fevereiro 22

A Ausente

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Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro…
Amiga, última doçura
A tranquilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar…

– Vinicius de Moraes –

Rio de Janeiro, 1954

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fevereiro 10

O Despertar

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Inglaterra. 1921. Florence Cathcart (Rebecca Hall) é uma mulher à frente de seu tempo (até em seu figurino se nota isso), independente, que se dedica a desmarcar charlatães cuja empreitada é enganar pessoas com ‘acontecimentos sobrenaturais’ e escreve livros sobre o assunto. Um tanto quanto perturbada pela morte de seu amado na Primeira Guerra Mundial, Florence leva uma vida de dedicação ao trabalho e aos livros, sem espaço para apreciar sua juventude.

Rebecca Hall e Dominic West em cena de O Despertar
Rebecca Hall e Dominic West em cena de O Despertar

Procurada pelo professor Robert Mallory (Dominic West), Florence é requisitada a investigar a morte de um aluno dentro de uma escola após aparições do fantasma de uma criança. Acreditando tratar-se de uma brincadeira dos alunos que acabou se tornando uma tragédia, a escritora aceita o convite para passar alguns dias na escola a fim de desvendar a morte do garoto.

Isaac Hempstead-Wright (Tom) e Imelda Staunton (Maud) em cena de O Despertar
Isaac Hempstead-Wright (Tom) e Imelda Staunton                                    (Maud) em cena de O Despertar

No entanto, durante as investigações Florence se depara com indícios de que o sobrenatural do qual ela tanto duvida possa mesmo ser verdade. Lançado em 2011 e dirigido por Nick Murphy, O Despertar é classificado no gênero terror (embora obedeça mais ao suspense), possui bons efeitos especiais e conta com uma ótima atuação de Rebecca Hall. O longa traz uma mulher ousada que tem suas convicções postas à prova. O passar das investigações revela que Florence precisa desbloquear sua mente e deixar que seu passado seja relembrado por ela mesma como uma única maneira de alcançar a paz há muito tempo perdida.

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

Google Imagens

https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Despertar

 

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novembro 16

Os Últimos Cavaleiros

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Em tempos medievais um grupo de cavaleiros se destaca nas batalhas por sua coragem, devoção ao código de honra dos cavaleiros e pela lealdade a seu mestre. Cansado da tirania e dos abusos do Império sobre o povo, Lord Bartok – o mestre (interpretado por Morgan Freeman) – ousa se rebelar contra o Imperador e, em especial, contra um de seus conselheiros – Gezza Mott (Aksel Hennie) – cuja cobrança abusiva de impostos tem levado o povo à miséria.

A rebeldia de Lord Bartok rende-lhe uma punição: a morte. Mas não satisfeito com isto, Gezza Mott pede que Bartok seja executado por seu soldado mais fiel, aquele que havia sido nomeado como herdeiro de seu clã, o comandante Raiden (Clive Owen), cuja lealdade ao mestre e a devoção ao código dos cavaleiros está acima até mesmo de sua própria vida.

Morgan Freeman e Clive Owen em cena de Os Últimos Cavaleiros
Morgan Freeman e Clive Owen em cena de Os Últimos Cavaleiros

A morte de Bartok faz com que o conselheiro (nomeado posteriormente como Primeiro Ministro) entre em estado de paranoia, temendo a reação de Raiden. Expulsos de suas casas e suas terras, todo o povo que ocupava o território de Bartok se vê desarticulado e sem perspectivas de vida. Resta apenas uma esperança para resgatar a dignidade do povo e do clã de Bartok; mas o comandante Raiden afunda dia a dia na bebida e os cavaleiros da sétima tropa se dispersam.

Aksel Hennie vive o conselheiro Gezza Mott em Os Últimos Cavaleiros
Aksel Hennie vive o conselheiro Gezza Mott em Os Últimos Cavaleiros

A lealdade, a coragem e a devoção de Raiden e seus cavaleiros são postas em xeque; numa situação onde morrer pode lhes devolver a dignidade e viver pode significar a humilhação e a vergonha perpétuos.

Lançado em 2015, com direção de Kazuaki Kiriya, Os Últimos Cavaleiros tem duração de 114min; e oferece ao espectador um roteiro inteligente, perspicaz e bem idealizado; cuja estória emocionante tem desfecho surpreendente e onde princípios morais são o grande guia da trama.

Núrya Ramos

 

Você pode assistir Os Últimos Cavaleiros clicando neste link:

http://www.filmesonlinegratis.net/assistir-os-ultimos-cavaleiros-dublado-online.html

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outubro 12

Diálogo

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Levarás
pela mão
o menino
até ao rio. Dir-lhe-ás
que a água é cega
e surda. Muda,
não. Que o digam
os peixes, que em silêncio
com ela sustentam
seu diálogo
líquido, de líquidas
sílabas
de submersas
vogais.

– Albano Martins – 

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outubro 10

Nós Dois

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E nós que nem sabemos quanto nos queremos
Que nem sabemos tudo que queremos
Como é difícil o desejo de amar

Você que nem me soube quanto eu quis
Que não coube, não me viu raiz
Nascendo, crescendo nos terrenos seus

Eu na janela olhando a lua, perguntando à lua
Onde você foi amar?

E nós que nem soubemos nos querer de vez
Estamos sós, laçados em dois nós
Um que é meu beijo o outro é o lábio seu

Não sei sair cantando sem contar você
Que eu sei cantar, mas conto com você
Que eu vou seguir, mas vou seguir você

Queria que assim sabendo se a gente se quer
Queria me rimar no seu colo mulher
Vencer a vida donde ela vier

Ganhar seu
Chegar no chegar meu
Dar de mim o homem que é seu

 

– Tadeu Franco –

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setembro 11

Reza Vela

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Larara….
A chama da vela que reza
Direto com santo conversa
Ele te ajuda te escuta
Num canto coladas no chão as sombras mexem
Pedidos e preces viram cera quente
Pedidos e preces viram cera quente

A fé no sufoco da vela abençoada no dia dormido
O fogo já não existe ali saíram do abrigo
São quase nada
A molecada corre e corre e ninguém tá triste
A molecada corre e corre e ninguém tá

Se tudo move se o predio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
A cera foi tarrada
Não se admire

Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
an an an a tua avenida,
an an an
A cera foi tarrada
Não se admire

Tá no céu não espere o tiro apenas mire
A cera foi tarrada
Não se admire
tá no céu balão de bucha não espere o tiro apenas mire

(2x)
Depois da benção o peito amassado
É hora do cerol é hora do traçado
Quem não cobre fica no samba atravessado
Sobe balão no céu rezado

A chama da vela que reza
Direto com santo conversa
Ele te ajuda te escuta
Num canto coladas no chão as sombras mexem
Viram cera quente
Viram cera

A fé no sufoco da vela abençoada no dia dormido
O fogo já não existe ali saíram do abrigo
São quase nada
A molecada corre e corre e ninguém tá triste
A molecada corre e corre e ninguém tá triste
A molecada corre ninguém tá
A molecada corre ninguém tá

Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
A cera foi tarrada
Não se admire

Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
An An An a tua avenida
An An An
A cera foi tarrada
Nao se admire

Ta no céu o balão de bucha não espere o tiro apenas mire
A cera foi tarrada não se admire
Ta no céu balão de bucha não espere o tiro apenas mire

sobe balão no céu rezado..larara
Sobe balão sobe balão sobe balão)

– O Rappa –

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agosto 29

Questão de Tempo

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Já pensou descobrir que você tem o dom de viajar no tempo? É essa a notícia que Tim (vivido por Donmhnall Gleeson) recebe de seu pai logo após uma festa de reveillon. A princípio cético Tim resolve fazer um teste e fica surpreso ao descobrir que o pai disse a verdade: assim como os outros homens da família, Tim também possui o dom viajar no tempo. A partir daí, o jovem tímido passa a mudar pequenas coisas a fim de alterar o futuro e ter a vida que sempre sonhou. Diferente do já conhecido Efeito Borboleta (estrelado por Ashton Kutcher) que também aborda a volta no tempo a fim de alterar um fato ocorrido, Questão de Tempo é uma comédia romântica leve e ao mesmo tempo carregada de emoção.

Após casar-se com o amor de sua vida – Mary (Rachel McAdams) – Tim descobre que pequenas mudanças no passado poderão alterar significativamente sua vida no presente; ao descobrir a doença terminal do pai, o jovem advogado precisa acatar o destino e aceitar que há situações das quais não se pode fugir. Abordado com leveza, humor e muito romance, Questão de Tempo é recheado de pequenas e grandes lições de vida.

Cena do filme Questão de Tempo
Cena do filme Questão de Tempo

Lançado em 2013 o longa britânico que conta com direção e roteiro de Richard Curtis (também roteirista de Um lugar chamado Notting Hill), é um daqueles filmes que deixam o espectador em estado de encantamento. Com belas atuações, a estória cheia de situações cotidianas contada nesta obra remete o espectador a reflexões necessárias sobre um mestre que todos conhecemos muito bem: o Tempo.

Núrya Ramos

 

Você pode assistir ao filme clicando neste link: http://www.filmesonlinegratis.net/assistir-questao-de-tempo-dublado-online.html

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/About_Time_(filme)

Google Imagens

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agosto 17

Se eu de ti me esquecer

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Se eu de ti me esquecer, nem mais um riso
Possam meus tristes lábios desprender;
Para sempre abandone-me a esperança,
Se eu de ti me esquecer.

Neguem-me auras o ar, neguem-me os bosques
Sombra amiga, em que possa adormecer,
Não tenham para mim murmúrio as águas,
Se eu de ti me esquecer.

Em minhas mãos em áspide se mude
No mesmo instante a flor, que eu for colher;
Em fel a fonte, a que chegar meus lábios,
Se eu de ti me esquecer.

Em meu peregrinar jamais encontre
Pobre albergue, onde possa me acolher;
De plaga em plaga, foragido vague,
Se eu de ti me esquecer.

Qual sombra de precito entre os viventes
Passe os míseros dias a gemer,
E em meus martírios me escarneça o mundo,
Se eu de ti me esquecer.

Se eu de ti me esquecer, nem uma lágrima
Caia sobre o sepulcro, em que eu jazer;
Por todos esquecido viva e morra,
Se eu de ti me esquecer.

– Bernardo Guimarães –

1858

Post relacionado: http://oraculo-decassandra.rhcloud.com/2015/08/15/bernardo-guimaraes-o-precursor-do-surrealismo-brasileiro/

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agosto 11

Como! és tu?

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Como! és tu?! essa grinalda
De flores de laranjeira! …
Branco véu, nuvem ligeira
Sobre o teu rosto a ondear!
Pálida, pálida a fronte
E os olhos quase a chorar!

És tu! bem vejo… não fales!
Cala-te! já sei o que é!
A mão vais dar, vida e fé
A outro!… Vais te casar.
Pálida, pálida a fronte,
Olhos em pranto a nadar!

E vais! e és tu mesma? — e vais!…
Fui eu quem te dei o exemplo…
Sei que te aguardam no templo,
Deixa-me aqui a chorar:
Fazes somente o que fiz,
Não fazes mais que imitar!

Mas eu quis ver-te feliz,
Não dar-te exemplo!… pensava
Que ileso e firme ficava
O teu amor — a guardar
A fé, que eu mesmo, insensato!
Fui o primeiro a quebrar!

Contradições d’alma humana!
Fui, sim, quem te dei o exemplo,
Isso quis, e ora contemplo
Essa grinalda — a chorar,
A fronte pálida, pálida,
E o branco véu a ondular!

E há de o mundo inda algum dia
Do olvido o véu tenebroso
Estender por tanto gozo,
Tanto crer, tanto esperar!
Vai que te aguardam: já tardas:
Deixa-me aqui a chorar!

Vai! e que os anjos derramem
Sobre ti flores, venturas,
Que as alegrias mais puras
Floresçam dos passos teus:
E que entres na casa estranha
Como uma bênção dos céus!

Que a fortuna — de veludos
Alcatife os teus caminhos,
Que o orvalho dos teus carinhos
A esse faça feliz
Com quem te casas — que te ame
Como te amei e te quis!

Porém procura esquecer-te,
Das venturas no regaço,
De mim, dos votos que faço,
De quanto pedi aos céus
Ver este dia… mas choro!
Vai! sê feliz! adeus!

Gonçalves Dias –

Manaus – 25 de junho de 1861

 

Fonte: http://www.jornaldepoesia.jor.br/gdias05.html#amo

 

Artigo relacionado: http://oraculo-decassandra.rhcloud.com/2015/08/10/goncalves-dias-o-indianista-romantico/

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agosto 10

Gonçalves Dias – o indianista romântico

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Há exatos 192 anos, em 10 de agosto de 1823, no sítio Boa Vista, em terras de Jatobá, da cidade de Caxias, no interior do Maranhão, nascia um dos poetas de maior renome na literatura nacional – Gonçalves Dias. Nascido Antônio Gonçalves Dias, “se orgulhava de ter no sangue as três raças formadoras do povo brasileiro (branca, indígena e negra)” (Só História); também advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo, é um grande expoente do romantismo brasileiro e da tradição literária conhecida como indianismo.

Em 1835 iniciou seus estudos em francês, latim e filosofia. Em 1838 terminou os estudos secundários em Portugal onde dois anos depois (com apenas 17 anos de idade) ingressou no Curso de Direito da Universidade de Coimbra. Ali, entrou em contato com os principais escritores da primeira fase do Romantismo português, compartilhando das ideias românticas de Almeida Garret, Alexandre Herculano e António Feliciano de Castilho.

Gonçalves Dias
Gonçalves Dias

Em 1843, inspirado na saudade que sentia de sua pátria, escreveu Canção do Exílio (link ao final do artigo), um dos poemas pelo qual é famoso e reconhecido até os dias atuais, no qual exalta as belezas de Caxias, sua terra natal, e demonstra imensa vontade de regressar às suas raízes. Trabalhou como professor de história e latim no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, cidade onde também atuou como jornalista contribuindo para periódicos como: Jornal do Comércio, Gazeta Oficial, Correio da Tarde e Sentinela da Monarquia.

Em 1849, junto com Araújo Porto Alegre e Joaquim Manuel de Macedo, fundou a revista Guanabara que se dedicava a divulgar o movimento romântico da época. Em 1851 volta à São Luís – capital do Maranhão – a pedido do governo. No ano seguinte pede Ana Amélia Ferreira Vale (sua musa inspiradora) em casamento, mas a família dela rejeita o pedido devido à ascendência mestiça do poeta. No mesmo ano (1852) retorna ao Rio de Janeiro e se casa com Olímpia da Costa.

Olímpia da Costa
Olímpia da Costa

Logo em seguida é nomeado oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros, vindo a passar os quatros anos que se seguem na Europa realizando pesquisas em prol da educação nacional. Ao retornar ao Brasil é convidado a participar da Comissão Científica de Exploração – trabalho que o fez percorrer quase todo o norte do país.

Retorna à Europa em 1862 para tratar de sua saúde; não obtendo resultados positivos decide voltar ao Brasil em 1864 a bordo do navio Ville de Boulogne, que veio a naufragar na costa maranhense, no município de Guimarães. O poeta afogou-se durante o naufrágio, em 3 de novembro de 1864, aos 41 anos de idade.

Praça Gonçalves Dias em Caxias - MA. Ao centro uma estátua do poeta.
Praça Gonçalves Dias em Caxias – MA. Ao centro uma estátua do poeta.

Deve-se a Gonçalves Dias a consolidação do Romantismo no Brasil. “Isso porque o poeta trabalhou com maestria todas as características iniciais da primeira fase do Romantismo brasileiro. De sua obra, geralmente dividida em lírica, medieval e nacionalista, destacam-se I-Juca Pirama, Os Tibiramas e Canção do Tamoio” (Só História). Sua poesia saudosista e referente aos amores idos e vindos, também pode ser vista em Últimos Cantos (1851) e Se te amo, não sei (poema). Gonçalves Dias é um ícone literário brasileiro e um grande orgulho para Caxias (MA), sua terra natal.

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gon%C3%A7alves_Dias

http://www.sohistoria.com.br/biografias/goncalves/

Google Imagens

 

Artigo relacionado: http://oraculo-decassandra.rhcloud.com/2015/08/01/cancao-do-exilio/

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