maio 13

O povo brasileiro e a síndrome do conformismo

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Ano: 2014. Século: XXI. O tempo passa, a tecnologia avança, os problemas sociais mudam de “roupa”, e o povo brasileiro continua sofrendo da síndrome do conformismo. O problema é que nossa conformidade está relacionada às coisas mais graves do cotidiano. Este artigo não está embasado em dados concretos, pesquisas científicas; e sim, na convivência diária que tenho com inúmeras pessoas em todos os meios possíveis; o motivo deste artigo é nada mais do que minha inquietação pessoal (e que quero compartilhar com você leitor) com a maneira que a maioria de nós vê as desgraças do dia a dia.

Quem nunca ouviu as seguintes frases (?): “Munícipio tal está pior do que o nosso”, “Pelo menos aqui tem hospital”, “Pior é na cidade X, que nem médico ou escola tem”, “Rouba, mas faz”, “Pelo menos paga o salário em dia”, etc., etc., etc. Nosso povo sofre de uma “doença” que parece não ter cura: o conformismo com a nossa desventura. Quando se fala de algo que vai mal na cidade ou no país, alguém surge com um dos textos acima; como se o fato de o município ou o estado vizinho estar numa situação pior fosse motivo pra pensar: ‘Apesar de tudo até que estamos bem’ ou ‘Podia ser pior’.

E é em pensamentos como esses que o mau político se apoia e constrói seu império de desmando, corrupção, abandono e mazelas. A cada vez que um cidadão se conforma com o que há de ruim na sociedade perdemos a chance de mudança; perdemos a chance de raciocinar sobre a situação do país, de pensar como os maus políticos “lavam” a cabeça de seus eleitores de todas as maneiras; perdemos a chance de fiscalizar o poder público, de questionar onde está o nosso dinheiro (fruto do nosso trabalho, nosso suor), de averiguar por que as obras tão alardeadas em período eleitoral não saíram das cartilhas dos candidatos; perdemos a chance de exercer cidadania.

Precisamos entender que não é porque o município onde residimos tem hospitais, escolas e o município vizinho não tem que devemos nos conformar com o fato de ter um governante que ‘rouba, mas faz’. A população precisa perceber que o problema de um também é problema de todos; e que enquanto houver uma única cidade que esteja sendo assolada por todo tipo de mazela não temos motivo pra nos conformar com nada. Dar-se por satisfeito em meio ao caos é um dos sintomas desse mal que nos acomete; que mesmo parecendo não ter cura, tem sim tratamento.

Pagar salário em dia é apenas uma das obrigações de um representante do poder executivo; construir, reformar, equipar instituições públicas e fazê-las funcionar de maneira eficaz é obrigação do poder público; não há nada de bondoso nisso. Políticos são servidores públicos; pessoas que se candidatam por livre e espontânea vontade a um cargo remunerado para o exercício de determinada função. Não são heróis, não são divindades; são apenas funcionários da sociedade.

Não há motivos para continuarmos presos ao pensamento de que ‘pelo menos’ temos alguma coisa. Precisamos internalizar a certeza de que merecemos tudo a que temos direito e que é garantido constitucionalmente, e entender, de uma vez por todas que a mudança somos nós quem fazemos; e que quem realmente detém este poder somos nós. Fingir que estamos bem enquanto a criminalidade aumenta, a impunidade se prolifera, o descaso com a população cresce a dados alarmantes é iludir-se sobre a própria condição. Mas, infelizmente, enquanto o caos se alastra muitos de nós continuam na praça dando milho aos pombos.

Núrya Ramos

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Posted 13/05/2014 by Núrya Ramos in category "Ponto de Vista

About the Author

Núrya Ramos é graduada em Serviço Social, pós-graduada em Políticas Públicas e Intervenção Social e atualmente é pós-graduanda em Gestão e Elaboração de Projetos Sociais. Atuou como tutora presencial na Universidade Anhanguera – UNIDERP (2012-2015) e como professora universitária no CEFELMA – Centro de Formação Educacional do Leste Maranhense (2012-2014). Apaixonada por literatura, música, cinema, culinária, mitologia, séries, futebol, fotografia, artes em geral e animais, também é poetisa amadora e flamenguista de carteirinha. Sonha em ser arqueóloga e percorrer o mundo desvendando os mistérios da nossa história.

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