junho 17

Os Barcos

0
0

Você diz que tudo terminou

Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver
Que só terminou pra você

São só palavras, texto, ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto, um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos

E há muito estou alheio e quem me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno
É dor, se há, tentava, já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor, se este é só orgulho
Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal, faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho
Baldio é o meu terreno e meu alarde
Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade e você com outro alguém

E você diz que tudo terminou

Mas qualquer um pode ver

Só terminou pra você
Só terminou pra você

(Legião Urbana
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo)

-10

Category: Música | LEAVE A COMMENT
junho 12

Fragmentado

0
0

Três adolescentes são sequestradas no estacionamento de um shopping ao saírem da festa de aniversário de uma delas – Claire Benoit (Haley Lu Richardson). Dopadas, as três são levadas e colocadas juntas num cativeiro – uma instalação subterrânea isolada. Apavoradas, Claire, Marcia (Jessica Sula) e Casey (Anya Taylor-Joy), tentam, em vão, pedir socorro; mas o homem que as sequestrou, Dennis (James McAvoy), logo reaparece, deixando as jovens muito mais desesperadas com a sua frieza e calculismo.

Anya Taylor-Joy vive Casey em Fragmentado
              Anya Taylor-Joy vive Casey em Fragmentado

O sequestrador, porém, é muito mais do que um homem frio, calculista e com obsessão por limpeza: Dennis é apenas uma das 23 identidades de Kevin – um homem que desde os três anos de idade vive atormentado; e, como forma de refúgio, desenvolveu o Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI).  Na medida em que os dias passam, as adolescentes vão descobrindo as diferentes faces de Kevin.

Mesmo estando em tratamento com a Dra. Fletcher (Betty Buckley), que busca auxiliar Kevin no controle de suas muitas identidades, as mesmas revezam-se rapidamente, fazendo com que a angústia das adolescentes aumente muito mais. A ameaça de uma 24ª identidade – a fera – aterroriza mais ainda as jovens, que continuam lutando por suas vidas enquanto tentam lidar com um homem complexo e incomum.

James McAvoy e Betty Buckley em Fragmentado
            James McAvoy e Betty Buckley em Fragmentado

Fragmentado foi lançado no Brasil em março deste ano, e tem direção e roteiro de M. Night Shyamalan (o mesmo de O Sexto Sentido, A Vila e Sinais). A atuação de James McAvoy (que também já interpretou o Professor Charles Xavier em X-Men: dias de um futuro esquecido e X-Men: Apocalypse) é simplesmente brilhante e merece aplausos à parte. Os 117 min de suspense e terror psicológico de Fragmentado, renderam-lhe excelente bilheteria, indicações no MTV Movie & TV Award for Best Actor in a Movie, e bons elogios da crítica e do público – especialmente quanto à atuação de McAvoy.

Fragmentado não conta com grandes efeitos especiais, porém, isto não tira o mérito do longa, que é inteligente, tem uma ótima história, roteiro interessante, e que se dispôs a abordar uma temática ainda pouco conhecida – o TDI. A profundidade do protagonista prende o espectador do início ao fim.

fragmentado-2
                   Patrícia – uma das identidades de Kevin

Núrya Ramos.

 

Fonte:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fragmentado_(filme)

-9

Category: Cinema | LEAVE A COMMENT
abril 14

O Lado Bom da Vida

0
0

Após ter passado oito meses em tratamento num hospital psiquiátrico por ter agredido o amante de sua esposa, Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) – que tem transtorno bipolar – é liberado pela justiça para voltar para casa, porém devendo cumprir certos requisitos, como consultas regulares com o seu terapeuta, o Dr. Patel (Anupam Kher).

Disposto a reconquistar sua esposa e refazer seu casamento, Pat se lança numa verdadeira empreitada onde seu objetivo é ser um novo homem e conquistar novamente a confiança de sua ex-mulher, enquanto sua família e amigos tentam lidar com seu retorno e com suas alterações constantes de humor e comportamento.

 

Robert De Niro, Jacki Weaver e Bradley Cooper em cena de O Lado Bom da Vida
       Robert De Niro, Jacki Weaver e Bradley Cooper em cena de                                                      O Lado Bom da Vida

Em meio a isso, ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma jovem viúva que também tem problemas psicológicos. Tiffany promete ajudar Pat na sua tentativa de reconquistar Nikki (sua ex-esposa); e, em troca, ele deve ser seu par numa competição de dança bastante acirrada. A partir de então eles constroem uma relação de amizade e companheirismo.

Bradley Cooper e Jennifer Lawrence em cena de O Lado Bom da Vida
Bradley Cooper e Jennifer Lawrence em             cena de O Lado Bom da Vida

O Lado Bom da Vida é uma comédia romântica/drama, adaptada do romance de mesmo nome publicado por Matthew Quick. Dirigido por David O. Russell, o filme também conta com Robert De Niro e Julia Stiles no elenco. Lançado no Brasil em 2013, o longa recebeu oito indicações ao Oscar, tendo vencido na categoria Melhor Atriz com Jennifer Lawrence.

Problemas psicológicos são expostos neste filme com uma certa leveza e sem estigmas ou rótulos em torno das personagens que sofrem com eles. O Lado Bom da Vida é permeado de reflexões acerca do trato para com as pessoas que são acometidas de transtornos psiquiátricos, bem como seu diagnóstico, tratamento e retorno ao convívio social.

Núrya Ramos

 

Fontes:

Google Imagens

https://pt.wikipedia.org/wiki/Silver_Linings_Playbook

-7

Category: Cinema | LEAVE A COMMENT
março 31

Bravura Indômita

0
0

Após o assassinato de seu pai, Mattie Ross (uma adolescente de 14 anos, vivida por Hailee Steinfeld), sai em busca de justiça; mas para encontrar o assassino – um bandido conhecido como Tom Chaney (Josh Brolin) – Mattie precisa dos serviços de alguém que possa “caçar” o foragido. Para isso ela contrata o oficial Rooster Congburn (Jeff Bridges), um homem da lei que possui desvios de caráter e forte apreço pelo álcool. No entanto, Mattie e Congburn não são os únicos a buscar Tom Chaney: um Texas Ranger, chamado LaBoeuf (vivido por Matt Damon) também está à procura de Chaney pelo assassinato de um senador no estado do Texas.

Hailee Steinfeld e Jeff Bridges em Bravura Indômita
     Hailee Steinfeld e Jeff Bridges em Bravura Indômita

O trio se aventura no ambiente hostil de um território indígena onde Chaney estaria escondido na companhia de outros bandidos. A presença de Mattie torna o grupo de justiceiros totalmente incomum. Juntos eles enfrentam os perigos de um território inóspito, sob o rigor do inverno. A personalidade forte e as características marcantes de Mattie são a tônica do enredo, onde a coragem, a persistência e o sentimento de justiça vão além do medo e dos “rótulos sociais” da época.

Hailee Steinfeld e Matt Damon em Bravura Indômita
   Hailee Steinfeld e Matt Damon em Bravura Indômita

No melhor estilo Velho Oeste, Bravura Indômita é adaptação do romance homônimo de Charles Portis (publicado em 1968). Dirigido pelos irmãos Ethan e Joel Coen, o filme foi lançado oficialmente em dezembro de 2010 nos EUA e em fevereiro de 2011 no Brasil. Indicado a dez Oscars, entre eles: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator (Jeff Bridges) e Melhor Atriz Coadjuvante (Hailee Steinfeld), o longa é um drama com pitadas de humor sarcástico, e boas doses de ação e aventura.

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

Google Imagens

https://pt.wikipedia.org/wiki/True_Grit_(2010)

-7

Category: Cinema | LEAVE A COMMENT
março 16

Geni e o Zepelim – uma análise do clássico buarqueano

0
0

Composta e cantada por Chico Buarque, Geni e o Zepelim é um clássico do cancioneiro brasileiro, uma conhecida representante da boa música nacional. A canção, integrante do musical A ópera do malandro (1978) – cujo texto baseia-se na Ópera dos Mendigos (1918) de John Gay e na Ópera dos Três Vinténs (1928) de Bertold Brecht e Kurt Weill é ambientado num bordel e aborda a malandragem brasileira – também faz parte do álbum e do filme de mesmo nome lançados, respectivamente, em 1979 e 1986 (Wikipedia).

Na canção a história de Geni é brevemente contada pelo poeta, sendo a musa apresentada por alguém que canta sua trajetória de vida – um observador, que não só vê o que acontece à personagem, mas também parece perceber o que se passa em seu íntimo, como se conseguisse “ler” seus sentimentos. Embora a letra apresente sempre termos femininos para se referir à Geni, não há a certeza de que ela pertença a este gênero.

No musical A Ópera do Malandro, Geni, na verdade, é Genivaldo – um travesti – conhecido na cidade apenas pelo seu apelido. Geni não possui sobrenome – fato que nos remete à invisibilidade social daqueles que nascem, vivem e morrem, sem o devido reconhecimento da sociedade que os cerca. São muitas Marias e Josés e tantos outros que deixam como legado apenas o rastro invisível da não importância.

Imagem meramente ilustrativa
             Imagem meramente ilustrativa

Geni pode ser uma mulher ou um travesti – este fato pouco importa. O que a canção nos dá como certo é que Geni se prostitui desde a infância, como demonstra o verso: “Dá-se assim desde menina”. A prostituição infantil se constitui situação lastimável a que muitas crianças são submetidas devido às suas condições de vida, a ausência da proteção da família e do Estado e tantos outros fatores que influenciam neste grave problema social.

Segundo a UNICEF, em 2010, cerca de 250 mil crianças (principalmente meninas) encontravam-se em situação de prostituição no Brasil (Brasil Escola). A falta de assistência social e psicológica também se constituem fatores que contribuem para a fragilização da criança e sua consequente exploração sexual (Brasil Escola).

Geni não é a garota de programa de luxo que possui clientes ricos ou famosos. No verso “O seu corpo é dos errantes, dos cegos, dos retirantes” vê-se a classe social dos clientes de Geni. Assim como ela, também invisíveis para a sociedade, excluídos; aqueles a quem nada é ofertado. “É a rainha dos detentos” – os que vivem à margem da lei também usufruem dos dotes de Geni.

A orientação sexual da personagem se mostra mais clara no decorrer da canção, pois no início apenas indivíduos do sexo masculino são citados; mas ao mencionar ‘as loucas’ e ‘as viúvas’, percebemos que Geni (mulher ou travesti) é bissexual.

Por não negar se deitar com ninguém, a personagem é descrita pelo poeta como ‘um poço de bondade’ – motivo pelo qual a cidade a repele bruscamente. O asco que a cidade nutre por Geni fica claro no refrão: “Joga pedra na Geni! (…) Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! (…) Maldita Geni!”

Porém, um dia surgiu nos céus ‘um enorme Zepelim’, que, pairando sobre a cidade começou a disparar tiros de canhão, abrindo milhares de orifícios. Aterrorizados com a destruição anunciada, a cidade paralisou-se diante do Zepelim gigante, julgando que nada poderia ser feito. No entanto, do enorme dirigível, desceu o seu comandante, resoluto em explodir a cidade devido ao horror que viu nas ações de seus habitantes; porém, não o faria, desde que sob uma condição: se Geni o “servisse” naquela noite.

O comandante, representa na canção de Buarque, o luxo e o poder; um capitalista que julga-se superior a ponto de querer destruir uma cidade inteira por seu bel-prazer. A subserviência para com os mais afortunados também pode ser subentendida aqui, no momento em que a cidade decide não confrontar o comandante, mas apenas obedecer à sua vontade. Ironicamente, na canção, os opressores de Geni passam para a condição de oprimidos.

Imagem meramente ilustrativa
            Imagem meramente ilustrativa

Incrédula, a cidade não aceitava que seu destino estivesse nas mãos daquela por quem nutriam tanto ódio. Mas Geni tinha sua dignidade (embora a cidade não enxergasse isto), e ‘preferia amar com os bichos’ do que ‘deitar com homem tão nobre / tão cheirando a brilho e a cobre’. Talvez o asco que a personagem experimentou a vida inteira vindo de seus conterrâneos abastados, tenha feito com que ela também criasse por eles certo nojo como resposta.

Mas ao perceberem que Geni não se interessava pelo comandante e temendo por suas vidas, ‘a cidade em romaria foi beijar a sua mão’. A hipocrisia tão marcante em nosso meio aparece aqui claramente exposta pelo poeta, quando a cidade muda completamente de atitude em relação à personagem, passando a tratá-la como ‘bendita’. Geni vai de pecadora à santa num instante.

Comovida com os pedidos a amante cede aos desejos do comandante e salva a cidade que tanto a maltratava. Mas nem bem viram-se livres da enorme ameaça, os conterrâneos de Geni voltam a bradar em coro seu canto moralista, repleto de ódio, preconceito e intolerância.

O refrão “Joga pedra na Geni!” transformou-se numa espécie de bordão para retratar pessoas que se tornam alvo da execração pública (Wikipedia), seja por sua classe social, orientação sexual, raça, credo, posicionamento político, ou qualquer outro aspecto ou condição.

Geni é a trans assassinada, é o menino da favela, é a prostituta na calçada, é o homossexual na família, é a mulher violentada, é o negro escarnecido, é o idoso órfão dos próprios filhos. Geni é todo aquele que não tem nome nem sobrenome, não possui endereço, não tem profissão, não tem espaço, não tem vez e não tem voz. Geni é todo aquele que nasce e morre como indigente, sem nunca ser visto e nem reconhecido, sem nunca ser alguém.

E em nossa hipócrita “inocência” que nunca nos faz agressores, apenas vítimas, “esquecemos” de dizer em voz alta que também somos parte da opressão, da exclusão, do preconceito, do abandono. Em suma, como foi dito sabiamente por alguém: “Nós somos Geni, mas também somos a cidade”.

 

Núrya Ramos

 

No vídeo abaixo, Letícia Sabatella interpreta majestosamente Geni e o Zepelim.

Fontes:

Google Imagens

http://brasilescola.uol.com.br/sociologia/prostituicao-infantil.htm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Geni_e_o_Zepelim

-10

Category: Música | LEAVE A COMMENT
fevereiro 28

Doutor Estranho

0
0

Dos quadrinhos da Marvel para as telas do cinema, estreou mundialmente em 13 de outubro de 2016, Doutor Estranho. Dirigido por Scott Derrickson e produzido pela Marvel Studios, o filme baseia-se no personagem homônimo da Marvel Comics, sendo o décimo quarto filme do Universo Cinematográfico Marvel.

Stephen Strange, um brilhante neurocirurgião, tem sua carreira interrompida após um grave acidente de carro no qual sofreu sérios danos nas mãos – suas habilidosas “ferramentas” de trabalho. Numa busca desenfreada para recuperar seus movimentos e habilidades, Strange gasta inutilmente todos os seus recursos nos mais caros e inovadores tratamentos médicos.

Já sem esperanças, Strange ouve falar de Jonathan Pangborn – um paraplégico que ‘milagrosamente’ voltou a andar. Ao procurar Pangborn, Strange ouve como resposta que a cura encontra-se no Nepal, num lugar chamado Kamar-Taj. Movido então pelo desejo de ter os movimentos precisos de suas mãos de volta, Stephen gasta seus últimos tostões em uma passagem apenas de ida para Catmandu, em busca da tão sonhada cura.

Cena de Doutor Estranho
                                       Cena de Doutor Estranho

No Kamar-Taj, Strange esperava encontrar médicos dispondo de um tratamento inovador e condizente com a medicina por ele conhecida; no entanto, depara-se com uma espécie de templo milenar – um sanctum – onde é apresentado à Anciã, a mestra suprema. As revelações da Anciã e suas demonstrações sobre o plano astral e as muitas outras dimensões que permeiam nosso universo – como a Dimensão Espelhada – deixam Strange estupefato e ávido por aprender a maravilhosa magia do Kamar-Taj.

Chiwetel Ejiofor (Mordo), Benedict Cumberbatch (Stephen Strange/Doutor Estranho), Tilda Swinton (Anciã) e Benedict Wong (Wong)
Chiwetel Ejiofor (Mordo), Benedict Cumberbatch (Stephen Strange/Doutor Estranho), Tilda Swinton (Anciã) e Benedict Wong (Wong)

Inicia-se, então, uma jornada surreal, que envolve magia, poder e o conhecimento e domínio de si mesmo. O neurocirurgião arrogante torna-se um aprendiz da magia e começa a descobrir que suas mãos possuem outras habilidades nunca antes exploradas. Em meio a seu fascinante aprendizado, Strange se vê diante de um ataque de feiticeiros da Dimensão Negra liderados por Kaecilius (um ex-aprendiz do Kamar-Taj), a serviço do poderoso Dormammu – ser místico que vive nas profundezas daquela dimensão. Na tarefa de proteger os outros dois sanctum’s (um em Nova York e o outro em Londres), Strange conta com a valiosa ajuda de Mordo – feiticeiro do Kamar-Taj – e Wong – também feiticeiro daquele local e encarregado de proteger as relíquias e livros sagrados.

Mads Mikkelsen como Kaecilius
         Mads Mikkelsen como Kaecilius

Vestido com o Manto da Levitação e de posse do Olho de Agamotto – jóia do infinito que permite a seu portador o total domínio sobre o tempo passado, presente e futuro – Strange trava uma batalha épica contra Dormammu e seus serviçais, onde o poder, o tempo, a magia e as escolhas de um homem antes arrogante precisam unir-se como elementos perfeitos pelo bem do futuro da humanidade.

Brilhantemente estrelado por Benedict Cumberbatch no papel de Stephen Strange, Doutor Estranho conta ainda com a belíssima atuação de Tilda Swinton como a Anciã e um elenco que realmente “mergulhou” nos quadrinhos para dar vida a seus personagens. O longa dispõe de excelentes efeitos visuais, tendo sido premiado na categoria de mesmo nome no Hollywood Film Award (2016) e no Visual Effects Society Award (2017) na categoria Excelente Ambiente Criado em um Recurso Fotorealista.

 

Núrya Ramos.

 

Fontes:

Google Imagens

https://pt.wikipedia.org/wiki/Doutor_Estranho_(filme)

-4

Category: Cinema | LEAVE A COMMENT
outubro 27

Sylvia Plath – entre confissões e poesia

0
0

Há exatos 84 anos, em 27 de outubro de 1932, nascia Sylvia Plath – poetisa, romancista e contista norte-americana. Filha de Aurelia Schober Plath e Otto Emile Plath, Sylvia publicou seu primeiro poema aos oito anos de idade na sessão infantil de Boston Herald, quando morava com os pais em Winthrop, Massachusetts (EUA) (Wikipedia¹).

Neste mesmo ano, seu pai morre devido à complicações após a amputação de uma das pernas em decorrência de diabetes. Otto Plath é figura central de um dos poemas mais famosos da filha intitulado Daddy (Papai); por essa razão seu túmulo atrai leitores e fãs de Sylvia ao cemitério de Winthrop, onde encontra-se enterrado. Dois anos depois a família muda-se para Wellesley, cidade localizada no mesmo Estado (Wikipedia¹).

Sylvia Plath
Sylvia Plath

Tempos depois, após seu terceiro ano na faculdade, Sylvia é convidada a trabalhar como editora na revista Mademoiselle – fato que a fez morar por um mês em Nova York. A experiência que não foi bem sucedida provocou na poetisa diferentes visões sobre si mesma e sobre a vida; acontecimentos desta época a inspiraram a escrever seu único romance – o semi-autobiográfico A Redoma de Vidro (The Bell Jar), publicado sob o pseudônimo Victoria Lucas, cujo enredo narra a história de luta da escritora contra a depressão (Wikipedia¹).

Dois anos antes, quando ainda caloura em Smith College – “faculdade privada de artes liberais para mulheres” (Wikipedia²) – Sylvia tentou o suicídio pela primeira vez ao tomar uma overdose de narcóticos. Detalhes sobre estas e outras tentativas de tirar a própria vida estão presentes em A Redoma de Vidro, em forma de crônica. Este episódio rendeu a escritora uma internação em instituição psiquiátrica, onde foi submetida a terapia de eletrochoques. A recuperação foi satisfatória e Sylvia forma-se com louvor em 1955, em Smith College (Wikipedia¹).

Por ter sido uma aluna brilhante, Sylvia obteve uma bolsa integral para estudar na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, onde continuou a escrever suas poesias e publicá-las no jornal Varsity. Em fevereiro do mesmo ano conhece o jovem poeta britânico Ted Hughes (17 de agosto de 1930 – 28 de outubro de 1998) durante a festa de lançamento da St. Botolph’s Review, em Cambridge. Plath, que já mantinha admiração pelo trabalho literário de Ted – composto de poesia e livros infantis – apaixonou-se por ele, e em 16 de junho de 1955 os dois contraíram matrimônio (Wikipedia¹).

De julho de 1957 a outubro de 1959 o casal viveu e trabalhou nos Estados Unidos, mas após a descoberta da gravidez de Sylvia mudaram-se para a Inglaterra, fixando residência na pequena North Tawton. Nesta mesma época é publicada a primeira coletânea de Sylvia intitulada The Colossus. Em fevereiro de 1961, após sofrer um aborto o casamento de Plath e Hughes começa a enfrentar obstáculos especialmente pela relação extraconjugal do poeta com Assia Wevill. No final de 1962 o casal se separa e Sylvia retorna com os filhos Frieda e Nicholas – de três e um ano de idade – para Londres, passando a viver num apartamento alugado na rua Fitzroy, nº 23 (Wikipedia¹).

Sylvia Plath e Ted Hughes
Sylvia Plath e Ted Hughes

Na manhã de 11 de fevereiro de 1963 Sylvia entrou no quarto dos filhos, abriu as janelas, deixou leite e pão perto de suas camas, vedou a porta do quarto com toalhas molhadas e roupas e em seguida tomou uma grande quantidade de narcóticos, deitou a cabeça sobre uma toalha no interior do forno com o gás ligado e morreu logo depois. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte pela enfermeira que ela mesma havia contratado – Myra Norris (Wikipedia¹). Sylvia Plath havia cometido suicídio aos 30 anos de idade.

Lápide de Sylvia Plath
Lápide de Sylvia Plath

Parte dos diários que ela havia escrito desde os 11 anos de idade até o dia de seu suicídio foram publicados pela primeira vez em 1980. Em 1982, Smith College – a faculdade onde Plath se formou – recuperou os diários que faltavam, mas Ted Hughes conseguiu mantê-los em segredo, liberando-os para seus filhos apenas pouco antes de sua morte em 1998. Em 2000 os diários foram publicados pela Anchor Books. Infelizmente, a última parte dos diários – que continha os últimos meses de vida da escritora – foram destruídos por seu ex-marido, o que provocou muita crítica, mas ao que ele se defendeu alegando ter agido em proteção aos filhos (Wikipedia¹).

No entanto, a proteção que Ted tanto alegou parece não ter surtido muito efeito. Assim como a mãe, Nicholas Hughes cometeu suicídio em 16 de março de 2009, aos 47 anos de idade. Ele sofria de depressão e enforcou-se em casa. Nicholas era biólogo marinho e professor universitário em Fairbanks – Alasca; não era casado e não tinha filhos (Wikipedia³).

Sylvia Plath é creditada por dar continuidade ao gênero conhecido como poesia confessional, que se desenvolveu nos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960 onde a ênfase da poesia está em expressar a intimidade da vida pessoal do poeta, expondo temas como doença, sexualidade e depressão (Wikipedia³*). A poesia confessional tem como precursores Robert Lowell e W. D. Snodgrass.

As obras de Plath incluem ainda: “Ariel (1965), poemas; Crossing the water (1971), coletânea de poemas; Johnny Pannic and the Bible of Dreams (1977), livro de contos e prosa; e The Collected Poems (1981), poemas inéditos” (Wikipedia¹) – obra vencedora do Prêmio Pulitzer de Poesia, em 1982.

Em 2001, o psicólogo James C. Kaufman cunhou o termo efeito Sylvia Plath “para se referir ao fenômeno de que escritores criativos são mais suscetíveis a doença mental” (Wikipedia³**). Segundo Kaufman mulheres poetisas tendem a sofrer algum tipo de patologia mental mais do que qualquer outra classe de escritores. O estudo tem sido bastante discutido e encontra consistência com outras pesquisas da área.

Sylvia Plath na década de 50
Sylvia Plath na década de 50

Em Ísis americana: a vida e a arte de Sylvia Plath, publicado em janeiro de 2015, o autor Carl Rollyson expõe a face megalomaníaca e obcecada da escritora; para ele Plath pode ser comparada à deusa egípcia, pois sua vida foi vivida como a de um mito, ao mesmo tempo em que tentava manter seu papel de mãe e de esposa em harmonia com sua luz própria de artista (O Globo).

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

¹https://pt.wikipedia.org/wiki/Sylvia_Plath

²https://pt.wikipedia.org/wiki/Smith_College

³https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicholas_Hughes

³*https://pt.wikipedia.org/wiki/Poesia_confessional

³**https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Sylvia_Plath

http://oglobo.globo.com/cultura/livros/nova-biografia-de-sylvia-plath-mostra-faceta-megalomaniaca-obcecada-da-autora-15559789

-16

outubro 12

O Caseiro

0
0

O suicídio do caseiro de uma antiga propriedade. Um professor de psicologia cético. Uma menina perturbada e frequentemente machucada. Uma família atormentada pelo sobrenatural. Estes são os elementos principais desta história de suspense e terror lançada em junho deste ano sob direção de Julio Santi.

O Caseiro conta a história de Davi (Bruno Garcia), um cético professor de psicologia famoso por ser autor de um livro que busca explicar, através da psicanálise, aparições sobrenaturais. Procurado por Renata (Malu Rodrigues), Davi vai até uma pacata cidade interiorana em busca de respostas para o caso da pequena Julia (Bianca Batista), irmã caçula de Renata, que vem apresentando frequentes machucados aparentemente provocados por uma entidade maligna – o antigo caseiro da família que cometeu suicídio anos atrás.

Bianca Batista em O Caseiro
  Bianca Batista em O Caseiro

Acreditando poder ajudar Julia e sua família e levado pelo desejo de escrever um novo livro, Davi se dispõe a desvendar o mistério que vem atormentando a família de Rubens (Leopoldo Pacheco), pai de Julia e Renata. Tanto Rubens quanto Nora (Denise Weinberg), sua irmã, são para Davi os principais suspeitos dos traumas que Julia vem sofrendo; cabe a ele apenas juntar provas para elucidar um caso que parece resolvido.

Dá-se início então ao desenrolar de uma trama surpreendente pelos seus elementos e pela sagacidade do roteiro, onde o caso aparentemente resolvido revela-se algo estranhamente complexo e intrigante. Explorando o suspense psicológico, O Caseiro, embora seja a mais nova aposta do cinema brasileiro no gênero suspense e terror, não traz grandes efeitos especiais como muitos longas do gênero; no entanto, seus elementos simples, mas bem tramados, conseguem manter a atenção e a mente do espectador aguçados, onde os embates entre fé e razão se misturam na tentativa de entender o desconhecido.

Confira o trailler oficial de O Caseiro:

Você pode assistir O Caseiro clicando no link abaixo:

http://www.filmesonlinegratis.net/assistir-o-caseiro-nacional-online.html

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Caseiro

Youtube

-15

Category: Cinema | LEAVE A COMMENT
setembro 22

Paisagem da janela

0
0

 

Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um voo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal

Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Mas eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou

Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar
Eu apenas era

Cavaleiro marginal lavado em ribeirão
Cavaleiro negro que viveu mistérios
Cavaleiro e senhor de casa e árvores
Sem querer descanso nem dominical

Cavaleiro marginal, banhado em ribeirão
Conheci as torres e os cemitérios
Conheci os homens e os seus velórios
Quando olhava da janela lateral

Do quarto de dormir
Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal

Um cavaleiro marginal, banhado em ribeirão
Você não quer acreditar

Composição: Fernando Brant / Lô Borges

Intérprete: Lô Borges

-21

Category: Música | LEAVE A COMMENT
maio 15

Perdido em Marte

0
0

Durante uma missão a Marte uma equipe de seis astronautas se vê em meio a uma forte tempestade durante a noite; na tentativa de escapar eles se arriscam a deixar sua base para embarcar num módulo a fim de deixar o planeta vermelho. Mas durante a tentativa de fuga o astronauta Mark Watney (vivido por Matt Damon) é atingido por uma peça do equipamento, o que provoca uma ruptura no traje. O vazamento de oxigênio é fatal nestes casos, o que faz com que a equipe conclua de acordo com as circunstâncias que Mark está morto.

perdido em marte (2)

Cena de Perdido em Marte
                              Cena de Perdido em Marte

Deixado para trás por sua equipe num planeta árido, com suprimentos escassos, Mark precisa pôr seus conhecimentos em prática para conseguir sobreviver, tendo ainda como grande desafio enviar sinais à NASA de que está vivo e precisa ser resgatado. Ao tomar conhecimento de sua sobrevivência, a agência espacial americana mobiliza esforços a fim de trazer Mark de volta à Terra; para isto, eles precisam da ajuda da equipe da qual Mark fazia parte e que ainda está em viagem de volta para casa. Unidos a fim de salvar seu companheiro eles precisam tomar importantes decisões para que a missão mais importante de suas vidas não fracasse.

 

Lançado em 2015 com direção de Ridley Scott, Perdido em Marte conta com excelente trilha sonora (entre as músicas encontra-se Starman, do saudoso David Bowie) e doses generosas de humor inteligente. As estratégias traçadas por Watney para sobreviver no planeta vermelho nos instigam questionamentos sobre o que nós humanos somos capazes de fazer para sobreviver e como nossa evolução científica e tecnológica pode ser considerada a maior conquista da humanidade. As condições psicológicas a que se é submetido em situações adversas são abordadas com seriedade e leveza neste longa de excelente qualidade.

perdido em marte
                              Cena de Perdido em Marte

A espetacular atuação de Matt Damon nesta produção de ficção científica rendeu-lhe várias indicações, entre elas Oscar de Melhor Ator e a premiação com o Globo de Ouro de Melhor Ator em Musical ou Comédia. Perdido em Marte também teve sete indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado – por ser baseado no romance homônimo escrito por Andy Weir. “The Martian” (título original) é inteligente, instigante e bem humorado; seu enredo conquista o espectador a cada cena.

 

Núrya Ramos

 

Fontes:

Google Imagens

https://pt.wikipedia.org/wiki/Perdido_em_Marte

-22

Category: Cinema | LEAVE A COMMENT