconceituosos de plantão parecem amargar um ódio irracional contra o povo nordestino, algo que tem soado um tanto quanto destoante no discurso hipócrita e maldoso metido a intelectual que vem sendo proferido, posto que não existem argumentos racionais (já que não pode mesmo haver racionalidade no preconceito).

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É importante que se entenda que se há algum erro na escolha do governante desta nação, este erro não é culpa de um único estado, de uma única região ou de um único povo, e deve ser assumido por todos. Não foi só o Nordeste que foi às urnas no último dia 05; não é só no Nordeste que a então presidente Dilma Rousseff tem eleitores. Vejamos os números de estados que não pertencem à região em questão:

  • Minas Gerais: Dilma Rousseff (43%); Aécio Neves (39%).
  • Rio Grande do Sul: Dilma Rousseff (43%); Aécio Neves (41%).
  • Rio de Janeiro: Dilma Rousseff (35%); Aécio Neves (26%).
  • Amazonas: Dilma Rousseff (53%); Aécio Neves (19%).
  • Pará: Dilma Rousseff (52%); Aécio Neves (27%).
  • Amapá: Dilma Rousseff (50%); Aécio Neves (20%).
  • Tocantins: Dilma Rousseff (50%); Aécio Neves (27%).

Qualquer que seja o candidato ou partido pelo qual se tenha preferência que esta defesa seja feita de maneira justa com argumentos lógicos, racionais e decentes, e não com ataques imbecis contra um povo ou minoria. A democracia existe para que as opiniões possam ser expressas e respeitadas, desde que essas mesmas opiniões também contenham respeito em si. Será impossível chegar a um consenso enquanto houver atitudes como estas que apenas empobrecem o debate e o levam à baixeza moral e o ridicularizam. Se tais pessoas não tem argumentos dignos para discutir e defender suas opiniões que ao menos se calem e não cometam a mediocridade de achincalhar moralmente os que tem uma opinião contrária.

Preconceito é uma das formas mais estúpidas e imbecis de demonstrar sua própria pobreza intelectual e mental. O preconceituoso, quando manifesta suas atitudes, apenas faz saber a todos o quanto é mesquinho, ridículo e ignorante quanto a certos assuntos, e que não dispõe de um raciocínio decente para entrar em um debate limpo; pelo contrário, quando se vê desafiado ou em iminente derrota, destila toda sua mediocridade; e rebate com a única maneira que conhece de se sobressair: ofender moralmente o outro para se mostrar superior.

Este artigo é minha manifestação enquanto cidadã deste país e especialmente é minha expressão como mulher, descendente de índios e negros, e neste momento acima de tudo como nordestina; nascida nesta região linda, de belezas incontáveis, e de gente batalhadora. Meu Nordeste querido: minha região, meu orgulho.

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/justica-condena-estudante-mayara-petruso-por-preconceito-contra-nordestinos/

http://www.ebc.com.br/noticias/eleicoes-2014/2014/10/saiba-como-os-brasileiros-votaram-para-presidente-da-republica

 

Post relacionado:

Uma “banana” para o preconceito. Disponível em: http://oraculo-decassandra.rhcloud.com/2014/04/28/uma-banana-para-o-preconceito/

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maio 13

O povo brasileiro e a síndrome do conformismo

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Ano: 2014. Século: XXI. O tempo passa, a tecnologia avança, os problemas sociais mudam de “roupa”, e o povo brasileiro continua sofrendo da síndrome do conformismo. O problema é que nossa conformidade está relacionada às coisas mais graves do cotidiano. Este artigo não está embasado em dados concretos, pesquisas científicas; e sim, na convivência diária que tenho com inúmeras pessoas em todos os meios possíveis; o motivo deste artigo é nada mais do que minha inquietação pessoal (e que quero compartilhar com você leitor) com a maneira que a maioria de nós vê as desgraças do dia a dia.

Quem nunca ouviu as seguintes frases (?): “Munícipio tal está pior do que o nosso”, “Pelo menos aqui tem hospital”, “Pior é na cidade X, que nem médico ou escola tem”, “Rouba, mas faz”, “Pelo menos paga o salário em dia”, etc., etc., etc. Nosso povo sofre de uma “doença” que parece não ter cura: o conformismo com a nossa desventura. Quando se fala de algo que vai mal na cidade ou no país, alguém surge com um dos textos acima; como se o fato de o município ou o estado vizinho estar numa situação pior fosse motivo pra pensar: ‘Apesar de tudo até que estamos bem’ ou ‘Podia ser pior’.

E é em pensamentos como esses que o mau político se apoia e constrói seu império de desmando, corrupção, abandono e mazelas. A cada vez que um cidadão se conforma com o que há de ruim na sociedade perdemos a chance de mudança; perdemos a chance de raciocinar sobre a situação do país, de pensar como os maus políticos “lavam” a cabeça de seus eleitores de todas as maneiras; perdemos a chance de fiscalizar o poder público, de questionar onde está o nosso dinheiro (fruto do nosso trabalho, nosso suor), de averiguar por que as obras tão alardeadas em período eleitoral não saíram das cartilhas dos candidatos; perdemos a chance de exercer cidadania.

Precisamos entender que não é porque o município onde residimos tem hospitais, escolas e o município vizinho não tem que devemos nos conformar com o fato de ter um governante que ‘rouba, mas faz’. A população precisa perceber que o problema de um também é problema de todos; e que enquanto houver uma única cidade que esteja sendo assolada por todo tipo de mazela não temos motivo pra nos conformar com nada. Dar-se por satisfeito em meio ao caos é um dos sintomas desse mal que nos acomete; que mesmo parecendo não ter cura, tem sim tratamento.

Pagar salário em dia é apenas uma das obrigações de um representante do poder executivo; construir, reformar, equipar instituições públicas e fazê-las funcionar de maneira eficaz é obrigação do poder público; não há nada de bondoso nisso. Políticos são servidores públicos; pessoas que se candidatam por livre e espontânea vontade a um cargo remunerado para o exercício de determinada função. Não são heróis, não são divindades; são apenas funcionários da sociedade.

Não há motivos para continuarmos presos ao pensamento de que ‘pelo menos’ temos alguma coisa. Precisamos internalizar a certeza de que merecemos tudo a que temos direito e que é garantido constitucionalmente, e entender, de uma vez por todas que a mudança somos nós quem fazemos; e que quem realmente detém este poder somos nós. Fingir que estamos bem enquanto a criminalidade aumenta, a impunidade se prolifera, o descaso com a população cresce a dados alarmantes é iludir-se sobre a própria condição. Mas, infelizmente, enquanto o caos se alastra muitos de nós continuam na praça dando milho aos pombos.

Núrya Ramos

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abril 28

Uma “banana” para o preconceito

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“Na partida entre Villarreal e Barcelona pelo Campeonato Espanhol, a torcida do time da casa jogou uma banana em direção” (Estadão) ao jogador brasileiro Daniel Alves. O jogador não revidou, nem ofendeu o(s) ofensor(es); pelo contrário, respondeu à provocação comendo a banana em campo antes de bater um escanteio. Esta não é a primeira vez que Daniel é vítima de racismo; após o jogo, o brasileiro declarou: “Estou na Espanha há 11 anos e há 11 anos é dessa maneira. Temos de rir dessa gente atrasada” (Estadão). Este também não é o primeiro caso de manifestação de racismo no futebol.

O “meio-campista Tinga, do Cruzeiro, foi alvo de insultos racistas durante a partida contra o Real Garcilaso, do Peru, válida pela primeira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América. […] em Huan Cayo, o jogador ouviu das arquibancadas imitações dos guinchos de macacos a cada vez que tocou na bola” (Terra). Ainda este ano, durante o jogo entre Esportivo e Veranópolis, pelo Campeonato Gaúcho, o árbitro Márcio Chagas da Silva “ouviu gritos de “macaco” e “volta pro circo”, coisas assim. Ao sair, após o jogo, encontrou bananas sobre seu carro e no escapamento do veículo, no estacionamento do estádio” (O Globo). O árbitro já havia sido vítima de racismo em 2005.

Esses e tantos outros casos, infelizmente, ainda fazem parte do cotidiano. Somos obrigados a presenciar gente hipócrita, preconceituosa e racista proliferando seu pensamento ridiculamente atrasado e pequeno. O problema, a meu ver, não está no uso do termo ‘macaco’, e sim na conotação com que é usado – afim de ofender a vítima, de expor ao constrangimento. Numa explicação breve, mas necessária, vamos entender melhor sobre o que temos em comum com os macacos:

Macaco é um termo generalista, popularmente usado para designar todos os primatas: chimpanzés, gorilas, micos, gibões, macacos-prego, etc. De acordo com isso, essa definição inclui também os seres humanos, como macacos, pois somos primatas. Os primatas formam uma grande Ordem de Mamíferos, que surgiram de ancestrais arborícolas nas florestas tropicais, e desde então se subdividiram em uma grande diversidade de espécies, linhagens que levaram também aos ancestrais da superfamília taxonômica “Hominoidea”, que engloba chimpanzés, gorilas e seres humanos.

Hominoidea

Aos que encontram no racismo uma maneira de se mostrar superiores aos demais, tenho duas coisas a dizer: primeiro – lamento que seja necessário expor uma pessoa a um constrangimento publicamente para se sentir superior (isso é atitude de criaturas que não tem nada de bom a oferecer, e fazem uso desse tipo de “ferramenta” suja, baixa, mesquinha e ridícula); segundo – no Brasil o racismo é crime inafiançável previsto em lei, ficando o indivíduo sujeito à pena de reclusão.

Em apoio a Daniel Alves e, indiretamente, a todos que já sofreram com esse tipo de preconceito, vários artistas tem postado fotos comendo bananas. Ser negro é motivo de orgulho, ser honesto é motivo de orgulho, ser ético, solidário, trabalhador, motiva nosso orgulho; e ser HUMANO (em todo o significado da palavra) é sim o maior motivo de orgulho que alguém pode ter. Mas ser HUMANO é algo que poucos sabem ser; não basta nascer homem ou mulher pra ser humano. É preciso mais que fazer parte da espécie Homo sapiens: é preciso compreender e fazer uso de valores morais e éticos, é preciso se solidarizar com a dor do outro como se fosse a própria dor, é preciso ter respeito pelos outros independente de sua cor, posição social, condição sexual, religião, etc.

O combate ao racismo e a qualquer forma de preconceito deve ser uma luta diária por uma sociedade mais decente, mais justa e igualitária. Há quem pensa que ofende a qualquer ser humano quando o chama de macaco, digo que SOMOS TODOS MACACOS sim, e não há vergonha nenhuma nisso; o que dá vergonha mesmo é ver que entre nós existe esse tipo de gente (preconceituosa, racista e RIDÍCULA). Acho que posso falar pelos que não agem com esse tipo de postura quando digo: Não temos vergonha de ser MACACOS; temos vergonha é do SEU PRECONCEITO!

Núrya Ramos com colaboração de Jonatas A. da Silva

Referências

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http://esportes.terra.com.br/cruzeiro/com-imitacao-de-macacos-cruzeirense-e-alvo-de-racismo-em-jogo-no-peru,6cc3c4d59e824410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,torcida-joga-banana-para-daniel-alves-que-come-e-cruza-para-gol-do-barcelona,1159355,0.htm

http://oglobo.globo.com/esportes/arbitro-vitima-de-racismo-ja-tinha-sofrido-discriminacao-no-mesmo-estadio-11810678

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abril 22

Juntos pela Terra

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Olá, pessoal. Hoje é Dia Mundial da Terra; e o Oráculo não poderia deixar passar essa data tão importante, até porque este blog está completando um mês de vida hoje! Estamos comemorando nosso primeiro aniversário juntamente com a mãe Terra. Que honra! Mas vamos lá: o que é o Dia Mundial da Terra?

“A data foi criada em 1970, pelo senador norte-americano Gaylord Nelson que resolveu realizar um protesto contra a poluição da Terra, depois de verificar as consequências do desastre petrolífero de Santa Barbara, na Califórnia, ocorrido em 1969. Todos os anos, no dia 22 de Abril, milhões de cidadãos em todo o mundo manifestam o seu compromisso na preservação do ambiente e da sustentabilidade da Terra” (Calendar).

Mas aí fica a pergunta: precisamos mesmo de um dia comemorativo pra lembrar que temos um compromisso com o planeta? Na verdade não deveríamos necessitar disso; mas, infelizmente, vivemos numa sociedade em que precisa haver um dia comemorativo pras coisas pra que se repare nelas; precisamos do Dia da Consciência Negra pra militar pelo combate ao racismo; do Dia da Árvore pra lembrar da preservação ambiental e por aí vai. É lastimável? Sim; é.

O fato é que a Mãe Terra necessita, sim, de nós. Não só hoje (22 de abril), mas em todos os dias do ano. Precisamos ter compromisso com este planeta que é nossa casa. Você pode não conseguir barrar o desmatamento da Amazônia, por exemplo; mas pode colaborar pra reflorestar sua cidade, seu bairro, sua rua, seu quintal. São inúmeras as ações que podemos e devemos empreender em prol do planeta, da preservação das espécies, do cuidado com a vida. Abaixo temos algumas ações que você, cidadão que pensa no futuro, pode fazer pelo bem da Terra:

dia-mundial-da-terra

  • Plante uma árvore (ou mais, se você puder);
  • Não jogue lixo no meio ambiente ou nas águas (lixeiros servem para isso!);
  • Colabore com a coleta seletiva de lixo;
  • Ajude no combate à poluição de rios, riachos, lagos, mananciais, mares e oceanos;
  • Não desperdice água (feche a torneira enquanto você escova os dentes);
  • Conserte vazamentos de torneiras e canos em sua casa (parecem apenas pingos, mas acredite, com o passar do tempo são litros de água potável desperdiçados);
  • Avise a companhia de águas de sua cidade sobre canos quebrados nas ruas;
  • Desligue as luzes de cômodos onde não houver nenhum tipo de atividade no momento;
  • Descarte pilhas e baterias em coletores próprios para isso;
  • Vá de bicicleta ao trabalho ou escola, sempre que possível (caso não possa, ofereça carona de carro a um amigo; será um carro a menos nas ruas naquele momento);
  • Fiscalize o poder público de sua cidade e se informe sobre o que está sendo feito pela preservação ambiental e redução dos consumos de água e energia elétrica;
  • Colabore em ações pelo combate ao desmatamento e extinção de animais (denuncie crimes ambientais às autoridades competentes);
  • Não lave sua calçada (se quiser lavar reaproveite a água que você usou pra lavar a roupa, por exemplo; já ajuda muito);
  • Procure maneiras de reutilizar objetos em outras funções (você pode economizar dinheiro com isso também);
  • Observe se há o ‘Selo Verde’ em móveis construídos com madeira;
  • Dê preferência a objetos feitos com material reciclado na hora das compras;
  • Ajude a levar a mensagem de cuidado com a Terra por onde você for (se cada um militar em favor desta causa teremos uma qualidade de vida melhor e alcançaremos o desenvolvimento sustentável).

Todo dia é dia de cuidar do planeta; dia de melhorar nossas ações. Todo dia é dia de exercer cidadania.

Núrya Ramos

Referências

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http://www.calendarr.com/portugal/dia-mundial-da-terra/

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abril 18

Violência nas escolas: um retorno às arenas de Roma

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Quem nunca presenciou uma briga de escola, ou nunca viu pela TV ou internet alunos se agredindo, rolando no chão, em cenas de pura violência??? Pois bem, creio que todos já viram esse tipo de cena ridícula e cada vez mais comum. Muitas crianças e adolescentes tem agido como verdadeiros marginais dentro das escolas, contrariando os objetivos do ambiente em que se encontram. É então que surge a pergunta que não quer calar: que tipo de adulto será esse? Partindo das cenas que vemos rotineiramente, as perspectivas não são boas.

Ao ver crianças e adolescentes agredindo-se com tamanha violência e covardia, lembro-me das arenas da Roma Antiga, onde prisioneiros de guerra e escravos – chamados então de gladiadores – eram obrigados a lutar entre si ou enfrentar feras – como leões, por exemplo – até que um dos combatentes morresse ou estivesse tão ferido a ponto de ser considerado impossibilitado de lutar. O objetivo destes embates era o divertimento do povo romano.

A comparação com as arenas romanas me vem à mente devido à quantidade de vídeos em que alunos conflitam entre si dentro ou nas portas das escolas, enquanto os colegas fazem uma roda, estimulam, aplaudem, filmam e fotografam o pavoroso espetáculo. Em pesquisa realizada em 2012, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) consultou 109 mil alunos em 3 mil escolas do país e constatou que 7,3% dos estudantes já se envolveram em brigas em que havia armas brancas; 6,4% já se envolveram em conflitos em que havia armas de fogo e 8,0% dos alunos já faltaram à escola, ao menos uma vez, por medo da violência dentro do ambiente educacional (Último Segundo). Isto tudo sem mencionar a violência contra professores (assunto para um próximo post).

A covardia também faz parte da violência dentro das escolas; não são raras as imagens em que alunos são flagrados aos bandos coagindo colegas e os agredindo por estarem em maior número. As vítimas desenvolvem comportamentos introspectivos, medo, depressão e vontade de abandonar o ambiente estudantil. Os fatores que motivam as agressões são os mais diversos possíveis. Recentemente “uma estudante de 15 anos foi espancada, dentro da sala de aula, por colegas na Escola Estadual Castelo Branco, em Limeira. Segundo o pai da adolescente, o motivo da agressão é a beleza da filha. A adolescente sofreu ferimentos no rosto e no pescoço. Além de tapas e socos, uma tesoura chegou a ser utilizada pelas agressoras” (UOL).

Estudante de 15 anos agredida em escola em Limeira
Estudante de 15 anos agredida em escola em Limeira

O papel dos educadores e da família no combate à violência nas escolas

Diante de tantas notícias sobre agressões entre alunos, o que fazer para solucionar o problema da violência no ambiente estudantil? A resposta encontra-se no diálogo entre alunos, pais e educadores. Agir com violência nunca resolveu nada; castigar violentamente também não. É necessário trazer de volta valores morais e éticos, princípios que andam um tanto quanto esquecidos atualmente. É fundamental apresentar aos alunos o diálogo como a melhor saída para qualquer problema; o respeito mútuo imprescindível para que se viva em paz.

É preciso mostrar às crianças, aos jovens, que todos somos diferentes, e que não há razão para responder violentamente à questão das diferenças. A pluralidade e diversidade dos indivíduos é o que torna interessante nossa vida coletiva. Trabalhar o combate aos preconceitos, o respeito à diversidade, o auxílio e solidariedade, a ética e demais princípios e valores, é a saída para que o ambiente escolar volte a ser exatamente o que sempre deveria ter sido: um espaço para exercício da mente, construção e repasse de conhecimentos e crescimento individual e coletivo. Que as arenas de embate fiquem restritas apenas às aulas e aos livros de História.

Núrya Ramos

Referências

Por ser bonita, estudante é espancada em escola de Limeira (SP). Eduardo Schiavoni. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/04/09/por-ser-bonita-estudante-eespancada-em-escola-de-limeira-sp.html

Um em cada 11 estudantes falta à escola por medo de violência. Cinthia Rodrigues. Disponível em: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-06-19/um-em-cada-11-estudantes-falta-a-escola-por-medo-de-violencia.html

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março 25

O controle mental e o perigo da história única

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O que acontece com alguém que conhece apenas uma versão dos fatos? O que acontece com um povo que conhece apenas uma parte de sua história? O que acontece com todos os que conhecem apenas o que é permitido conhecer? É sobre isto que vamos debater hoje: o perigo da história única. Após assistir o vídeo de Chimamanda Adichie – escritora africana – uma enxurrada de questionamentos e pensamentos me veio à mente em segundos. Uma torrente. Um turbilhão invasivo, imediato, mas acima de tudo, perturbador. Até que ponto somos e podemos ser manipulados pelo governo, pela mídia, pelo marketing das grandes empresas, pelo poder dos dominantes?
O perigo da história única é devastador e cruel. Nossas crianças aprendem desde cedo histórias manipuladas, distorcidas, por governos, religiões, classes dominantes. Aprendem erroneamente sobre fatos históricos que são essenciais para sua formação cidadã, mas acima de tudo são essenciais para sua formação como seres humanos. Vejamos o caso da África: Ideias pré-concebidas e estereótipos sobre a África nunca desapareceram da mídia. Há diagnósticos precoces de que

a África está “falida” e seu futuro está comprometido pelas próximas gerações. […] Ensaístas africanos foram, inclusive, os primeiros a teorizar, no início dos anos 90, “a recusa ao desenvolvimento” manifestado pelo continente negro, ou a necessidade de um “ajuste cultural” (Grupo Nzinga de Capoeira Angola).

Confundido muitas vezes com um país, a África é, na verdade, um continente “reconhecido pela sua diversidade, desde os aspectos naturais até as características históricas e sociais” (Brasil Escola). De acordo com o PNUD 2013, dos 55 países africanos, 04 (Argélia, Líbia, Seychelles e Tunísia) apresentam um nível de desenvolvimento humano alto ou muito alto ficando à frente de países mais ricos da Europa e do Médio Oriente; outros 10 países apresentaram nível de desenvolvimento humano médio (entre estes estão Egito, Cabo Verde, Marrocos e África do Sul). Os níveis mais altos do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) sublinham “os avanços alcançados no continente na melhoria da educação, saúde e bem-estar social” (PEA).
Estes dados são uma prova de que o povo africano não apresenta uma recusa ao desenvolvimento como citado anteriormente e que o tal “ajuste cultural” é no mínimo contraditório: a que ou quem a África teria de se ajustar? Ao mundo ocidental? Aos europeus? Aos americanos? Ajustar-se culturalmente dentro da própria África? Essas são perguntas que, certamente, requisitam mais pesquisas para que possamos obter uma resposta. Mas é fato que um povo é o reflexo de sua cultura; é influenciado por ela e a influencia. Ajustar-se culturalmente poderia significar perda da identidade própria, daquilo que torna um povo único entre os demais.
O perigo da história única reside no fato de distorcer as ideias daqueles a quem são contadas. Transformar seres humanos em marionetes é o principal objetivo daqueles que propagam apenas uma versão dos fatos. De contos infantis a instâncias do governo, passando por religiões e mídia, as histórias únicas são “vendidas” como verdades absolutas, muitas vezes até incontestáveis. Impedem milhares de pessoas de conhecer verdadeiramente a realidade que as cerca, fazer melhores escolhas que influenciarão sua vida e a dos demais. Tem o poder de suscitar o ódio e o desprezo contra o semelhante; de fazer com que a visão das pessoas seja errônea, manipulada, condicionada a ver aquilo o que querem que seja visto.
Dedicar-se a conhecer o outro lado do que nos é contado e repassado pelas gerações anteriores ou por meios atuais é permitir-se entender os acontecimentos e através disso escolher um posicionamento; que, correto ou não, ao menos será uma opinião formulada pela sua própria cabeça depois de conhecer os fatos, e não imposta por outras pessoas que se dispõem a pensar por você. Seja um posicionamento político, religioso, social, ou apenas uma opinião sobre os assuntos que nos afetam de alguma maneira, é importante que seja algo de sua própria mente. A história única é sinônimo de alienação e lavagem cerebral. Abaixo temos o vídeo que suscitou este artigo.

Núrya Ramos

Fontes:

CONCHIGLIA, Augusta. África além dos preconceitos. Disponível em:

http://nzinga.org.br/pt-br/africa
http://www.africaneconomicoutlook.org/po/outlook/human_development/
http://www.brasilescola.com/geografia/africa-continente.htm

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março 23

Deus: a desculpa preferida dos intolerantes

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Deus não gosta!”, “Isso é pecado!”, “Deus não aprova!”, “Irá para o inferno!”, “Deus repudia!” – essas são algumas frases do discurso dos intolerantes; daqueles que não toleram o que é diferente deles próprios. Infelizmente, em pleno século XXI, o atraso evolutivo ainda domina muitas mentes. É lamentável ver pessoas utilizando a imagem de uma entidade divina pra justificar seus atos preconceituosos, racistas e patéticos! Vide o caso do deputado federal Marco Feliciano: à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias durante o ano de 2013, “Feliciano conseguiu aprovar projetos para serem enviados ao plenário, como a “cura gay”, a suspensão da resolução do CNJ que garante que a união civil homoafetiva seja reconhecida em cartórios(Último Segundo). O projeto da “cura gay”, felizmente, foi arquivado. Em nome do Conselho Federal de Psicologia (CFP), o conselheiro Celso Tondin lamentou a aprovação da proposta apelidada de “cura gay” no âmbito da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. […] Para o conselheiro, a aprovação da decisão fragiliza os homossexuais, legitima a perseguição e estimula a violência.” (Estadão).

O deputado também deu inúmeras declarações esdrúxulas. Por exemplo: declarou publicamente que o cantor Dinho da banda Mamonas Assassinas se vendeu ao Diabo e por isso Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças” (Wikipedia). Se o deputado não gosta das músicas da saudosa banda – tudo bem; cada um tem suas preferências musicais; mas daí a afirmar algo dessa natureza é no mínimo um desrespeito aos familiares dos rapazes mortos em 1996 numa fatalidade aérea. Para Marco Feliciano, músicas como as dos Mamonas são motivos suficientes para Deus tirar a vida de rapazes talentosos; deixando mães, pais, irmãos e entes queridos, com uma dor que nunca se apagará e um vazio que nunca será preenchido. Para pessoas como o deputado, Deus é uma entidade vingativa: se não gosta de algo que você faz, te mata e pronto!

Outras declarações um tanto quanto duvidosas do deputado – que atualmente responde a processo por estelionato no STF – podem ser facilmente encontradas na internet. Por uma dessas declarações, Feliciano foi denunciado pelo então procurador-geral da república Roberto Gurgel, e responde a processo acusado de homofobia. “A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, à rejeição”, escreveu o deputado no Twitter. Desta maneira, entende-se que na visão intolerante de Feliciano, os homossexuais são os causadores do ódio a eles dirigido. E qual a causa de tal repulsa? Amar alguém do mesmo sexo, demonstrar carinho e respeito. Palavras que certamente o deputado não conhece.

Marco Feliciano é apenas um em meio a tantos intolerantes que existem mundo afora. A questão é que, assim como ele, outros intolerantes também são pessoas conhecidas em certos meios e suas ações e pensamentos são tomados como exemplo por centenas de pessoas. Entre os alvos preferidos dos intolerantes estão os homossexuais. Porém, a ignorância os impede de estudar sobre o tema e descobrir que na Grécia Antiga (berço da cultura mundial), as relações homoafetivas eram vistas com naturalidade pela sociedade. Sócrates enamorou-se de Alcebíades. Alexandre, o Grande viveu um romance com Hefastião. Suetônio escreveu sobre o romance de Júlio César com o rei Nicomedes. Ricardo Coração de Leão teria tido um romance com Filipe II rei da França.

No exército espartano o amor entre soldados fortalecia o exército. Em nenhum dos dois casos estava excluída a relação com uma mulher, no presente ou no futuro. É com o advento do cristianismo que essas relações passam a ser vistas como pecaminosas” (Revista Net História). “Boa parte do modo como os povos da Antiguidade encaravam o amor entre pessoas do mesmo sexo pode ser explicada – ou, ao menos, entendida – se levarmos em conta suas crenças. Na mitologia grega, romana ou entre os deuses hindus e babilônios, por exemplo, a homossexualidade existia. Muitos deuses antigos não têm sexo definido. Alguns, como o popularíssimo hindu Ganesh, da fortuna, teriam até mesmo nascido de uma relação entre duas divindades femininas” (Guia do Estudante – Abril). A homossexualidade também é comum no reino animal. Desde mamíferos a vermes nematoides, as práticas homossexuais podem ser observadas. Os bonobos, por exemplo, utilizam este tipo de comportamento para “pedir desculpas” ou “parabenizar” um outro bonobo do mesmo sexo (Estadão).

O espiritismo e a umbanda (embora sejam de origens diferentes) também são alvos dos intolerantes. As frases mais comuns dirigidas a esses dois segmentos religiosos referem-se ao demônio. Seus praticantes são tidos como pessoas endemoninhadas, e condenadas por Deus ao inferno – sem apelação, sem direito de defesa, sem nada. A exemplo de espíritas e umbandistas, os ateus também sofrem preconceito. Supostamente estariam todos condenados ao inferno, às penas eternas e ao sofrimento constante.

Os intolerantes não tem raça, faixa etária, religião ou etnia definida. Estão em todos os lugares, em todos os segmentos, e destacam-se pelo pensamento arcaico e preconceituoso contra tudo aquilo que não lhes apraz. Colaboram para fomentar a violência, a segregação e o preconceito. Porém há um refúgio muito comum à muitos dos que nutrem intolerância por algo: Deus. Esta entidade divina, presente em muitas culturas, tem servido como de suporte e escudo pra opiniões particulares e atitudes preconceituosas. Muitos intolerantes apoiam-se na imagem de Deus pra justificar sua repulsa a determinadas categorias. Outros apropriam-se da Bíblia para respaldar suas ações. Esquecem-se que a Bíblia é um livro escrito por homens; que certamente obedeciam as conveniências e cultura de sua época.

É interessante ver como muitas pessoas sustentam que Deus não admite o amor entre dois homens ou duas mulheres – e pelo fato de ser amor por alguém do mesmo sexo deixa de ser amor? É um amor de valor inferior ao amor de um homem por uma mulher? Penso que não. Se há algo que o próprio Deus repudie, creio que seja o desrespeito ao semelhante, a violência (de qualquer espécie) cometida contra o próximo, a calúnia, a ofensa e a difamação; a injúria, a raiva. Intolerâncias dessa natureza apenas atrasam o processo evolutivo da humanidade enquanto sociedade. É comum ver pessoas monopolizando Deus, dizendo do que Ele gosta ou não gosta, e usando disso para tratar de forma ofensiva aquilo ou aqueles pelos quais são eles que nutrem repulsa. Mas alguém tem direito sobre Deus? Sobre seus pensamentos? Há alguém com moral suficiente pra separar em grupos de ‘salvos’ e ‘condenados’ o restante da humanidade?

Esquecem-se de que um dia, há 2 mil anos, houve um homem que falou de coisas como o amor e o respeito ao próximo. Que este mesmo homem sofreu na carne os efeitos das atitudes dos intolerantes de sua época. Intolerantes que não aceitaram que um homem de origem humilde pudesse ter mais força um império inteiro. E tiveram as mesmas atitudes que muitos tem até hoje: ofenderam, torturaram e mataram este mesmo homem, que ousou ensinar à humanidade que somos todos iguais. Certamente teríamos uma vida plena de paz se todos entendessem o que significa: Amai ao próximo como a ti mesmo.

(Núrya Ramos)

Fontes:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,homossexualidade-no-reino-animal,763657,0.htm

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/vale-tudo-homossexualidade-antiguidade-435906.shtml

http://www.nethistoria.com.br/secao/ensaios/309/sobre_a_homossexualidade_na_grecia_antiga/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Feliciano

http://rederhema.com/index/redir/noticias/marco-feliciano-responde-a-processos-por-estelionato-e-homofobia/

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-12-16/dez-maiores-polemicas-de-feliciano-em-2013.html

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