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Ötzi – do Neolítico à atualidade (Parte II)

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Análise científica

 

Estudos dos ossos do cadáver mostram que ele tinha cerca de 46 anos de idade quando morreu e não estava em sua melhor forma; media 1,59m de altura, não possuía o 12º par de costelas e ainda apresentava fraturas na terceira, quarta, sétima e oitava costelas, deformidade na caixa torácica e também uma fratura no braço esquerdo. Os pesquisadores não descartam a possibilidade de que estes danos tenham sido causados após a morte de Ötzi, pela ação do tempo e do degelo. A forma como o cadáver foi retirado do gelo também destruiu várias informações de cunho arqueológico e afetaram o corpo (**Scientific American Brasil).

A análise do DNA de Ötzi indica que ele era originário da Europa Central-Setentrional. Estudos do cromossomo Y da múmia o colocaram num grupo que atualmente domina o Sul da Córsega. A análise também revelou que provavelmente Ötzi sofria de aterosclerose e intolerância à lactose. DNA da bactéria Borrelia burgdorferi“espécie de bactérias patogênicas espiroquetas responsáveis pela Borreliose e transmitidas por carrapatos” (***Wikipédia) – foi encontrado em seu sangue, indicando que o homem do gelo é o mais antigo humano a sofrer da doença de Lyme. Já seu conteúdo estomacal revelou evidências da Heliobacter pylori – bactéria do sistema digestivo que pode causar gastrite grave e úlceras. Em estudo publicado em 2012, o paleoantropólogo John Hawks sugeriu que Ötzi tinha mais material genético de Neanderthal do que os europeus modernos (Wikipédia³).

Os 19 conjuntos de tatuagens de Ötzi (Foto: Divulgação)
Os 19 conjuntos de tatuagens de Ötzi (Foto: Divulgação)

A análise detectou ainda a existência de 57 tatuagens feitas com pó de carvão no corpo de Ötzi; no entanto, as marcas não são decorativas e sim terapêuticas, pois muitas delas estão localizadas em pontos que coincidem com os da acupuntura chinesa, o que pode indicar que o povo de Ötzi já conhecia uma técnica primitiva de acupuntura. As marcas podem ter sido feitas para tratar sintomas de doenças das quais ele tenha sofrido, como a artrite; porém, segundo Vanezis e Franco Tagliaro, os raios X aos quais a múmia foi submetida não mostram sinais convincentes da doença (**Scientific American Brasil).

Mão de Ötzi
Mão de Ötzi

 

Hábitos alimentares

 

O corpo foi intensamente examinado, medido, radiografado e datado pelos pesquisadores. Em meio a toda essa análise minuciosa os cientistas não poderiam deixar de estudar o aparelho digestivo de Ötzi e conhecer, a partir das evidências encontradas, como se alimentavam os homens do Neolítico.

A múmia Ötzi sendo examinada por pesquisador (Foto: Divulgação)
  A múmia Ötzi sendo examinada por pesquisador (Foto:        Divulgação)

Restos de plantas foram retirados do trato digestivo, oferecendo evidências diretas de suas últimas refeições. Farelos de uma espécie primitiva de trigo chamada einkorn também foram encontrados, o que sugere que ele possa ter se alimentado de um tipo de pão. Estudos de DNA realizados por uma equipe da Universitá de Camerino, na Itália, feitos a partir de resíduos de alimentos encontrados nos intestinos apontaram que Ötzi comeu carne de veado vermelho e cabra montesa alpina – lascas de ossos desta espécie de cabra encontrados próximo ao corpo confirmam a refeição. Em meio às provisões também foi encontrado um abrunho – fruta pequena e amarga parecida com a ameixa (**Scientific American Brasil).

Do estômago, cólon e reto foram retirados vários tipos de musgos. Não há evidências de que os humanos contemporâneos de Ötzi comiam musgos; no entanto, naquele período tão remoto da história humana, os musgos podem ter sido utilizados para embrulhar, embalar, rechear ou enxugar os alimentos (pois são ótimos para esse fim), o que explicaria perfeitamente que ele os tenha engolido por acidente enquanto se alimentava. Os musgos também eram usados pelos vikings como papel higiênico (**Scientific American Brasil).

Os dados isotópicos de Ötzi (feitos a partir de restos de cabelos e ossos, que examinam a quantidade de isótopos estáveis de carbono 13 e nitrogênio 15) confirmam que ele tinha uma alimentação composta essencialmente de plantas e animais. “Cerca de 30% do nitrogênio de sua alimentação eram de proteína animal, o resto de plantas” (**Scientific American Brasil). A deficiência nutricional pode auxiliar a explicar o fato de ele não estar em bom estado de saúde quando morreu.

Núrya Ramos

 

Fontes:

³https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%96tzi

**http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/a_saga_revivida_de_otzi_o_homem_do_gelo.html

*** https://pt.wikipedia.org/wiki/Borrelia_burgdorferi

 

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