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Ötzi – do Neolítico à atualidade (Parte III)

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Roupas e objetos

 

A análise das roupas e objetos de Ötzi permitiram aos pesquisadores conhecer mais sobre ele e a comunidade a qual pertencia. As vestes indicaram que ele estava muito bem preparado para o frio, pois usava “três camadas de roupas feitas de pele de veado e de cabra e uma capa forrada da longa e resistente fibra da casca da tília” (**Scientific American Brasil), árvore típica no hemisfério norte. As caneleiras foram feitas de pele de cabra, o gorro foi confeccionado com pele de urso marrom e seus sapatos, feitos de pele de urso e de cabra, eram largos e à prova d’água (aparentemente feitos especialmente para caminhar na neve); dentro dos sapatos, envolvendo os pés, havia tufos de grama macia que serviam como isolante térmico, um indicativo de que o povo ao qual Ötzi pertencia já sabia como utilizar recursos naturais em favor próprio a fim de enfrentar as baixas temperaturas locais.

Desenho das roupas de Ötzi
Desenho das roupas de Ötzi

Entre seus objetos pessoais estão “um machado de cobre e um punhal de sílex oriundo do Lago de Garda, a mais ou menos 150 km ao sul. O cabo do punhal era de uma madeira usada até hoje para fazer cabos, por sua resistência. Seu arco inacabado foi feito com a melhor madeira para esse fim. Uma aljava de pele levava 14 flechas. Apenas duas tinham penas e pontas de sílex, mas ambas estão quebradas” (**Scientific American Brasil). O sílex e o minério de cobre são provas de que esta comunidade sabia como obter recursos de locais distantes a fim de atender seus propósitos.

Objetos de Ötzi
Objetos de Ötzi

Havia também uma bolsa presa ao cinto que Ötzi usava e que continha em seu interior fungo de bétula (espécie de cogumelo utilizada para fins medicinais por suas propriedades antibacterianas); true tinder fungus (espécie de fungo que cresce em árvores e que pega fogo facilmente), pirita de ferro e sílex para produzir faíscas – estes três últimos itens parecem compor uma espécie de kit para produzir fogo; mais um indicativo de que os homens daquela região sabiam utilizar recursos naturais para enfrentar o frio.

Próximo ao corpo também foi encontrada uma ferramenta apropriada para amolar sílex, fragmentos de uma rede, a estrutura básica de uma espécie de mochila e dois recipientes feitos de casca de bétula – um deles levava carvão e folhas de bordo norueguês (**Scientific American Brasil), fato que indicaram aos pesquisadores que Ötzi possivelmente estivesse transportando consigo brasas envolvidas nas folhas a fim de produzir o fogo rapidamente.

As roupas e pertences de Ötzi trazem-nos o acesso a informações extremamente relevantes sobre o período Neolítico, também chamado de Período da Pedra Polida e que abrange do décimo milênio a.C. e vai até o terceiro milênio a.C. (Wikipedia²). Por conta da preservação do corpo, roupas e objetos pessoais, a descoberta de Ötzi é uma das mais importantes até hoje.

 

Suposições

 

Reconstrução naturalista de Ötzi baseada em técnicas forenses
Reconstrução naturalista de Ötzi baseada em técnicas forenses

Uma das primeiras hipóteses a respeito do que Ötzi fazia e que poderia justificar porque ele estava em Ötztal no momento de sua morte, supunha que ele era um pastor, pois o corpo fora encontrado próximo a uma das rotas tradicionais utilizadas pelos pastores que conduziam seus rebanhos de Schnalstal para as pastagens elevadas de Ötztal no verão e os traziam de volta no outono. No entanto, nada nas roupas ou objetos pessoais da múmia indicam que ele fizesse este tipo de trabalho (**Scientific American Brasil).

“Outra possibilidade é a de Ötzi ser um caçador da cabra montesa alpina; o arco e a aljava de flechas podem comprovar essa hipótese. Mas se ele estava ativamente envolvido na caça à época de sua morte, por que o arco estava inacabado e sem a corda e todas as flechas, menos duas, estavam sem pontas e sem plumas? Por que as duas flechas prontas estavam quebradas?” (**Scientific American Brasil). Os pesquisadores supõem ainda que ele possa ter sido um criminoso excluído do convívio de seu povo, um mercador de sílex, um xamã ou até mesmo um guerreiro. Nenhuma das hipóteses se mostrou consistente a ponto de poder ser considerada.

Apenas uma coisa é certa: Ötzi estava utilizando uma vestimenta tradicional para viajantes do seu tempo (**Scientific American Brasil); o que indica que, qualquer fosse a atividade a que ele se dedicava ou o motivo que o levou até ali, ele não saiu despreparado; pois as roupas, equipamento e provisões encontrados com ele apontam um preparo minucioso para enfrentar a viagem e o frio naquela localidade.

 

Última rota

 

“Baseados principalmente nos restos botânicos preservados com o cadáver, os autores especulam que a última viagem do Homem de Gelo pode ter sido a área próxima do Castelo de Juval através do Schnalstal e finalmente uma escalada íngreme até Tisental” (**Scientific American Brasil). Pesquisadores “investigaram a região em busca das 80 espécies de musgos e várias plantas encontrados com Ötzi. Apenas cerca de 20% dessas espécies ainda crescem na região. O musgo encontrado em grandes quantidades preso ao corpo é o Neckera complanata” (**Scientific American Brasil). “A maior concentração desse musgo, assim como muitas das outras plantas encontradas com o Homem do Gelo, ocorre ao sul do sítio, no castelo de Juval, onde há evidência arqueológica de ocupação humana na pré-história” (**Scientific American Brasil), o que enfatiza mais ainda as chances de aquele ter sido o lar de Ötzi.

Núrya Ramos

 

Fontes:

²https://pt.wikipedia.org/wiki/Neol%C3%ADtico

**http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/a_saga_revivida_de_otzi_o_homem_do_gelo.html

 

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Posted 03/10/2016 by Núrya Ramos in category "Arqueologia

About the Author

Núrya Ramos é graduada em Serviço Social, pós-graduada em Políticas Públicas e Intervenção Social e atualmente é pós-graduanda em Gestão e Elaboração de Projetos Sociais. Atuou como tutora presencial na Universidade Anhanguera – UNIDERP (2012-2015) e como professora universitária no CEFELMA – Centro de Formação Educacional do Leste Maranhense (2012-2014). Apaixonada por literatura, música, cinema, culinária, mitologia, séries, futebol, fotografia, artes em geral e animais, também é poetisa amadora e flamenguista de carteirinha. Sonha em ser arqueóloga e percorrer o mundo desvendando os mistérios da nossa história.

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