abril 28

Uma “banana” para o preconceito

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“Na partida entre Villarreal e Barcelona pelo Campeonato Espanhol, a torcida do time da casa jogou uma banana em direção” (Estadão) ao jogador brasileiro Daniel Alves. O jogador não revidou, nem ofendeu o(s) ofensor(es); pelo contrário, respondeu à provocação comendo a banana em campo antes de bater um escanteio. Esta não é a primeira vez que Daniel é vítima de racismo; após o jogo, o brasileiro declarou: “Estou na Espanha há 11 anos e há 11 anos é dessa maneira. Temos de rir dessa gente atrasada” (Estadão). Este também não é o primeiro caso de manifestação de racismo no futebol.

O “meio-campista Tinga, do Cruzeiro, foi alvo de insultos racistas durante a partida contra o Real Garcilaso, do Peru, válida pela primeira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América. […] em Huan Cayo, o jogador ouviu das arquibancadas imitações dos guinchos de macacos a cada vez que tocou na bola” (Terra). Ainda este ano, durante o jogo entre Esportivo e Veranópolis, pelo Campeonato Gaúcho, o árbitro Márcio Chagas da Silva “ouviu gritos de “macaco” e “volta pro circo”, coisas assim. Ao sair, após o jogo, encontrou bananas sobre seu carro e no escapamento do veículo, no estacionamento do estádio” (O Globo). O árbitro já havia sido vítima de racismo em 2005.

Esses e tantos outros casos, infelizmente, ainda fazem parte do cotidiano. Somos obrigados a presenciar gente hipócrita, preconceituosa e racista proliferando seu pensamento ridiculamente atrasado e pequeno. O problema, a meu ver, não está no uso do termo ‘macaco’, e sim na conotação com que é usado – afim de ofender a vítima, de expor ao constrangimento. Numa explicação breve, mas necessária, vamos entender melhor sobre o que temos em comum com os macacos:

Macaco é um termo generalista, popularmente usado para designar todos os primatas: chimpanzés, gorilas, micos, gibões, macacos-prego, etc. De acordo com isso, essa definição inclui também os seres humanos, como macacos, pois somos primatas. Os primatas formam uma grande Ordem de Mamíferos, que surgiram de ancestrais arborícolas nas florestas tropicais, e desde então se subdividiram em uma grande diversidade de espécies, linhagens que levaram também aos ancestrais da superfamília taxonômica “Hominoidea”, que engloba chimpanzés, gorilas e seres humanos.

Hominoidea

Aos que encontram no racismo uma maneira de se mostrar superiores aos demais, tenho duas coisas a dizer: primeiro – lamento que seja necessário expor uma pessoa a um constrangimento publicamente para se sentir superior (isso é atitude de criaturas que não tem nada de bom a oferecer, e fazem uso desse tipo de “ferramenta” suja, baixa, mesquinha e ridícula); segundo – no Brasil o racismo é crime inafiançável previsto em lei, ficando o indivíduo sujeito à pena de reclusão.

Em apoio a Daniel Alves e, indiretamente, a todos que já sofreram com esse tipo de preconceito, vários artistas tem postado fotos comendo bananas. Ser negro é motivo de orgulho, ser honesto é motivo de orgulho, ser ético, solidário, trabalhador, motiva nosso orgulho; e ser HUMANO (em todo o significado da palavra) é sim o maior motivo de orgulho que alguém pode ter. Mas ser HUMANO é algo que poucos sabem ser; não basta nascer homem ou mulher pra ser humano. É preciso mais que fazer parte da espécie Homo sapiens: é preciso compreender e fazer uso de valores morais e éticos, é preciso se solidarizar com a dor do outro como se fosse a própria dor, é preciso ter respeito pelos outros independente de sua cor, posição social, condição sexual, religião, etc.

O combate ao racismo e a qualquer forma de preconceito deve ser uma luta diária por uma sociedade mais decente, mais justa e igualitária. Há quem pensa que ofende a qualquer ser humano quando o chama de macaco, digo que SOMOS TODOS MACACOS sim, e não há vergonha nenhuma nisso; o que dá vergonha mesmo é ver que entre nós existe esse tipo de gente (preconceituosa, racista e RIDÍCULA). Acho que posso falar pelos que não agem com esse tipo de postura quando digo: Não temos vergonha de ser MACACOS; temos vergonha é do SEU PRECONCEITO!

Núrya Ramos com colaboração de Jonatas A. da Silva

Referências

Google Imagens

http://esportes.terra.com.br/cruzeiro/com-imitacao-de-macacos-cruzeirense-e-alvo-de-racismo-em-jogo-no-peru,6cc3c4d59e824410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,torcida-joga-banana-para-daniel-alves-que-come-e-cruza-para-gol-do-barcelona,1159355,0.htm

http://oglobo.globo.com/esportes/arbitro-vitima-de-racismo-ja-tinha-sofrido-discriminacao-no-mesmo-estadio-11810678

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Posted 28/04/2014 by Núrya Ramos in category "Ponto de Vista

About the Author

Núrya Ramos é graduada em Serviço Social, pós-graduada em Políticas Públicas e Intervenção Social e atualmente é pós-graduanda em Gestão e Elaboração de Projetos Sociais. Atuou como tutora presencial na Universidade Anhanguera – UNIDERP (2012-2015) e como professora universitária no CEFELMA – Centro de Formação Educacional do Leste Maranhense (2012-2014). Apaixonada por literatura, música, cinema, culinária, mitologia, séries, futebol, fotografia, artes em geral e animais, também é poetisa amadora e flamenguista de carteirinha. Sonha em ser arqueóloga e percorrer o mundo desvendando os mistérios da nossa história.

3 COMMENTS :

  1. By Jonatas Hotmail on

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    Excelente artigo, minha querida. Cada vez mais admiro seu trabalho.

    Infelizmente muitas pessoas ainda preservam esses comportamentos bizarros que é o preconceito e o racismo, também em tantas outras formas: preconceito contra os homossexuais na sociedade, contra as mulheres no mercado de trabalho, etc.

    A resposta do Daniel Alves foi brilhante. Eu acrescento que além de sermos todos macacos, esse racismo contra os negros no futebol é ridículo: afinal o rei do futebol é um negro.

    Saudações

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