dezembro 10

Clarice Lispector: vida e obra de uma estrela

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Há exatos 94 anos, ganhávamos uma mente iluminada, uma alma sensível e poética: Clarice Lispector. Há 37 anos, esta mulher nos deixou para habitar o panteão dos grandes mestres das artes; em especial, da literatura. Nascida Haya Pinkhasovna Lispector (Chechelnyk, 10/12/1920 – Rio de Janeiro, 09/12/1977), Clarice é ucraniana; no entanto, a constante fuga de seus pais (Pinkhas Lispector e Mania Krimgold Lispector) da perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa (1918-1920), acabou por fazer com que a pequena Haya chegasse em terras brasileiras quando contava apenas 1 ano e 2 meses de vida.

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

Quando questionada sobre sua nacionalidade, declarava não ter ligações com a Ucrânia; sobre aquele país dizia: “Naquela terra eu literalmente nunca pisei: Fui carregada de colo”. Relatava veementemente que sua pátria era o Brasil, e quanto à sua brasilidade considerava-se pernambucana. Por questões de segurança, a família mudou seus nomes: a pequena Haya passou a se chamar Clarice.

Começou a escrever quando morava em Recife, no bairro de Boa Vista. Ainda pequena Clarice já dominava o português, francês e inglês. Aos 9 anos de idade, Clarice perde a mãe – fato que a fez sofrer muito. Aos 15 anos, mudou-se com a família para a Cidade do Rio de Janeiro, onde cursou Direito; porém matricula-se depois em uma universidade particular de Literatura. Aos 19 anos, publicou, na Revista Pan, seu primeiro conto: Triunfo; e logo depois, seu primeiro romance – Perto do Coração Selvagem – ganhador do prêmio de melhor romance de estreia, da Fundação Graça Aranha, em outubro de 1944.

Clarice Lispector
Clarice Lispector

Três anos depois seu pai morre durante uma cirurgia para retirada da vesícula biliar; fato que fez com que Clarice se afastasse da religião judaica. Em 1943, passou a viver junto com o noivo – Maury Gurgel Valente – que, posteriormente, aprovado em concurso para a carreira diplomática, passou a integrar o Ministério das Relações Exteriores, o que acabou por fazer com o que o casal morasse em vários países.

Em 1946, lançou se segundo livro: O Lustre. Dois anos depois, na Suíça, nasce seu primeiro filho Pedro Lispector Valente (que, durante a adolescência, veio a ser diagnosticado com esquizofrenia – situação que trouxe grande sentimento de culpa à escritora). Em 1949, lança A Cidade Sitiada; em 1953, nos EUA, nasce Paulo Lispector Valente, segundo filho do casal. Em 1959, as constantes brigas, viagens e a preocupação com os filhos, geraram a separação de Clarice e Maury. A escritora volta ao Rio, ocasião em que passa a assinar a coluna “Correio feminino – Feira de utilidades”, do jornal Correio da Manhã, sob o pseudônimo de Helen Palmer. No ano seguinte, assume a coluna “Só para mulheres” do Diário da Noite. Nesta época, um incêndio acidental no quarto de Clarice, ocasiona sua internação por 03 dias.

Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.

Em 1961, lança A Maça no Escuro; 1964: A Legião Estrangeira e A Paixão Segundo G. H.; 1969: Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres; 1970: Água Viva (livro que tornou-se sucesso de crítica e público), em meados deste ano, começou a trabalhar no livro Um Sopro de Vida: pulsações (obra que só veio a ser publicada após sua morte); 1974: A Via Crucis do Corpo e Onde Estivestes de Noite.  Em 1975, foi convidada a participar do Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria, onde falou sobre seu conto “O ovo e a galinha”. A participação rendeu à ela ares místicos ante o público, o que lhe rendeu o título de “a grande bruxa da literatura brasileira”.

Pouco tempo após a publicação de seu famoso romance A Hora da Estrela, Clarice foi hospitalizada e diagnosticada com câncer de ovário. Faleceu em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57º aniversário. Seu corpo foi enterrado no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro em 11 de dezembro. Em artigo publicado no The New York Times, em março de 2005, foi descrita pelo tradutor Gregory Rabassa como o equivalente de Kafka na literatura latino-americana.

Clarice Lispector
Clarice Lispector

Sem dúvidas Clarice é um dos grandes nomes da literatura brasileira, figurando entre os escritores mais comentados deste universo incomparável composto pelos livros. Sua obra e genialidade sem igual são referência nas escolas e rodas de conversa literárias. O nome Clarice Lispector é sinônimo de grandeza artística e intelectualidade.

Núrya Ramos

 

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Clarice_Lispector

http://www.releituras.com/clispector_bio.asp

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Posted 10/12/2014 by Núrya Ramos in category "Literatura

About the Author

Núrya Ramos é graduada em Serviço Social, pós-graduada em Políticas Públicas e Intervenção Social e atualmente é pós-graduanda em Gestão e Elaboração de Projetos Sociais. Atuou como tutora presencial na Universidade Anhanguera – UNIDERP (2012-2015) e como professora universitária no CEFELMA – Centro de Formação Educacional do Leste Maranhense (2012-2014). Apaixonada por literatura, música, cinema, culinária, mitologia, séries, futebol, fotografia, artes em geral e animais, também é poetisa amadora e flamenguista de carteirinha. Sonha em ser arqueóloga e percorrer o mundo desvendando os mistérios da nossa história.

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