março 31

Mostra no Rio exibe coleção arqueológica de D. Teresa Cristina

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A partir de amanhã, 1º de abril, o público brasileiro será presenteado com uma bela e valiosíssima exposição temporária. A mostra intitulada ‘Teresa Cristina: A Imperatriz Arqueóloga’ será inaugurada hoje (31) apenas para convidados, passando a ser aberta ao público no dia seguinte, no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, zona norte do Rio de Janeiro.

Na exposição 90 peças do mais importante acervo de arqueologia greco-romana da América do Sul poderão ser apreciadas pelos amantes deste fascinante ramo de estudo. Nunca antes expostas, as peças (amuletos, vasos, estatuetas, panelas, caixas de jóias, pulseiras e anéis) integram a coleção de D. Teresa Cristina Maria de Bourbon (1822 – 1889), “esposa de D. Pedro II e grande responsável pela formação da coleção de Arqueologia Clássica do museu, atualmente vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)” (Agência Brasil). As peças mais antigas datam do século IV a.C.

Cerâmica etrusca
                 Cerâmica etrusca -peças da                                         Coleção Teresa Cristina

Retratada na história brasileira como uma mulher que sempre viveu à sombra do marido, cordata, dedicada à vida doméstica e obediente, a Imperatriz teve papel crucial no desenvolvimento da ciência no Brasil do século XIX, pois voltou-se à valorização da arte e da cultura devido ao seu interesse genuíno pela ciência que busca vestígios do passado. “Ela sempre foi vista como uma pessoa apagada, voltada para o marido e a família. Na verdade, ela tinha um grande interesse pela arqueologia, anterior a sua chegada ao Brasil”, declarou Sandra Ferreira – uma das curadoras da mostra, arqueóloga e pesquisadora do Museu Nacional.

Com 759 objetos, a Coleção Teresa Cristina possui parte de seu acervo mantido em exposição permanente no museu, ficando o restante preservado na reserva técnica da instituição. Segundo Sandra, a exposição pretende valorizar a enorme contribuição cultural da Imperatriz ao povo brasileiro. Ela já “gostava do assunto desde nova, quando a arqueologia ainda não era uma ciência. Os exploradores não tinham método, mas os achados trazidos por ela seguiram um cuidado na catalogação” (Estadão).

Peça do século IV a.C. - Coleção Teresa Cristina
Peça do século IV a.C. – Coleção Teresa                                      Cristina

As peças angariadas por D. Teresa Cristina são provenientes de escavações – realizada entre 1853 e 1889 – ou achados fortuitos em vários sítios arqueológicos da Itália. Mesmo habitando em outras terras, a Imperatriz incentivou os trabalhos que recuperaram peças das antigas civilizações que ocuparam o território italiano, sua terra natal. Ainda segundo a curadora a Imperatriz financiou pesquisas arqueológicas em suas propriedades em Veios – antiga cidade etrusca da Itália. Ela e D. Pedro II foram juntos às escavações e também em viagens ao Egito.

A primeira parte dos achados foi trazida ao Brasil por ocasião do casamento de D. Teresa Cristina e D. Pedro II como parte do dote. Outra parte da coleção veio apenas 12 anos depois, a mando de Ferdinando II, irmão de Teresa, rei das Duas Sicílias. O rei atendeu ao pedido da irmã, que queria engrandecer o acervo do Museu Nacional, fundado em 1818 como Museu Real por D. João VI.

Olpe etrusco coríntio, século VII a.C. - Coleção Teresa Cristina
Olpe etrusco coríntio, século VII      a.C. – Coleção Teresa Cristina

Objetos de uso cotidiano como vasos, utensílios domésticos e estatuetas constituem a maior parte da Coleção Teresa Cristina. Muitas peças são provenientes das cidades de Pompéia e Herculano – destruídas pela erupção do Vesúvio em 79 d.C.

Ainda de acordo com a curadora, o acervo – que é o mais importante da América do Sul nesta categoria – precisa ser mais valorizado pelo público que visita o museu.

Segundo a historiadora de arte e também curadora da exposição, Evelyne Azevedo, a Imperatriz também “enviou exemplares da arte indígena brasileira que estão no acervo do Museu Pré-Histórico e Etnográfico Luigi Pigorini, em Roma, detentor de uma das maiores coleções de peças de índios brasileiros no exterior” (Estadão). Ainda de acordo com a historiadora, “a imperatriz tinha interesse na constituição de uma identidade ítalo-brasileira, de trazer para o Brasil a herança clássica” (Ibidem).

Tampa de lekanis, século IV a.C. - Coleção Teresa Cristina
      Tampa de lekanis, século IV a.C. – Coleção                                             Teresa Cristina

Segundo Maurício Vicente Ferreira Júnior, diretor do Museu Imperial, a vinda de achados arqueológicos, por intermédio de D. Teresa Cristina, “igualou o Brasil na criação de coleções do período antigo, como outros países estavam fazendo à época” (Estadão).

“A exposição Teresa Cristina: a Imperatriz Arqueóloga ficará em cartaz até setembro e pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h às 17h, e às segundas-feiras, das 12h às 17h. Os ingressos custam R$ 6, a inteira, e R$ 3, a meia-entrada. Crianças até 5 anos e pessoas com deficiência têm gratuidade” (Agência Brasil).

Núrya Ramos

Fontes:

Google Imagens

http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2016-03/mostra-inedita-exibe-parte-do-acervo-arqueologico-da-imperatriz-teresa

http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,imperatriz-arqueologa-e-revelada-em-exposicao,10000023937

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Posted 31/03/2016 by Núrya Ramos in category "Arqueologia

About the Author

Núrya Ramos é graduada em Serviço Social, pós-graduada em Políticas Públicas e Intervenção Social e atualmente é pós-graduanda em Gestão e Elaboração de Projetos Sociais. Atuou como tutora presencial na Universidade Anhanguera – UNIDERP (2012-2015) e como professora universitária no CEFELMA – Centro de Formação Educacional do Leste Maranhense (2012-2014). Apaixonada por literatura, música, cinema, culinária, mitologia, séries, futebol, fotografia, artes em geral e animais, também é poetisa amadora e flamenguista de carteirinha. Sonha em ser arqueóloga e percorrer o mundo desvendando os mistérios da nossa história.

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