abril 14

O valioso tempo dos maduros

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“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

 Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

 Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

 Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade…

Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial.”

(Mário de Andrade)

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abril 4

Ágora

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Recentemente lancei aqui no Oráculo um post sobre uma das mais interessantes personagens da história da humanidade: Hipácia (o post pode ser consultado na categoria História deste blog sob o título: Hipácia -a representação da mulher na célebre Alexandria). Esta mulher destemida, determinada e sábia, me cativou no primeiro instante; não só por tudo que representou para a ciência, como pelo que representa até hoje para os que conhecem sua história. Hipácia viveu em Alexandria (Egito), numa época em que o Cristianismo começou a ganhar força e espaço; seus ensinamentos, sua busca incansável pelo conhecimento e pela verdade, fizeram dela um alvo fácil para os cristãos intolerantes e violentos de sua época, que não admitiam que outros povos pudessem ter outras crenças e outras culturas que não fossem as da nova doutrina. Hipácia poderia ser perfeitamente a representação humana de Atena – deusa da sabedoria.

Para os que gostariam de conhecer mais sobre esta mulher que marcou a história da humanidade com sua bravura e inteligência, indico hoje o filme Ágora (no Brasil, Alexandria), do diretor Alejandro Amenábar. Lançado em 2009, a produção traz Rachel Weisz interpretando Hipácia de maneira brilhante e como personagem central da trama. O filme inicia-se com Hipácia já lecionando na Academia de Alexandria; uma reconstituição de como pode ter sido a famosa biblioteca também é vista nesta produção. Sei que não estou indicando um filme inédito, mas Ágora merece ser visto e revisto dezenas de vezes, pois é uma trama envolvente que permite ao espectador se sentir dentro da própria Alexandria. Imagino como deveria ser fascinante ser aluno de Hipácia, e deliciar-se com o seu conhecimento. Ágora é mais que uma produção cinematográfica: é um resgate da história da última cientista de Alexandria; uma mulher à frente de seu tempo que ousou permanecer em sua busca pela verdade, desafiando o poder da Igreja Católica. Abaixo um link para que o amigo leitor possa assistir Ágora e inebriar-se de cultura e história durante 126 min.

http://filmesdubladosgratis.com.br/2013/04/alexandria-2.html

Núrya Ramos

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março 29

Palavras aladas

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Os Poemas 

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

(Mário Quintana)

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