julho 23

Um Mestre no Paraíso

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“Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte:
o riso a cavalo e o galope do sonho
É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver.”

Ariano Suassuna

Ariano, o Poeta. Ariano, o Dramaturgo. Ariano, o Ensaísta. Ariano, o Romancista. Ariano, o Encantador. Ariano vendedor de sonhos. Ariano nordestino orgulhoso de sua região, de seu sotaque, de sua gente. Ariano Vilar Suassuna, paraibano, nascido a 16 de junho de 1927, escreveu sua primeira peça aos 20 anos de idade – Uma Mulher Vestida de Sol. Daí pra frente, os mundos concebidos por Ariano passam a ganhar vida nos palcos. Formado em Direito lecionou Estética na Universidade Federal de Pernambuco. Foi membro fundador do Conselho Federal de Cultura (1967), onde continuou a desenvolver seu apreço pela cultura popular e a mantê-la viva no cotidiano brasileiro.

“Construiu em São José do Belmonte, onde ocorre a cavalgada inspirada no Romance d’A Pedra do Reino, um santuário ao ar livre, constituído de 16 esculturas de pedra, com 3,50 m de altura cada, dispostas em círculo, representando o sagrado e o profano. As três primeiras são imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José, o padroeiro do município” (Wikipédia). Membro da Academia Paraibana de Letras (ocupando a cadeira de número 35 patroneada por Raul de Campelo Machado), Ariano foi tema de enredo no carnaval carioca, em 2002, da escola de samba Império Serrano; em 2008 novamente foi homenageado no carnaval, mas desta vez pela escola paulista Mancha Verde.

Membro também da Academia Brasileira de Letras desde 1990, ocupava a cadeira de número 32, cujo patrono é Manuel José de Araújo Porto Alegre – o barão de Santo Ângelo; e da Academia Pernambucana de Letras desde 1993, onde foi eleito para a cadeira de número 18. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 2000; e pela Universidade Federal do Ceará, em 2006 – título que só veio a ser entregue em 2010. Sua obra mais famosa – Auto da Compadecida (adaptado posteriormente para o cinema), data de 1955.

o_auto_da_compadecida

Hoje (23 de julho), Ariano cerrou os olhos para este mundo e os abriu na eternidade. Mas antes, presenteou-nos com estórias repletas do cotidiano do povo nordestino; estórias que mesclam os costumes simples de nossa gente com a imaginação fantástica de Ariano. Como as cortinas de um palco que se fecham ao fim da peça e as luzes que se apagam deixando no escuro a plateia, estamos todos nós que temos na literatura nosso mundo de encantos e de sonhos. Como leitora e passageira da nave literária me sinto novamente órfã; sinto no ar a sensação de casa vazia.

Ariano não só abriu as portas dos mundos que imaginou a vida inteira como nos trouxe para dentro deles; quem nunca se viu em algum momento como João Grilo – o sertanejo que usava a esperteza para escapar da pobreza, da fome e da morte? Quantas vezes a fala dita por Maria de Nazaré no Auto da Compadecida surgiu em nossas mentes… “A peleja é longa e no fim é só você contra você mesmo”. Grande e profunda verdade, mestre Ariano. Nos fará falta sua fala simples, nordestina, carregada de sotaque e de sabedoria; carregada de conhecimento, de força e de vida; carregada de tanta coisa que nos falta ainda saber.

Apesar da tristeza que nos abate, temos o consolo de saber que Ariano nunca será alcançado pela morte, pois sua imagem, sua obra e seu legado o manterão para sempre vivo na memória do povo brasileiro. A vida de Ariano é uma dádiva para nós; e sua morte como a do homem que morreu e ressuscitou e disse que o Cristo vive lá pras bandas da Bahia: uma morte que é morte sem o ser. Sobre sua partida, que consigamos um dia dizer que é apenas uma saudade leve como brisa. E quando nos for exigida qualquer explicação mais complexa sobre a vida, que possamos responder simplesmente: “Não sei; só sei que foi assim”!

Núrya Ramos

 

Fontes:

Google Imagens

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ariano_Suassuna

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Posted 23/07/2014 by Núrya Ramos in category "Literatura

About the Author

Núrya Ramos é graduada em Serviço Social, pós-graduada em Políticas Públicas e Intervenção Social e atualmente é pós-graduanda em Gestão e Elaboração de Projetos Sociais. Atuou como tutora presencial na Universidade Anhanguera – UNIDERP (2012-2015) e como professora universitária no CEFELMA – Centro de Formação Educacional do Leste Maranhense (2012-2014). Apaixonada por literatura, música, cinema, culinária, mitologia, séries, futebol, fotografia, artes em geral e animais, também é poetisa amadora e flamenguista de carteirinha. Sonha em ser arqueóloga e percorrer o mundo desvendando os mistérios da nossa história.

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