março 22

Benefícios parlamentares: a hipocrisia veste Armani

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2014 – ano eleitoral. Mais uma oportunidade de mudança sobre o que aí está. Oportunidade de retirar do poder as corjas imundas que desviam dinheiro público em nome da construção do patrimônio pessoal; oportunidade de nos livrar das oligarquias e de cair de vez na realidade: ‘eles’ não são nossos patrões; são empregados do país como qualquer outra pessoa que presta serviço público a esta nação. Vendo e revendo as mesmas críticas dos defensores do Estado neoliberal contra uma certa peculiaridade do governo atual (me refiro às Bolsas), veio-me uma comparação “singela” e digna de ser tratada. Os neoliberais e opositores do governo em questão criticam a existência das Bolsas por motivos como: fomento da preguiça generalizada, diminuição da busca por trabalho remunerado, etc. Não estou aqui para defender a existência das Bolsas; critico a hipocrisia de governantes e legisladores que apresentam verdadeira repulsa aos auxílios, quando também os tem. Explicarei meus motivos. Partindo da premissa de quanto valem os políticos brasileiros aos cofres públicos – citarei apenas algumas classes como exemplo. Veja os números:

Belo Horizonte (MG) – maio de 1997: antes da implementação da verba indenizatória na Câmara Municipal de BH, o salário de um vereador naquela cidade era de R$ 4.500,00; sua ajuda de gabinete custava o equivalente a R$ 3.280,00 em material e serviços, aí incluído um carro com motorista;as contratações de pessoal para gabinete de um vereador sem liderança custavam naquela época R$ 18.625,00. Hoje o salário de um vereador de BH está no valor de R$ 12.459,92; a quota de telefone é de R$ 800,00 por gabinete; a verba indenizatória (interessante esse termo – o povo é roubado todos os dias e nunca somos indenizados por nada) é de R$ 15.000,00 mensais (não é mais fornecido carro ao parlamentar – milagre hein?!); e as contratações de pessoal para gabinete de um vereador sem liderança custam R$ 62.399,00 (Diário de Pernambuco – Fevereiro de 2014).

Goiás – R$ 20.042,00. É o que ganha um deputado estadual. Além do salário, cada um ainda tem direito a R$ 63.000,00 por mês para manter o mandato e pagar assessores. Com a aprovação do auxílio-moradia serão mais R$ 2.850,00 (Fevereiro de 2014 – G1). Interessante, não é mesmo?… O cidadão recebe um “parco” auxílio-moradia; porque sabe como é: eles precisam morar em boas casas, afinal são parlamentares; e você cidadão brasileiro trabalhe feito um condenado pra comprar ou construir sua casa própria ou pagar o aluguel, aguarde um financiamento, ou com sorte, seja contemplado no Minha casa, minha vida. “Até o ano passado, em se tratando dos deputados federais, que são em número de quase 600 membros, estes possuíam salários de cerca de R$ 16.500,00. Mas em janeiro deste ano passou a vigorar uma lei que subiu para nada menos que R$ 26.723,13 (o mesmo salário da presidente Dilma Rousseff, do vice-presidente e dos ministros). Além deste salário mensal, os deputados federais recebem:

Auxílio-moradia de R$ 3.000,00.

Cota postal de R$ 4.000,00 – para despesas de correios (é muita carta).

 Vale transporte aéreo de R$ 4.700,00 que dependendo das viagens, pode chegar até a R$ 18.700,00” (e haja viagem).

Despesas por gabinete R$ 60.000,00.

Salário de cada um deles é de R$ 26.723,13.

Os senadores têm direito a benefícios de cerca de R$ 30 mil reais a mais que os deputados federais. Estes mesmos políticos custam muito menos na Alemanha, Reino Unido, Chile e França” (Handi). Isto tudo sem falar em outros auxílios existentes aos “necessitados” políticos. Como o extinto auxílio-paletó (pasmem… isso existia; não é piada). Nós, cidadãos brasileiros, pagávamos os ternos de grife que eles exibiam na TV. A você, que sempre achou que eles se vestem muito bem, aí está razão: o auxílio-paletó era suficiente pra que cada político beneficiado comprasse 20 ternos por ano. Como é fácil vestir Armani desse jeito, não é mesmo????

Em 2013, um deputado federal custou aos cofres públicos cerca de R$ 142.011,93 por mês; num total estimado em R$ 1.810.202,40 por ano. Mas não para por aí; vejamos a somatória dos políticos e toda a parafernalha que os cerca: “Uma câmara de deputados federais e um senado, 27 assembléias legislativas e 5.564 câmaras de vereadores. Custo total: mais de R$ 20 bilhões por ano! O equivalente ao orçamento anual do programa Bolsa Família (R$ 22,1 bilhões), que beneficia 13,9 milhões de famílias. A título de comparação: este valor seria suficiente para elevar o salário de todos os professores da rede pública do país em R$ 492,00/mês, ou para recuperar milhares de quilômetros de estradas, ou para a construção de vários hospitais e sua manutenção” (Célio Turino – Maio de 2013).

Agora, que já foram dados os números, vamos à comparação:

Se os benefícios fomentam mesmo a preguiça e se muitos partidos são contra eles por julgarem que são maléficos à sociedade, por que os ilustres políticos brasileiros não abrem mão de seus ricos benefícios antes de criticar os benefícios sociais que aí estão (sem falar que além de receber tudo isso ainda desviam verba pública)??? Afinal são benefícios do mesmo jeito; a diferença é que custam bem mais caro ao nosso bolso. O povo trabalha e faz malabarismo com o salário pra poder morar, comer, vestir, calçar, se locomover de casa para o trabalho, cuidar da própria saúde, se profissionalizar, criar dignamente os filhos, cuidar dos idosos da família e ainda ter lazer (isto é ou não um milagre????). Se nós conseguimos este milagre, vocês políticos, também conseguem.

Os benefícios parlamentares ameaçam os bens públicos e devem ser motivo de discussão e mudança; nós podemos e devemos fiscalizar o que fazem com o nosso dinheiro. “Qualquer ato que viola a moralidade administrativa e ameaça o patrimônio público pode ser impugnado por qualquer cidadão através de ação popular. Mas havendo uma inconstitucionalidade dessas normas, a OAB também estará legitimada para uma eventual ação direta de inconstitucionalidade”, explicou o presidente da seção maranhense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MA), Mário Macieira em entrevista ao G1 em Abril de 2013.

Por isso, caros leitores, abandonem a alienação da mídia vendida e controlada pelas oligarquias; políticos são servidores públicos e não patrões ou reis. Também não são deuses para serem dignos de adoração. Entenda o que acontece no seu país pra se posicionar em favor da nação e da justiça social. O trabalho honesto dignifica o homem; e o recebimento de um valor digno e condizente com aquilo que se faz é nada mais que justo e correto. Políticos, olhem para os vossos umbigos; quando queremos criticar as atitudes de alguém precisamos primeiro ver as nossas.

Núrya Ramos

Fontes:

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2014/02/mesmo-com-casa-propria-deputados-passam-ter-auxilio-moradia-em-go.html

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/politica/2014/02/17/interna_politica,489856/verba-indenizatoria-para-vereadores-de-bh-virou-guerra-de-dados-nebulosos.shtml

http://handi.com.br/valores-atuais-dos-salarios-e-beneficios-dos-politicos-no-brasil/

http://revistaforum.com.br/brasilvivo/2013/05/30/custo-da-atividade-parlamentar-no-brasil-ultrapassa-r-20-bilhoesano/

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Posted 22/03/2014 by Núrya Ramos in category "Política

About the Author

Núrya Ramos é graduada em Serviço Social, pós-graduada em Políticas Públicas e Intervenção Social e atualmente é pós-graduanda em Gestão e Elaboração de Projetos Sociais. Atuou como tutora presencial na Universidade Anhanguera – UNIDERP (2012-2015) e como professora universitária no CEFELMA – Centro de Formação Educacional do Leste Maranhense (2012-2014). Apaixonada por literatura, música, cinema, culinária, mitologia, séries, futebol, fotografia, artes em geral e animais, também é poetisa amadora e flamenguista de carteirinha. Sonha em ser arqueóloga e percorrer o mundo desvendando os mistérios da nossa história.

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